{"id":22490,"date":"2020-01-02T16:36:22","date_gmt":"2020-01-02T19:36:22","guid":{"rendered":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/?p=22490"},"modified":"2020-01-02T17:18:46","modified_gmt":"2020-01-02T20:18:46","slug":"o-camelo-e-o-leao","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/?p=22490","title":{"rendered":"O CAMELO E O LE\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/camelo-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22493\" src=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/camelo-1.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"360\" srcset=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/camelo-1.jpg 640w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/01\/camelo-1-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong>Era uma vez um Camelo, d\u00f3cil e obediente. Fazia tudo que lhe mandavam, sem jamais questionar. Mas, no fundo, sentia-se\u00a0 infeliz e um constante mal estar. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Havia dentro de si inquieta\u00e7\u00e3o e desassossego, como se n\u00e3o estivesse vivendo a pr\u00f3pria vida. <\/strong><\/p>\n<p><strong>O tempo foi passando, a idade vindo, sem entender por que sua exist\u00eancia deveria ser desse jeito. Havia no seu interior uma pequena luz e uma can\u00e7\u00e3o t\u00edmida, como se fosse um sinal de que deveria aprender a dan\u00e7ar.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por que os outros animais o tratavam de um jeito pelo qual devia apenas obedecer. Os outros eram bons e ele mau? Mas seguia adiante, sem rumo, perdido na selva.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Mas ele tinha sentimentos, entre os quais se inclu\u00edam o amor, o respeito, o desejo de agradar, pois acreditava que, assim, seria sempre aceito na sociedade dos animais. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Havia um conflito entre o que via no mundo e o que achava de si mesmo, mas estava longe de perceber por que se sentia t\u00e3o solit\u00e1rio na selva comum a todos os outros bichos.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Sentia-se humilhado, desprezado, mas, ainda assim, se movimentava sempre querendo agradar e ser reconhecido. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Um dia ouviu estranhos ru\u00eddos nas savanas. Havia ca\u00e7adores nas proximidades e estampidos, coisa que jamais tinha ouvido antes. Os bichos, por instinto, puseram-se em disparada para se afastar de onde vinha a movimenta\u00e7\u00e3o de homens. Mas, o Camelo permaneceu onde estava.<\/strong><\/p>\n<p><strong>De repente, v\u00ea, pela primeira vez, a figura de um homem que se aproximou com um estranho objeto nas m\u00e3os. Houve uma forte explos\u00e3o que o assustou como nunca. \u201cAcertei, gritou o homem!\u201d<\/strong><\/p>\n<p><strong>Um objeto havia penetrado no corpo do Camelo, como se uma bola de fogo o queimasse em uma das corcovas. Ele caiu e sentiu um l\u00edquido quente escorrer do seu corpo. Aturdido, entendeu que estava ferido, mas levantou-se e, como pode, fugiu sentindo fortes dores. Por sorte, o proj\u00e9til n\u00e3o o feriu mortalmente. Com o tempo, curou-se.<\/strong><\/p>\n<p><strong>J\u00e1 n\u00e3o se tratava de humilha\u00e7\u00e3o e desprezo, mas de sua vida! Como era um animal forte e saud\u00e1vel conseguiu escapar do ataque e procurou um abrigo num lugar que os ca\u00e7adores n\u00e3o conheciam. E ali permaneceu por longo tempo, pensando em que deveria fazer para assegurar sua sobreviv\u00eancia diante de tanto perigo.