{"id":24743,"date":"2021-05-14T13:52:39","date_gmt":"2021-05-14T16:52:39","guid":{"rendered":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/?p=24743"},"modified":"2021-05-14T15:28:32","modified_gmt":"2021-05-14T18:28:32","slug":"persona-o-mundo-colorido-pelas-obras-de-enrique-aravena","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/?p=24743","title":{"rendered":"PERSONA &#8211; O MUNDO COLORIDO PELAS OBRAS DE ENRIQUE ARAVENA"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">Enrique Octavio Aravena Bustos, ou Enrique Aravena como assina suas pinturas e desenhos, nasceu no sul do Chile, numa cidade chamada Temuco. H\u00e1 trinta e sete anos vive em Ibi\u00fana com a fam\u00edlia, mulher e dois filhos, numa casa em que se destaca um grande est\u00fadio cujas paredes s\u00e3o cobertas por imagens coloridas e inconfund\u00edveis, desde pequenos quadros a pain\u00e9is, um dos quais, em andamento, ser\u00e1 uma grande homenagem a S\u00e3o Sebasti\u00e3o, santo protetor de Ibi\u00fana. Na foto acima, o autor, em seu est\u00fadio, diante do projeto tr\u00edptico &#8220;Festa de S\u00e3o Sebasti\u00e3o&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de abrir a narrativa que ele pr\u00f3prio apresenta n\u00e3o posso excluir um epis\u00f3dio ocorrido h\u00e1 alguns anos protagonizado por Enrique Aravena. O editor de vitrine online apresentava um programa di\u00e1rio em uma webtv em Ibi\u00fana. Aravena havia sido convidado para uma entrevista \u00e0 noite, por volta das 19 horas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua mulher e filhos chegaram antes dele e ficaram no est\u00fadio aguardando sua chegada. O tempo passa e nada de o artista aparecer. A preocupa\u00e7\u00e3o tomou conta de todos no est\u00fadio. Onde estaria? Logo pensamos em informar a pol\u00edcia para saber do seu paradeiro, em meio a justificada afli\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabe-se l\u00e1 o qu\u00ea da alma de um artista! Quando j\u00e1 est\u00e1vamos pensando o pior, eis que o artista aparece, de repente! Al\u00edvio geral! E a entrevista come\u00e7ou&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, sim, apresentamos Enrique Aravena.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fale sobre os seus pais e sobre o lugar de sua inf\u00e2ncia.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Minha cidade de nascen\u00e7a chama-se Temuco, nome ind\u00edgena que significa \u00e1gua de temu, planta sagrada dos mapuches, povo natural dessa terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Temuco foi o lugar onde os espanh\u00f3is levantaram um forte para controlar o povo mapuche. A regi\u00e3o ficou sendo fronteira entre ambos povos.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a minha inf\u00e2ncia meu pai era funcion\u00e1rio de um juizado que cuidava de causas ind\u00edgenas. Ele mesmo tendo um cargo de secret\u00e1rio, ajudava no poss\u00edvel a ind\u00edgenas que poderiam ser condenados pelas leis dos brancos, mas que no contexto de suas tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o seriam culpados. Meu pai era uma pessoa generosa que ajudava a quem podia. Posteriormente obteve um cargo nos Tribunais de justi\u00e7a de Santiago, em fun\u00e7\u00e3o do qual, a fam\u00edlia, eu com 10 anos, mudou-se para a capital.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quem \u00e9 Enrique Aravena?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acima de tudo, um buscador. Motivado pela vida a procurar respostas com a clareza de que no materialismo somente encontraria fuga sempre tive a certeza de no conhecimento achar um reencontro com a fonte que tamb\u00e9m \u00e9 nossa pr\u00f3pria ess\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse continua sendo o meu norte e o que motiva tudo o que fa\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como nasceu o artista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De muito pequeno tive facilidade com o desenho, sendo na escola o &#8220;menino que desenha bem&#8221; da classe.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual foi o motivo inicial?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Meu pai, vendo meu interesse no desenho e pintura, acordou comigo que estudasse desenho e fotografia publicit\u00e1ria, pois era mais seguro economicamente. Estudei numa academia e ap\u00f3s terminar me empreguei numa f\u00e1brica de letreiros e outdoor. Ap\u00f3s um tempo comecei junto a ex colegas uma pequena ag\u00eancia de publicidade. No in\u00edcio dos anos 70 Chile vivia uma situa\u00e7\u00e3o agitada, pol\u00edtica e economicamente e a publicidade n\u00e3o era meio de sobreviv\u00eancia. Passei a trabalhar como desenhista para um amigo que produzia objetos artesanais e da\u00ed surgiu uma exposi\u00e7\u00e3o de obras feitas em cobre repuxado tendo como tema a mitologia de Chilo\u00e9, Ilha do Sul do Chile, que teve \u00eaxito principalmente com p\u00fablico do exterior. Isso abriu portas para exportar meu trabalho e posteriormente viajar por pa\u00edses de Sul am\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>H\u00e1 quanto tempo voc\u00ea \u00e9 pintor?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aproximadamente 50 anos. A pintura foi surgindo aos poucos, se firmou mais depois que sai do Chile em 73 e viajei por v\u00e1rios pa\u00edses fazendo artesanato e pintando.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E desenhista?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1970 comecei a desenhar profissionalmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como voc\u00ea v\u00ea o mundo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vejo-o como uma escola, mas \u00e9 uma consequ\u00eancia, um reflexo e n\u00e3o uma causa. A causa est\u00e1 na mente que somos. Assim, na medida que mudamos nossa condi\u00e7\u00e3o interna o externo mudar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que \u00e9 a arte para voc\u00ea?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A poesia que a meu ver \u00e9 a m\u00e3e de todas as artes pode explicar a n\u00edvel de emo\u00e7\u00e3o melhor muitas coisas do que o discurso da raz\u00e3o. O sentimento que nos traz uma m\u00fasica ou uma pintura \u00e9 \u00fanico e insubstitu\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como acontece a inspira\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A entrega, no caminho espiritual \u00e9 retribu\u00edda como um fluir de experi\u00eancias cuja finalidade nos leva \u00e0 confian\u00e7a, f\u00e9 e conhecimento. Assim como na vida, no fazer da arte a entrega traz uma sequ\u00eancia intuitiva e org\u00e2nica de a\u00e7\u00f5es em que o artista inspirado passa a ser um expectador do fazer art\u00edstico, dissociado do fazedor sendo mas um instrumento da inspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Que t\u00e9cnica que voc\u00ea utiliza?