{"id":17441,"date":"2018-08-18T15:53:17","date_gmt":"2018-08-18T18:53:17","guid":{"rendered":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/?p=17441"},"modified":"2018-08-18T16:20:37","modified_gmt":"2018-08-18T19:20:37","slug":"da-hora-em-sete-meses-mamonas-assassinas-viraram-a-cabeca-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/?p=17441","title":{"rendered":"DA HORA \u2013 EM SETE MESES, MAMONAS ASSASSINAS VIRARAM A CABE\u00c7A DO BRASIL"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/MAMONAS-1-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17444\" src=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/MAMONAS-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/MAMONAS-1-1.jpg 640w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/MAMONAS-1-1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Em outubro de 1995, estava voltando de Itaja\u00ed para S\u00e3o Paulo. Quando minha mulher e eu chegamos ao Aeroporto de Navegantes, em Santa Catarina, uma multid\u00e3o ocupava a parte externa e todo o sagu\u00e3o. Mal se podia mexer de tanta gente, a maioria crian\u00e7as e adolescentes, mas tamb\u00e9m adultos que os acompanhavam e tamb\u00e9m demonstravam not\u00f3ria expectativa.<\/p>\n<p>N\u00e3o t\u00ednhamos a menor ideia do porqu\u00ea tanta gente ruidosa se concentrava naquele lugar. Da\u00ed a pouco, desce um pequeno avi\u00e3o e dentro dele os integrantes da banda Mamonas Assassinas, j\u00e1 extremamente famosos em todo o Brasil. Quando aqueles jovens foram vistos pela irrequieta multid\u00e3o \u2013 Dinho, Bento, Samuel, J\u00falio e S\u00e9rgio \u2013 a gritaria ficou intensa, assim como a movimenta\u00e7\u00e3o de centenas de f\u00e3s.<\/p>\n<p>Quando entrei na pista para embarcar, vi o pequeno avi\u00e3o que trouxera aqueles astros que, em pouqu\u00edssimo tempo, se tornaram unanimidade nacional, acredito pelo ineditismo da alegria musical sem precedentes daqueles meninos de Guarulhos, munic\u00edpio da regi\u00e3o metropolitana de S\u00e3o Paulo. N\u00e3o sei exatamente por que, mas tive um estranho pressentimento.<\/p>\n<p>Hoje, quando limpava o quintal, debaixo das \u00e1rvores, lembrei-me deles e o primeiro pensamento que me surgiu na cabe\u00e7a foi: \u201cOs Mamonas Assassinas criaram a mais sensacional, divertida, alegre e irreverente banda jamais vista no Brasil.\u201d At\u00e9 hoje, vinte e tr\u00eas anos depois da morte de todos eles em um acidente a\u00e9reo na Serra da Cantareira em S\u00e3o Paulo, quando retornavam de mais um de seus shows pelo Brasil, continuam uma celebridade e lembrados com carinho por milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p><strong>DA UTOPIA AO SUCESSO<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/manomas-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-17447\" src=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/manomas-2.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/manomas-2.jpg 640w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/manomas-2-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Os Mamonas Assassinas surgiram com esse nome em 1990, antes, surgida em 1989, se chamava Utopia. E o sucesso deles, espetacular, surgiu como num passe de m\u00e1gica, causando a maior surpresa para todo o Brasil. A biografia do conjunto, no entanto, foi breve. A banda teve uma explos\u00e3o de sucesso de 23 de junho de 1995 at\u00e9 o dia 2 de maio de 1996, quando o avi\u00e3o em que se encontrava bateu contra um morro, quando fazia aproxima\u00e7\u00e3o para aterrissar no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A triste not\u00edcia causou enorme consterna\u00e7\u00e3o por todo o Pa\u00eds e at\u00e9 hoje continuam sendo lembrados como um fen\u00f4meno maravilhoso de criatividade musical \u00fanica.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/mamonas-3.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-17449 alignleft\" src=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/mamonas-3.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" srcset=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/mamonas-3.jpg 300w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/mamonas-3-150x150.jpg 150w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/mamonas-3-65x65.jpg 65w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Dinho (Alecsander Alves), vocal e viol\u00e3o; Bento (Alberto Hinoto), guitarra; Samuel\u00a0 (Samuel Reis de Oliveira), baixista; J\u00falio (J\u00falio Cesar), teclado; S\u00e9rgio (S\u00e9rgio Reis de Oliveira), bateria. Esses mo\u00e7os cheios de vida e alegria sacudiram o Brasil.<\/p>\n<p>Suas m\u00fasicas definidas como rock c\u00f4mico eram uma mistura engenhosa de g\u00eaneros com ineg\u00e1vel produ\u00e7\u00e3o talentosa:<span style=\"color: #000000;\"> <a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pop_rock\">pop rock<\/a>, \u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Sertanejo_(estilo_musical)\">sertanejo<\/a>,\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Brega\">brega<\/a>,\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Heavy_metal\">heavy metal<\/a>,\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pagode_(estilo_musical)\">pagode<\/a>,\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Forr%C3%B3\">forr\u00f3<\/a>,\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/M%C3%BAsica_mexicana\">m\u00fasica mexicana<\/a>\u00a0e\u00a0<a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Vira\">vira<\/a> portugu\u00eas. Quem podia resistir \u00e0s letras irreverentes e as cenas que<\/span> inventavam no palco? A voz, os gestos, as caretas de Dinho e dos seus amigos atuavam como catalizadores das aten\u00e7\u00f5es. Os f\u00e3s faziam parte de um ritual de liberta\u00e7\u00e3o. Transformavam temas irreverentes em brincadeiras que ningu\u00e9m levava a s\u00e9rio, pois eram os prot\u00f3tipos de um tipo de inoc\u00eancia que neutralizava o falso preconceito vulgar relacionado, por exemplo, com a sexualidade humana, a mal\u00edcia e met\u00e1foras irresist\u00edveis.