{"id":28546,"date":"2023-03-30T10:04:40","date_gmt":"2023-03-30T13:04:40","guid":{"rendered":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/?p=28546"},"modified":"2023-03-30T10:44:19","modified_gmt":"2023-03-30T13:44:19","slug":"persona-de-uma-familia-simples-em-ibiuna-ao-doutorado-nos-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/?p=28546","title":{"rendered":"PERSONA \u2013 DE UMA FAM\u00cdLIA SIMPLES EM IBI\u00daNA AO DOUTORADO NOS ESTADOS UNIDOS"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-drop-cap\">\u201cEu venho de uma fam\u00edlia simples, sou a primeira de ambos os lados do meu pai e da minha m\u00e3e a passar numa universidade p\u00fablica, fazer mestrado e doutorado.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Essa frase sintetiza a exemplar hist\u00f3ria de vida de Aline de Camargo Santos, 30. Ela nasceu em S\u00e3o Roque em abril de 1992, mas cresceu em Ibi\u00fana, onde morou at\u00e9 \u201cmeus 19 anos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, ela faz Doutorado em Fisiologia de Plantas no laborat\u00f3rio de Ecofisiologia Vegetal na Universidade da Fl\u00f3rida, nos Estados Unidos, que concluir\u00e1 em agosto deste ano. Realizou uma pesquisa que resultou na melhora da recomenda\u00e7\u00e3o de nutrientes que reduziu os custos de produ\u00e7\u00e3o por usar fertilizantes mais eficientemente no plantio de cana-de-a\u00e7\u00facar no Sul da Fl\u00f3rida.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMantenho um carinho muito grande por Ibi\u00fana\u201d, mas talvez somente volte para o Brasil depois de se aposentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Filha \u00fanica do casal Rosana Aparecida de Camargo Santos e de Juraci Ribeiro dos Santos faz uma jornada acad\u00eamica brilhante, como se ver\u00e1 a seguir, mant\u00e9m viva &nbsp;uma frase dita por sua av\u00f3, que calou profundamente em sua mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vitrine Online<\/strong> \u2013 Fale do seu estudo&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Aline Camargo Santos<\/strong> \u2013 Em Ibi\u00fana, eu estudei nas escolas municipais \u201cHora Alegre\u201d e \u201cPadre El\u00eddio Mantovani\u201d durante a pr\u00e9-escola e o ensino fundamental. Depois fui para a escola estadual \u201cProfessora Laurinda Vieira Pinto\u201d para o ensino fundamental 2 e o ensino m\u00e9dio. Tenho orgulho de dizer que sempre estudei em escolas p\u00fablicas, mas confesso que por mais que eu fosse uma aluna dedicada, sa\u00ed do ensino m\u00e9dio como muitos outros estudantes sem o conhecimento necess\u00e1rio para passar em uma universidade p\u00fablica. Tive que estudar muito durante os anos seguintes nos quais eu fazia um curso t\u00e9cnico no Instituto Federal de S\u00e3o Roque no per\u00edodo noturno, enquanto trabalhava durante o dia e estudava no Cursinho da Poli nos finais de semana. Com muito esfor\u00e7o e em m\u00e9dia 8-10 horas de estudo di\u00e1rio por 8 meses eu passei na Universidade de S\u00e3o Paulo, Escola Superior de Agricultura \u201cLuiz de Queiroz\u201d, na qual eu me formei em Engenharia Agron\u00f4mica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> \u2013 Conte como foi sua jornada at\u00e9 chegar a um PhD nos Estados Unidos?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> \u2013 Foi uma jornada muito intensa e nada f\u00e1cil. Minha av\u00f3, a Dona Dita, costumava olhar para as paredes de casa e dizer \u201cessa casa foi constru\u00edda com o nosso suor, sangue e l\u00e1grimas, se voc\u00ea olhar bem de perto voc\u00ea consegue enxergar escorrendo pelas paredes\u201d. Essa frase eu levo comigo com a minha carreira, pra chegar onde eu estou foi muito suor, sangue e l\u00e1grimas. Eu venho de uma fam\u00edlia simples, sou a primeira de ambos os lados do meu pai e da minha m\u00e3e a passar numa universidade p\u00fablica, fazer mestrado e doutorado. Meus av\u00f3s paternos eram pequenos agricultores rurais em Ibi\u00fana, mas tiveram que mudar para cidade pra conseguir algo melhor, j\u00e1 que a produ\u00e7\u00e3o rural n\u00e3o estava trazendo o p\u00e3o de cada dia. Isso me entristeceu, mas tamb\u00e9m me deixou curiosa. Como algo t\u00e3o importante quanto a produ\u00e7\u00e3o de alimentos tinha que ser t\u00e3o desafiador? Foi assim que decidi estudar agronomia.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"759\" src=\"https:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Esalq-1024x759.