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ITUPARARANGA VIVA (PARTE II) – NASCE UM MOVIMENTO PARA SALVAR A REPRESA

A represa Itupararanga é um dos maiores recursos hídricos da Bacia Hidrográfica dos Rios Sorocaba e Médio Tietê. A maior parte de sua extensão líquida (61,91%) se localiza no município de Ibiúna. Sua relevância como fonte de abastecimento de água para a população de Sorocaba e Votorantim, assim como o papel que representa do ponto de vista ambiental, atração turística e de lazer, e como fonte para produção de energia elétrica pela Votorantim Energia ainda é desconhecida da maior parte da população.

Durante o 2º Seminário Regional do Meio Ambiente realizado em Ibiúna no dia 1º de dezembro de 2017, vitrine online gravou entrevista com o Prof. Dr. André Cordeiro, biólogo e professor da Universidade Federal de São Carlos – Ufscar, campus Sorocaba. Ele é um profundo conhecedor da realidade biológica da represa Itupararanga e fez um raio-X preocupante sobre seu futuro. Em resumo, se a poluição de suas águas, sobretudo de esgoto in natura, que recebe dos municípios de Vargem Grande Paulista, Caucaia (Cotia), São Roque e dos rios ibiunenses não for contida, em menos de vinte anos poderá se tornar um pântano, cujas águas não poderão ser utilizadas para abastecimento, assim como atração turística, pesca, e mesmo para navegação, pois estará sufocada por plantas aquáticas, como o aguapé.

No início de janeiro de 2018, vitrine online divulgou uma série de matérias com base no depoimento obtido do professor André. Na sequência, encaminhou uma cópia impressa para o prefeito Dr. João Mello e a todos os vereadores de Ibiúna, a fim de que tomassem conhecimento das importantes revelações técnicas e científicas apresentadas na revista e as utilizassem como referências para suas atuações na gestão dos fatos relativos a questões ambientais ligadas à proteção da represa, que é referida também como reservatório.

Em maio, por indicação de seu sogro, o arquiteto José Luiz Fleury de Oliveira, o engenheiro florestal Ciro Croce ligou para o editor da revista vitrine online, jornalista Carlos Rossini, convidando-o para um contato pessoal em sua casa, no Condomínio Mirim Açu, antecipando que queria conversar sobre a Itupararanga, pois estava preocupado com a situação da represa. O encontro se realizou logo em seguida, sendo que o jornalista preparou uma cópia de todo o material publicado e o entregou. No dia 12 de junho, enviou mensagem pelo zapp anunciando que tinha feito diversos contatos e que a reunião estava marcada para o dia 21 de julho, como de fato ocorreu em uma sala de reuniões do Condomínio Mirim Açu. Esse encontro durou cerca de três horas. O Dr. André fez uma exposição que, em suma, mostrando ter havido uma piora nas condições biológicas das águas da Itupararanga e o grupo realizou uma troca de ideias, a fim de definir uma agenda de ações de curto, médio e longo prazos em defesa da represa.

Nesse dia, foi criado o Movimento da Sociedade para Proteção da Represa Itupararanga [esta denominação foi inspirada  na entrevista com o engenheiro Ciro Croce], que tomou a iniciativa de torná-lo realidade.  Eis a lista dos participantes [tirada da folha de presença na entrada da sala]: Ciro Croce, Rodrigo Rudge, Regina Rudge, Patrícia Moreira, Elson Rodrigues, Cassio Dreifuss, Maurício Medeiros, Carlos Rossini (vitrine online), Viviane de Oliveira, diretora-executiva da SOS Itupararanga, José Luiz Fleury de Oliveira (Sítio Três Marias), Laura Croce, João Rodarte, presidente da SOS Itupararanga, Waldenir Gomes, gestor da APA – Área de Proteção Ambiental Itupararanga, Nellie Solitrenick, Alberto Vallada (Península), Marcelo Zambardino, presidente do Conselho Municipal de Segurança de Ibiúna – Conseg, Marta Croce, Sérgio Oxer, Rafael Person e Daniela Tourinho.

A próxima reunião do Movimento deverá ser realizada em setembro, ocasião em que será consolidada uma linha de ações específicas, especialmente dirigidas ao Poder Executivo Municipal de Ibiúna, Sabesp e Votorantim Energia, além de outras entidades governamentais relacionadas aos assuntos do meio ambiente.

ORIGEM DO MOVIMENTO

No último sábado, depois de finalizada a reunião, vitrine online entrevistou Ciro Croce. “Esse movimento nasceu com meu retorno a frequentar Ibiúna e ao Mirim Açu [onde a família tem casa há cerca de cinquenta anos]. Tive um grande prazer, através do meu sogro, o Fleury, quando ele sugeriu que o [jornalista] procurasse para falar sobre o assunto. E quando soube da sua existência e da sua preocupação com a represa, eu como uma pessoa que trabalha com o meio ambiente, falei bom taí a oportunidade, pois posso possivelmente auxiliar com a melhoria, porque realmente eu andei na represa nesses dias e fiquei bastante preocupado com a poluição que nela está ocorrendo e também na vazão excessiva das cotas que nós temos.”

“Te procurei e fiquei tocado com todo o seu trabalho. Você inclusive imprimiu e me passou esse material que li atentamente. Liguei pro professor André e percebi a importância daquilo que você trouxe para nós e que você vem mobilizando há muito tempo. Então, falei, bom eu vou tentar mobilizar a população para que as matérias do Carlos e o trabalho do Dr. André tenham um resultado efetivo. Daí dar a importância a esse trabalho. Então eu comecei a procurar as pessoas, fui até o Clara Ibiúna Res0rt, fui até a prefeitura, fui até a SOS Itupararanga e comecei a ligar para todos os condomínios para que pudessem vir participar e começar essa discussão.

“Eu diria que isso nasceu graças à revista vitrine e isso também me estimulou a tentar apoiar o trabalho da SOS Itupararanga para que nós não venhamos a perder essa represa ou ter o próprio ecossistema destruído por uma falta de apoio ao trabalho efetivo através do qual a revista vem tentando fazer e que eu gostaria de ajudá-lo.”

“Esse Movimento pertence a toda a sociedade que frequenta a represa de Itupararanga, todas as pessoas que utilizam a represa, incluindo as que são abastecidas por suas águas, as que se preocupam com as questões turística e ecológica e reconhecem sua importância. Eu diria que os principais interessados desse Movimento são os condomínios que estão no entorno e o próprio Clara Ibiúna Resort que está investindo na área, as pessoas que a procuram para contemplar sua beleza ou viver momentos de lazer em fins de semana. É preciso entender que não faz sentido investir um dinheirão para ter uma bela chácara, uma bela propriedade na beira da represa, se daqui a pouco perceber que ela virou um pântano.

No final da entrevista, Ciro Croce disse ter gostado muito da reunião, mas “sentido falta da presença do Veleiros, do Porto de Ibiúna [dois grandes condomínios situados na margem da represa], porque acho que eles têm de estar presentes. Mas ver quem mais a gente pode estar chamando para agregar ao grupo e buscar todas as pessoas que têm interesse direto pela represa, de respirar esse ar, contemplar, usufruir, para poder integrar esse movimento de preservação dessa represa que é fundamental para nós aqui da região”. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

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