<\/p>\n<p>O t\u00edtulo de suas m\u00fasicas mais tocadas s\u00e3o reveladoras desse esp\u00edrito livre de preconceitos: <span style=\"color: #000000;\"><a style=\"color: #000000;\" href=\"https:\/\/www.letras.mus.br\/mamonas-assassinas\/24140\/\">Pelados Em Santos<\/a>,<\/span> Vira Vira, Robocop Gay, Uma Arlinda Mulher, Chopis Centis, S\u00e1bado de Sol, L\u00e1 vem o Alem\u00e3o, Sab\u00e3o Cr\u00e1-Cr\u00e1, D\u00e9bil Metal, Bois Don\u2019t Cry, Cabe\u00e7a de Bagre II, Jumento Celestino, Renato o Ga\u00fadho, N\u00e3o Peide Aqui, Baby, Desabafo do Dinho, Joelho, Marylou, Desndos Em Canc\u00fan.<\/p>\n<p><strong>BRINCADEIRAS NAS LETRAS<\/strong><\/p>\n<p>Quem esquece de Pelados em Santos. Eis um trecho:<\/p>\n<p><em>Mina, seus cabelo \u00e9 da hora<\/em><\/p>\n<p><em>Seu corp\u00e3o viol\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>Meu docinho de coco<\/em><\/p>\n<p><em>T\u00e1 me deixando louco<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Minha Bras\u00edlia amarela<\/em><\/p>\n<p><em>T\u00e1 de portas abertas<\/em><\/p>\n<p><em>Pra mode a gente se amar<\/em><\/p>\n<p><em>Pelados em Santos<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Pois voc\u00ea, minha pitchula<\/em><\/p>\n<p><em>Me deixou legalz\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o me sintcho sozinho<\/em><\/p>\n<p><em>Voc\u00ea \u00e9 meu chuchuzinho<\/em><\/p>\n<p>Em mundo animal, o que poderia ser mais coisa de meninos?<\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><em>Comer tatu \u00e9 bom<\/em><\/p>\n<p><em>Que pena que d\u00e1 dor nas costas<\/em><\/p>\n<p><em>Porque o bicho \u00e9 baixinho<\/em><\/p>\n<p><em>E \u00e9 por isso que eu prefiro as cabritas&#8230;<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Robocop Gay, os Mamonas desandaram com preconceitos:<\/p>\n<p><em>Um tanto quanto m\u00e1sculo<\/em><\/p>\n<p><em>Ai, com M mai\u00fasculo<\/em><\/p>\n<p><em>Vejam s\u00f3 os meus m\u00fasculos<\/em><\/p>\n<p><em>Que com amor cultivei&#8230;<\/em><\/p>\n<p>O que poderia ser mais divertido do que Vira-Vira?<\/p>\n<p><em>Raios!<\/em><\/p>\n<p><em>Fui convidado pra uma tal de suruba<\/em><\/p>\n<p><em>N\u00e3o pude ir, Maria foi no meu lugar<\/em><\/p>\n<p><em>Depois de uma semana, ela voltou pra casa<\/em><\/p>\n<p><em>Toda arrega\u00e7ada, n\u00e3o podia nem sentar<\/em><\/p>\n<p><em>Quando vi aquilo, fiquei assustado<\/em><\/p>\n<p><em>Maria, chorando, come\u00e7ou a me explicar<\/em><\/p>\n<p><em>Da\u00ed ent\u00e3o, eu fiquei aliviado<\/em><\/p>\n<p><em>E dei gra\u00e7as a Deus porque ela foi no meu lugar<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Roda, roda e vira, solta a roda e vem<\/em><\/p>\n<p><em>Me passaram a m\u00e3o na bunda e ainda n\u00e3o comi ningu\u00e9m<\/em><\/p>\n<p><em>Roda, roda e vira, solta a roda e vem<\/em><\/p>\n<p><em>Neste raio de suruba<\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 me passaram a m\u00e3o na bunda<\/em><\/p>\n<p><em>E ainda n\u00e3o comi ningu\u00e9m!&#8230;<\/em><\/p>\n<p>Escrever sobre esse fen\u00f4meno mete\u00f3rico n\u00e3o reproduz a maravilha e o encanto do que esses meninos fizeram e que virou o pa\u00eds de cabe\u00e7a para baixo, ou de lado, ou dando piruetas, ou saltando, ou gritando, ou soltando o verbo, ou sobretudo, rindo com talvez a mais original forma de provocar alegria como nunca entre os brasileiros de todas as idades. (<strong>Carlos Rossini<\/strong> \u00e9 editor de <strong>vitrine online<\/strong>)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em outubro de 1995, estava voltando de Itaja\u00ed para S\u00e3o Paulo. 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Trabalhou em ve\\u00edculos de comunica\\u00e7\\u00e3o nas fun\\u00e7\\u00f5es de rep\\u00f3rter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Di\\u00e1rio Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, vers\\u00e3o imprensa, de S\\u00e3o Paulo para Ibi\\u00fana h\\u00e1 alguns anos, iniciou uma nova experi\\u00eancia profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajet\\u00f3ria bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lan\\u00e7ado na Bienal do Livro em S\\u00e3o Paulo no ano 2000, pela editora Madras.\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17441"}],"collection":[{"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=17441"}],"version-history":[{"count":8,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17441\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17453,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/17441\/revisions\/17453"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/17442"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=17441"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=17441"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=17441"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}