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-28550\" srcset=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Esalq-1024x759.png 1024w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Esalq-300x222.png 300w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Esalq-768x569.png 768w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/Esalq.png 1075w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Durante aula de qu\u00edmica, no primeiro ano da Esalq (2012)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Eu sabia desde pequena que queria algo mais da minha vida e que n\u00e3o queria depender de um relacionamento\/parceiro para conseguir o que eu quero. E isso ficou mais evidente quando passei no Instituto Federal e comecei a interagir mais com outras pessoas em condi\u00e7\u00f5es parecidas com a minha que chegaram onde eu queria chegar. Desde ent\u00e3o, apostei mais no meu potencial e tenho trabalhado intensamente para conquistar os meus sonhos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> \u2013 Como v\u00ea o papel de sua fam\u00edlia em sua trajet\u00f3ria?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> \u2013 Por mais dif\u00edcil que tem sido essa jornada, tenho que dizer que nada seria poss\u00edvel sem o apoio dos meus pais e da minha av\u00f3, desde o come\u00e7o dessa hist\u00f3ria. Eu tenho a sorte de ter eles do meu lado quando decidi sair do meu emprego de auxiliar de dentista a\u00ed na cidade para estudar para passar na USP. Meu pai desde pequena colocava livros na minha cabeceira para eu ler e expandir os meus horizontes, e eu os devorava e pedia por mais. E minha m\u00e3e sempre me falou que n\u00f3s somos feitas de ferro, e sempre me passou essa for\u00e7a de que tudo \u00e9 poss\u00edvel se voc\u00ea colocar foco e esfor\u00e7o, e por isso devemos sempre continuar seguindo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> \u2013 De qualquer forma foi uma supera\u00e7\u00e3o e tanto, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> \u2013 Na minha opini\u00e3o, passar na USP foi meu maior desafio. Digo isso porque exigiu muita dedica\u00e7\u00e3o em um tempo limitad\u00edssimo. Depois de quatro meses que tinha deixado meu emprego e estava focando nos estudos minha m\u00e3e me falou: \u201cOlha eu n\u00e3o quero te apressar, mas a gente consegue te apoiar mais alguns meses, se voc\u00ea n\u00e3o passar nessa vez voc\u00ea tem que voltar a trabalhar em algum lugar na cidade, Aline\u201d, e essa foi minha maior motiva\u00e7\u00e3o para seguir em frente &#8211; eu n\u00e3o tinha a escolha de n\u00e3o passar. Naquele tempo eu apliquei para todas as universidades p\u00fablicas, USP, Unesp, Unicamp, federais e para cotas para alunos que cursaram escola p\u00fablica a vida toda para ter certeza de que ia dar certo. No final eu passei em todas as universidades em que eu prestei e nem precisei da cota porque passei em 31\u00b0&nbsp;de 200 candidatos aceitos anualmente no curso de Engenharia Agron\u00f4mica pela USP, a que acabei escolhendo pelo reconhecimento do curso.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO <\/strong>\u2013 Voc\u00ea teve que desbravar um caminho&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> \u2013 Uma vez que eu estava na USP as oportunidades de est\u00e1gio e programas de interc\u00e2mbio se abriram e tudo come\u00e7ou a fazer ainda mais sentido para mim. Durante minha gradua\u00e7\u00e3o, que foi de 2012 a 2016, sempre trabalhei em est\u00e1gios para ajudar com as contas mensais, j\u00e1 que tive que mudar para Piracicaba e os nossos gastos aumentaram consideravelmente. Eu tamb\u00e9m fazia algumas tarefas na casa da minha av\u00f3 e ela tamb\u00e9m me ajudou financeiramente. Foi dif\u00edcil pra gente fechar todas as contas do m\u00eas naquele per\u00edodo, mas trabalhando como um time, passamos pelo que tinha que passar e hoje vemos que valeu a pena.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"578\" src=\"https:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/com-a-avo-novo-1024x578.