CRONISTA DA CIDADE – POLÍTICA DE IBIÚNA SEGUE NO RITMO ‘MAIS DO MESMO’

O Comtur – Comtur Municipal de Turismo, realizou na noite desta quarta-feira (29), na sede do Serpromi, na região central de Ibiúna, sua reunião mensal.

O tema principal do encontro foram as obras paralisadas no famigerado Teatro Municipal Alto da Figueira. Elas deveriam estar concluídas em dezembro de 2023, conforme vitrine online e TVUNA publicaram.

A cautelosa presidente do órgão, Maristela Gomes Santos, a certa altura de seu pronunciamento, citou a “falta de transparência” do governo municipal.

Entendemos que ela estava movida por duas razões.

A primeira porque as autoridades municipais não têm respondido aos pedidos de informações solicitadas sobre esse assunto.

A segunda por não terem comparecido ao encontro, embora convocados – o prefeito Mário Pires; a secretária de Obras, arquiteta Priscila Ferrer; e o secretário de Cultura e Turismo, empresário Eli Valentin], num sinal que foi interpretado como “falta de respeito ao colegiado” pelos conselheiros.

“ÓBVIO ULULANTE”

A manifestação de Santos não causa surpresa.

Vitrine online e TVUNA vêm reiteradamente apontando a falta de transparência pública do atual governo, não com o objetivo de criticá-lo, mas para contribuir a fim de que a chefia do Executivo ibiunense desperte para uma realidade que está obviamente esgarçando a imagem pública de seu governo.

Basta ver os  abundantes comentários, alguns que evitamos de replicar, em clara desaprovação ao comportamento relacional da atual gestão.

A questão se põe então dentro da expressão criada pelo escritor brasileiro Nelson Rodrigues, popularizada como uma forma de descrever algo tão evidente, claro e inquestionável para ser percebido, mesmo que a maioria ignore.

É óbvio para quem analise o comportamento público da atual administração perceber que ele procura transformar cada iniciativa própria como algo espetacular, supostamente para obter a simpatia e aprovação popular ao seu governo. Trata-se de um jeito que pode ser considerado um estilo de governo.

Há um lado curioso desse procedimento.

As suas movimentações teatrais demonstram notável vontade política de causar emoções, prender pela encenação. Mas, o que dizer de sua postura de se manter distante e mesmo isolado de questões como a do teatro, que é, na realidade, uma herança torta do governo anterior. Esse caso requer esclarecimento óbvio, o que não implica em responsabilizá-lo por um ato que não praticou. Isso é claro com a luz solar!

O problema está em nada dizer, como um provável modo de se proteger por meio no silêncio persistente, que pode ser exatamente o motivo pela qual vem sendo alvo de maledicências, algumas bem agressivas.

Como intermediário entre a população e a autoridade, cabe ao jornalista mostrar o tabuleiro e o modo de jogar dos seus protagonistas, e torcer para que o jogo siga as boas práticas de uma sociedade ética e moralmente saudável, o que tem sido cada vez mais raro no mundo, em nosso país [Congresso Nacional que o diga] e na vasta constelação de municípios brasileiros.

Por fim, mas não menos importante, pelo hábito canônico de perguntar, ouvimos recentemente de uma funcionária pública municipal exemplar, quando lhe perguntamos o que achava do andamento da carruagem da política local. Ela foi simples e concisa: “Continuamos tendo mais do mesmo”.

CRONISTA DA CIDADE

(Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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