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nestes \u00faltimos anos tenho usado muito a tinta acr\u00edlica aplicada com esp\u00e1tula, mas tamb\u00e9m uso pincel e tinta \u00f3leo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Voc\u00ea se inspira em algum pintor ou a alguma escola art\u00edstica?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Costumo dizer que a produ\u00e7\u00e3o de um artista \u00e9 como um rio em que h\u00e1 v\u00e1rios afluentes, que s\u00e3o as influencias que formam seu estilo. O artista recebe e transforma isso tudo na sua express\u00e3o particular que ser\u00e1 aut\u00eantica por essa transforma\u00e7\u00e3o e que ser\u00e1 arte na medida em que \u00e9 aut\u00eantica.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos artistas desde a arte moderna a contempor\u00e2nea t\u00eam sido importantes para mim e posso mencionar desde Monet, Chagall, Picasso,&nbsp; Mondrian, Modigliani, Guayasam\u00edn. E brasileiros como Segal, Portinari,&nbsp; Paulo Pasta, Mohali, Ianelli, Aquila, Granato, Tunga e Cildo Meireles.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quantas pinturas voc\u00ea j\u00e1 criou em quase meio s\u00e9culo de trabalho art\u00edstico?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tive a oportunidade de produzir muitas obras desde as que expunha inicialmente em feiras como a da Rep\u00fablica ou Embu a as que eram vendidas em Leil\u00f5es na TV como Ayoub Gallery e outras. Acho que devem ultrapassar as 5000 obras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Existe alguma diferen\u00e7a, al\u00e9m do tamanho, entre obras de menor dimens\u00e3o e de grandes dimens\u00f5es?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para mim obras pequenas geralmente cont\u00e9m uma hist\u00f3ria uma mensagem um significado, obras maiores podem conter mais significados ou cenas, mas principalmente tornam a mensagem maior falam mais alto. \u00c9 a import\u00e2ncia de um grande mural em que a monumentalidade cobra um papel fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Explique sua frase: &#8220;Ainda quero fazer o meu melhor, se Deus quiser.&#8221;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s 50 anos no of\u00edcio h\u00e1 um ac\u00famulo de pr\u00e1tica e conhecimento que pode resultar em uma supera\u00e7\u00e3o ao j\u00e1 feito. Na medida em que isto seja a vontade de Deus, este \u00e9 meu desejo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quando se mudou para Ibi\u00fana?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1984 escolhi residir em Ibi\u00fana comprando uma ch\u00e1cara perto da cidade. Casei com Helenice em 1994, minha companheira de vida, com quem tenho dois filhos maravilhosos que hoje est\u00e3o com 12 e 9 anos. A minha fam\u00edlia tem sido fonte de alegria e inspira\u00e7\u00e3o .<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que acha de Ibi\u00fana?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"500\" height=\"410\" src=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/A-familia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24749\" srcset=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/A-familia.jpg 500w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/A-familia-300x246.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption>Enrique Aravena, Helenice e os filhos Rodrigo Alejandro e Artur Enrique<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Um bom lugar para viver, tranquilo mesmo perto de S\u00e3o Paulo com uma natureza espl\u00eandida e gente cordial.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Onde, no Brasil e no mundo, se encontram obras suas?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Muitas obras no Estado de S\u00e3o Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia. No exterior predominantemente no M\u00e9xico e Estados Unidos m\u00e1s tamb\u00e9m no Canad\u00e1, Alemanha e Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que pensa da vida?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Penso que agora, principalmente, temos a oportunidade de repensar nossos objetivos e a nossa forma de viver quando o fruto do nosso pensamento parece n\u00e3o nos trazer paz e que a maturidade vem de objetivar essa paz como consequ\u00eancia de uma sincera introspec\u00e7\u00e3o,&nbsp; livre do entulho dos consensos que mostram sua inutilidade num mundo que certamente v\u00e1 melhorar, na medida em que cada um cuide de se melhorar individualmente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" width=\"700\" height=\"359\" src=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/o-circo.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-24751\" srcset=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/o-circo.jpg 700w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/o-circo-300x154.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><figcaption>Tr\u00edptico &#8220;O Circo&#8221;, obra vendida nos Estados Unidos<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enrique Octavio Aravena Bustos, ou Enrique Aravena como assina suas pinturas e desenhos, nasceu no sul do Chile, numa cidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24744,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.8 - 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Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lan\\u00e7ado na Bienal do Livro em S\\u00e3o Paulo no ano 2000, pela editora Madras.\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","_links":{"self":[{"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24743"}],"collection":[{"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=24743"}],"version-history":[{"count":6,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24743\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24755,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/24743\/revisions\/24755"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/24744"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=24743"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=24743"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=24743"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}