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-28558\" srcset=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/com-a-avo-novo-1024x578.png 1024w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/com-a-avo-novo-300x169.png 300w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/com-a-avo-novo-768x434.png 768w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/com-a-avo-novo.png 1071w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>&#8220;Eu e minha av\u00f3 querida. Acredito que na \u00faltima vez que nos vimos em pessoa (2018)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> \u2013 Voc\u00ea fez descobertas importantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> \u2013 Na Esalq, eu trabalhei em diversos projetos fundados pelo CNPq e Fapesp nos estados de S\u00e3o Paulo, Santa Catarina, Paran\u00e1, Bahia e Mato Grosso com manejo nutricional de solos \u00e1cidos e naturalmente inf\u00e9rteis, tema relevante em v\u00e1rias partes do Brasil e do mundo. Eu trabalhei com as culturas da cana-de-a\u00e7\u00facar, algod\u00e3o e soja. Ali eu comecei a ver como a pesquisa \u00e9 importante pra ajudar o produtor rural, e talvez se meus av\u00f3s e outros pequenos produtores tivessem acesso ao trabalho cient\u00edfico desenvolvido em universidades, talvez eles teriam tido mais sucesso com a produ\u00e7\u00e3o rural.<\/p>\n\n\n\n<p>Trabalhar em diversas partes do Brasil abriu as portas para o meu pr\u00f3ximo objetivo que era estudar fora do pa\u00eds. Nos pr\u00f3ximos anos eu me dediquei a estudar ingl\u00eas e apliquei para um programa de interc\u00e2mbio para trabalhar com manejo nutricional de cana-de-a\u00e7\u00facar produzida na Fl\u00f3rida. Dentre 3 alunos competindo por 1 vaga, eu fui selecionada para trabalhar na Universidade da Fl\u00f3rida e na US Sugar Corporation.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO <\/strong>\u2013 Foi a\u00ed que voc\u00ea tomou uma importante decis\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> \u2013 Nesse interc\u00e2mbio eu trabalhei diretamente com produtores, agr\u00f4nomos da ind\u00fastria e pesquisadores da universidade uma vez mais conduzindo experimentos para melhorar o manejo nutricional de plantas com o objetivo de tornar o processo produtivo mais sustent\u00e1vel. Nesse momento eu decidi de vez que a carreira que eu aspiro \u00e9 como pesquisadora, conduzindo projetos de pesquisa que tem o potencial de ajudar o produtor rural e aumentar a efici\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias de hoje, para ser uma pesquisadora ter um mestrado e um doutorado \u00e9 um requisito m\u00ednimo. Ent\u00e3o uma vez mais me dediquei para trabalhar no interc\u00e2mbio durante o dia e estudar \u00e0 noite para aplicar para o programa de mestrado em Agronomia pela Universidade da Fl\u00f3rida. Com muito esfor\u00e7o e disciplina passei nas provas necess\u00e1rias para ser admitida e consegui uma bolsa de estudos para o mestrado fundado pela associa\u00e7\u00e3o de produtores que eu trabalhei durante o interc\u00e2mbio. Embora o projeto de mestrado exigisse muita dedica\u00e7\u00e3o, condi\u00e7\u00f5es de campo desafiadoras e intenso trabalho de laborat\u00f3rio, os resultados de nossa pesquisa melhoraram as recomenda\u00e7\u00f5es do fertilizante para os produtores de cana-de-a\u00e7\u00facar do Sul da Fl\u00f3rida, tornando o processo mais eficiente e resultando em menos gastos para o produtor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"767\" src=\"https:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/coletando-amostras-1024x767.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-28555\" srcset=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/coletando-amostras-1024x767.png 1024w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/coletando-amostras-300x225.png 300w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/coletando-amostras-768x575.png 768w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/coletando-amostras-320x240.png 320w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/coletando-amostras.png 1075w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Coletando dados para o mestrado na regi\u00e3o dos Everglades na Fl\u00f3rida (2018)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> \u2013 Esse fato merece uma comemora\u00e7\u00e3o&#8230; imagino como se sentiu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> \u2013 Ver o impacto da minha pesquisa s\u00f3 tem alimentado a minha motiva\u00e7\u00e3o para continuar seguindo, e a pr\u00f3xima fase foi de continuar meus estudos e aplicar para um projeto de doutorado com uma professora com a qual eu trabalhei durante o mestrado. Tudo isso me trouxe aqui, como estudante de terceiro ano do doutorado trabalhando no desenvolvimento de estrat\u00e9gias para melhorar a resili\u00eancia das culturas ao estresse h\u00eddrico, na fase final do projeto e com gradua\u00e7\u00e3o esperada para julho de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> &#8211; Que curso est\u00e1 fazendo?