É CRÍTICA A SITUAÇÃO DA REPRESA ITUPARARANGA

A situação da represa Itupararanga chega a níveis críticos tanto pelo baixo e preocupante volume das águas quanto pela qualidade, com prováveis impactos diretos no abastecimento para mais de 1 milhão de pessoas, possível mortandade de peixes e no meio ambiente. 64% da represa situa-se no território de Ibiúna.

A SOS Itupararanga ONG criada em 2000 com o objetivo de promover a preservação do meio ambiente e auxiliar no processo de desenvolvimento sustentável da região, distribuiu a nota que reproduzimos abaixo na íntegra tendo em vista a gravidade do que se descortina em relação ao futuro de toda a região.

“Na última 6ª feira (16/07), a SOS Itupararanga participou de uma reunião convocada pela Votorantim Energia para que empresa apresentasse informações atualizadas sobre a situação do reservatório de Itupararanga. Esse encontro, que já aconteceu com o SAAE/Sorocaba, a CETESB, o DAEE, faz parte de uma agenda que a Votorantim vem cumprindo com os principais envolvidos na gestão da represa, e segundo a empresa, nossa ONG integra esta rede.  Para os próximos dias, está programada esta apresentação para o Comitê de Bacia.

Neste momento em que se vivencia a crise hídrica mais grave dos últimos 91 anos, com chuvas muito abaixo das médias históricas, a equipe da Votorantim Energia informou que está operando a usina desde dezembro de 2020 com apenas 1 das 4 turbinas, utilizando a vazão autorizada de 6m³/s.

Informou que as últimas amostragens têm demonstrado uma evolução na queda da qualidade da água tendo como referência os parâmetros analisados pela CETESB. Este fator implicará em impactos diretos no abastecimento público e ao meio ambiente, podendo ocorrer mortandade de peixes.

Atualmente, a represa está com cerca de 33 % do seu volume, na cota 819,4m. O nível mínimo operacional, desde 2001, refere-se à cota 817m, mas a empresa informou que consegue manter as vazões de 6m³/s (geração de energia) mais 2,15m³/s (para o abastecimento de Sorocaba) mesmo que o reservatório tenha sua cota rebaixada para 807,5m.

O balanço hídrico tem demonstrado que a vazão de água que entra na represa está muito abaixo da vazão defluente (que sai). Em junho, foi registrada a entrada de 4,2 m³/s, enquanto a saída dos 8,15m³/s se mantêm constante.

Segundo os estudos recentes contratados pela Votorantim para simular cenários futuros, caso chova 40% da média histórica de chuvas para este mês, em setembro o reservatório atingirá seu nível mínimo de 817,5m.

Questionada pela ONG sobre porque empresa mais uma vez não reduziu antes a vazão para que não se chegasse à situação atual, a empresa esclareceu que trabalha com estimativas, séries históricas e médias de chuvas, e por esta razão manteve o procedimento padrão de rebaixar o nível do reservatório antes da chegada do período das chuvas.

Também questionada sobre a possibilidade de reduzir imediatamente a vazão do reservatório, a Votorantim esclareceu que atende aos órgãos reguladores, e que a redução da vazão deve ser tratada no âmbito do Comitê de Bacia, uma vez que esta gestão envolve uma visão integrada e sistêmica da bacia hidrográfica do Rio Sorocaba. O rio Sorocaba também abastece outras cidades a jusante da barragem.

A participação do Comitê de Bacia e do Conselho Gestor da APA de Itupararanga nestas discussões será fundamental.

MEDIDAS URGENTES

No dia 29 de junho, a SOS Itupararanga encaminhou ao GAEMA / Sorocaba uma petição solicitando medidas urgentes que poderão definir o futuro do reservatório de Itupararanga.”

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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