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Ali passou dias e noites at\u00e9 que come\u00e7ou a olhar o Sol, a Lua, as estrelas, os p\u00e1ssaros, sentir o vento, as \u00e1guas das chuvas. Houve um momento de paz. Foi a\u00ed que percebeu que, talvez, devesse mudar seu jeito de ser. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Um dia apareceu perto de seu abrigo um magn\u00edfico le\u00e3o. O le\u00e3o n\u00e3o o viu como alimento. Se aproximou lentamente do Camelo. Disse-lhe: \u201cOl\u00e1, Camelo, o que faz por aqui? Est\u00e1 perdido? O d\u00f3cil Camelo se mostrou animado. E ambos come\u00e7aram uma conversa de igual para igual.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O le\u00e3o percebera que o Camelo tinha uma cara tristonha, sofrida, e perguntou: \u201cQue cara \u00e9 essa, Camelo?\u201d Sentindo que o le\u00e3o se mostrava animoso, come\u00e7ou a contar sua hist\u00f3ria. Com o tempo se estabeleceu um clima de confian\u00e7a m\u00fatua. <\/strong><\/p>\n<p><strong>Depois de ouvir a biografia do Camelo, sem interromper, o le\u00e3o resolveu contar sua pr\u00f3pria hist\u00f3ria, que n\u00e3o era feita de ventos sempre favor\u00e1veis, porque a lei da selva \u00e9 impiedosa. O le\u00e3o declarou: \u201cAmigo Camelo, a vida por aqui \u00e9 uma dureza. Uns comem os outros impiedosamente. Voc\u00ea n\u00e3o sabia que era assim?\u201d E contou v\u00e1rios epis\u00f3dios de sua vida, a partir do momento em que outro le\u00e3o mais forte e poderoso o afastara do seu bando, depois de uma luta feroz.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como entardecia, o le\u00e3o se despediu amavelmente do Camelo e foi para sua caverna no sop\u00e9 de um monte rodeado de grandes pedras.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Camelo ficou novamente s\u00f3, mas j\u00e1 n\u00e3o era o mesmo, pois se p\u00f4s a pensar nos ensinamentos do le\u00e3o e considerou que vivia uma vida insossa e mediocre \u00e0 base de capim e \u00e1gua. \u00c0 noite sonhou com o le\u00e3o. No alvorecer, deixou seu abrigo e teve vontade de dan\u00e7ar e dan\u00e7ou. Este foi o primeiro ato de sua transforma\u00e7\u00e3o. Aprendeu a dan\u00e7ar e gostou, pois se sentia bem consigo mesmo, pela primeira vez.<\/strong><\/p>\n<p><strong>&#8212; Eu existo e ningu\u00e9m mais vai dar ordens para mim. Farei somente aquilo que estiver de acordo com a minha \u201cconsci\u00eancia\u201d. Serei livre, por\u00e9m n\u00e3o me transformarei num Camelo mau! Serei justo, na medida certa. <\/strong><\/p>\n<p><strong>A partir de ent\u00e3o o Camelo se tornou um Le\u00e3o. Em vez de apenas andar, passou a correr livre, dan\u00e7ar e cantar \u00e0 sua maneira.<\/strong><\/p>\n<p><strong>No sonho do Camelo aparecia um le\u00e3o m\u00e1gico que lhe disse: \u201cSeja quem voc\u00ea \u00e9\u201d, n\u00e3o o que os outros o modelem como querem. Se antes vivia na base do \u201cd\u00ea-me mais peso para carregar&#8221;, agora s\u00f3 carregaria o que queria. Foi assim que o Camelo se livrou dos fardos que carregava, como acontece com muitos animais humanos que n\u00e3o os percebem em suas exist\u00eancias repetitivas.<\/strong><\/p>\n<p><strong>O Camelo, enfim, percebera que vivia de acordo com regras impostas, deixou de pensar como bando. Passou a pensar antes de agir. Enfim, renasceu como um novo Camelo. (Carlos Rossini \u00e9 editor de vitrine online)<\/strong><\/p>\n<p><strong>N. da R.: Toda semelhan\u00e7a entre a hist\u00f3ria do Camelo e a dos homens ter\u00e1 sido mera coincid\u00eancia.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era uma vez um Camelo, d\u00f3cil e obediente. Fazia tudo que lhe mandavam, sem jamais questionar. 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