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> \u2013 Doutorado em Fisiologia de Plantas no laborat\u00f3rio de Ecofisiologia Vegetal na Universidade da Fl\u00f3rida. Eu trabalho com a cultura do amendoim e estamos testando estrat\u00e9gias para melhorar a aclimata\u00e7\u00e3o das plantas ao estresse h\u00eddrico, um grande problema no mundo inteiro, cada vez mais vemos aumento da incid\u00eancia de secas e redu\u00e7\u00e3o de \u00e1gua dispon\u00edvel para a agricultura. Estamos trabalhando na fisiologia da planta para melhorar os mecanismos de defesa contra estresse h\u00eddrico e torn\u00e1-las mais resistentes e tolerantes ao estresse. Com mudan\u00e7a clim\u00e1tica, \u00e1rea para a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e disponibilidade de \u00e1gua diminuindo ao passo que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 crescendo exponencialmente, o objetivo da minha pesquisa \u00e9 produzir mais com menos, no caso utilizando menos recursos, mas aumentando a produtividade e a produ\u00e7\u00e3o de alimentos por \u00e1rea. O projeto que estou trabalhando agora \u00e9 uma tentativa de preparar as plantas para o estresse h\u00eddrico antes do estresse acontecer. Uma poss\u00edvel analogia seria como se a gente estivesse aplicando uma vacina nas plantas, no caso aplicamos pequenas doses de estresse h\u00eddrico (como nas vacinas que cont\u00e9m pequenas doses do v\u00edrus, aqui aplicamos pequenas doses de estresse imitando uma seca) no come\u00e7o da safra para preparar as plantas para o resto da safra. Essa estrat\u00e9gia tem mostrado potencial de reduzir a quantidade de irriga\u00e7\u00e3o ao passo que aumenta a toler\u00e2ncia ao estresse. Ainda tem muito que ser estudado, mas acreditamos que teremos resultados bem interessantes.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> \u2013 Qual o nome e a localiza\u00e7\u00e3o de sua universidade?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> &#8211; Universidade da Fl\u00f3rida, localizada em Homestead &#8211; sul da Fl\u00f3rida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> &#8211; Que lembran\u00e7as voc\u00ea tem de Ibi\u00fana em sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> \u2013 Durante a minha inf\u00e2ncia, minha av\u00f3 costumava levar eu e um de meus primos para passar parte das f\u00e9rias da escola no s\u00edtio de alguns familiares na Vargem do Salto, onde nossas maiores divers\u00f5es eram ca\u00e7ar vagalumes, subir em \u00e1rvores para colher frutas, andar de bicicleta, ou ir \u00e0s cachoeiras e na represa da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu tamb\u00e9m tenho lembran\u00e7as boas brincando com as crian\u00e7as da vizinhan\u00e7a na nossa casa. Como eu morei a maior parte da minha inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia no centro (na frente da Cetril) minha casa era o ponto de encontro depois da escola, de onde \u00edamos para a pra\u00e7a tomar um sorvete, ou no centro tomar um milkshake.<\/p>\n\n\n\n<p>Ibi\u00fana por ser uma cidade pequena n\u00e3o tem muita festa pra ir, mas ainda tenho mem\u00f3rias \u00f3timas das festas do anivers\u00e1rio da cidade ou das festas de maio, n\u00e3o perdia uma!<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o falei antes muito do meu av\u00f4, conhecido na cidade como Gumercindo Gaiola, porque ele faleceu j\u00e1 tem um tempo, mas tenho mem\u00f3rias muito felizes dele indo me buscar na escola na garupa de sua bicicleta, ou quando ele tinha um s\u00edtio na Vargem do Salto e eu o visitava quase todos os fins de semana. O v\u00f4 tinha um galo que cantava quando ele batia palma, e sempre me dava ovos e verduras frescos para trazer de volta pra cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> &#8211; H\u00e1 quanto tempo est\u00e1 fora do Pa\u00eds?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> &#8211; Desde 2016.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> &#8211; Tem colega e amigos de Ibi\u00fana ou do Brasil na sua escola atual?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> &#8211; Eu tenho muitos amigos do Brasil aqui na Fl\u00f3rida. Conhe\u00e7o gente de S\u00e3o Paulo e regi\u00e3o, Piracicaba, Botucatu, tenho amigos de Minas Gerais, Rio de Janeiro, e de v\u00e1rias partes do Nordeste, mas de Ibi\u00fana ainda n\u00e3o encontrei infelizmente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> &#8211; O que voc\u00ea diria para seus conterr\u00e2neos sobre fazer estudo fora do Brasil?<\/p>\n\n\n\n<p>ACS \u2013 Ent\u00e3o, a adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo diferente para cada um, mas para mim foi um pouco complicado em quest\u00e3o da comida que pode ser muito diferente, costumes, se acostumar com a l\u00edngua e outras culturas. Tem que ter a cabe\u00e7a aberta e de come\u00e7o tem que se esfor\u00e7ar bastante para aprender o m\u00e1ximo poss\u00edvel e melhorar a pron\u00fancia das palavras e aumentar o vocabul\u00e1rio. No come\u00e7o \u00e9 dif\u00edcil entender outras culturas ou mesmo se comunicar claramente porque as regras lingu\u00edsticas s\u00e3o bem diferentes, mas com pr\u00e1tica se acostuma e hoje em dia depois de seis anos aqui nem sinto a diferen\u00e7a entre falar em portugu\u00eas ou ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> \u2013 \u00c0s vezes bate uma saudade, n\u00e9?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> &#8211; Uma vez que a l\u00edngua est\u00e1 sendo praticada com os nativos, \u00e9 bom tamb\u00e9m manter uma rede de amigas\/amigos brasileiros ou pelo menos encontrar as comunidades latinas quando se est\u00e1 fora do pa\u00eds para n\u00e3o sofrer tanto com a saudade. \u00c9 dif\u00edcil achar um povo com a energia do brasileiro, e ter amigos para dividir experi\u00eancias, falar das comidas que sente falta, ou mesmo s\u00f3 para falar portugu\u00eas de vez em quando \u00e9 essencial. Eu tenho sorte de morar na Fl\u00f3rida, lugar onde se t\u00eam muitos brasileiros, e at\u00e9 temos um Festival Brasileiro todo outubro, sempre vou para ver bandas e comer comidas brasileiras e falar portugu\u00eas com o pessoal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> &#8211; Quando terminar o curso voltar\u00e1 para o Brasil?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> &#8211; Por enquanto n\u00e3o tenho planos de voltar para o Brasil, talvez quando eu aposentar. Claro todo ano eu volto para c\u00e1 para passar um m\u00eas, mas acredito que tenho mais op\u00e7\u00f5es para o tipo de carreira \u00e0 que eu aspiro aqui nos Estados Unidos, ou mesmo em alguma universidade na Europa. O meu plano \u00e9 tentar trabalhar em colabora\u00e7\u00e3o com professores na minha gloriosa Esalq assim que eu terminar o doutorado e conseguir um emprego como pesquisadora aqui, pra manter a conex\u00e3o com o Brasil. Tamb\u00e9m penso no futuro em criar um instituto sem fins lucrativos para ajudar jovens com a mesma paix\u00e3o que eu tenho por conhecimento de ter a chance a melhores oportunidades e estudo de qualidade no Brasil, mas por enquanto esse projeto \u00e9 s\u00f3 uma ideia que precisa ser trabalhada nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> &#8211; Como tem sido suas rela\u00e7\u00f5es com os familiares que aqui est\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>ACS<\/strong> &#8211; Eu me comunico quase que todos os dias com meus pais e com alguns bons amigos que deixei em Ibi\u00fana e regi\u00e3o. Depois de todo esfor\u00e7o que meus pais me dedicaram, agora sempre no que posso eu tento retornar a eles. J\u00e1 vejo retorno de todo esse esfor\u00e7o quando pude traz\u00ea-los para Fl\u00f3rida na minha gradua\u00e7\u00e3o do mestrado e pudemos passear bastante por Orlando, Miami e em Gainesville, na cidade da universidade, e vou traz\u00ea-los novamente ano que vem para a gradua\u00e7\u00e3o do doutorado quando vamos conhecer novos lugares, quem sabe at\u00e9 Nova York.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>VO<\/strong> \u2013 Quando enviamos o texto para revis\u00e3o final, Aline nos deu a seguinte informa\u00e7\u00e3o: ela conheceu um novaiorquino que viveu na Fl\u00f3rida \u201ca vida toda\u201d. Ambos ficaram noivos no Brasil [em Ibi\u00fana], est\u00e3o juntos h\u00e1 quatro anos, e se casar\u00e3o aqui. \u201cUni minha carreira e fam\u00edlia.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"980\" src=\"https:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/familia-1024x980.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-28561\" srcset=\"http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/familia-1024x980.png 1024w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/familia-300x287.png 300w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/familia-768x735.png 768w, http:\/\/revistavitrineibiuna.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/familia.png 1071w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>&#8220;Eu e meus pais na minha gradua\u00e7\u00e3o do mestrado em Gainesville na Fl\u00f3rida (2019)<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu venho de uma fam\u00edlia simples, sou a primeira de ambos os lados do meu pai e da minha m\u00e3e<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":28547,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v15.8 - 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