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Apesar das dificuldades, “Hospital de Ibiúna funciona normalmente”, diz secretário da Saúde

Em meio a boatos de que o Hospital de Ibiúna estaria fechado, o secretário municipal da Saúde, Renato Henrique Soares Nogueira, afirmou à vitrine online, neste sábado, que “tanto o hospital quanto a maternidade prosseguem funcionando normalmente, com clínicos gerais, pediatras, ginecologista-obstetra, ortopedista, e que dentro do hospital não faltam medicamentos, especialmente na área de emergência”.


Renato, que assumiu o cargo há pouco mais de quatro meses, esclareceu que “muitas vezes, as pessoas deixam de nos procurar porque ouvem dizer – ‘de pessoas, até mesmo do próprio setor da saúde, informações irresponsáveis’ – que o Pronto Socorro está fechado, que os funcionários estão em greve ou não tem medicamento.”
No entanto o secretário admite que “houve uma significativa queda no padrão do atendimento que a população estava acostumada a ser atendida nos últimos dois anos”, por falta de recursos financeiros para cobrir os custos mensais em torno de R$ 2,5 milhões.
A situação de insolvência da prefeitura, que provoca atrasos de pagamentos de funcionários e fornecedores, fez com que o serviço preventivo prestado na rede básica (postos de saúde) fosse reduzido dramaticamente. Em vez de atendimento diário, agora há cumprimento de escalas de dois dias por semana, apenas com clínicos gerais, pediatras e um ginecologista-obstetra. Outras especialidades tiveram atendimento extinto.
“Esse fato fez com que naturalmente houvesse aumento de procura pelo hospital e o tempo de espera por atendimento aumentou”, explicou o secretário.

hhh                                            Renato: nossa equipe está compromissada.

Pelo menos nove médicos deixaram de prestar serviços ao sistema de saúde municipal recentemente e este ano não voltarão a atender porque em fim da gestão seus contratos não serão renovados. Seus salários também estão atrasados. Pelo menos um deles apresentou denúncia apontando irregularidades no funcionamento do hospital junto ao Conselho Regional de Medicina – CRM, que já esteve no hospital e deverá elaborar um relatório da vistoria feita para fundamentar as decisões do Conselho.
Um vereador recém-eleito, Carlos Marques Júnior (PT), disse à vitrine online, que “chega a ser desumana a situação de transporte de pacientes que precisam fazer exames e tratamentos em outras cidades”, com Sorocaba e São Paulo. Têm de levantar de madrugada e só voltam no fim do dia, muitas vezes sem terem se alimentado, pois se trata de pessoas sem recursos.
O Hospital Municipal também deixou de fazer cirurgias de rotina em adultos, crianças e mulheres (intervenções ginecológicas), tendo sua atuação restrita a casos eletivos e, no presente momento, funciona sem diretor-clínico, como é exigido pelo CRM [deverá ser eleito nos próximos dez dias, informou o secretário].
Ainda de acordo com Renato, dez médicos dão atendimento diário no hospital e maternidade: dois pediatras, um ginecologista-obstetra (eram dois antes), três clínicos e um anestesista. As especialidades são atendidas no Posto Central na Av. São Sebastião.
Em relação à alimentação, que foi enaltecida logo após a inauguração do hospital no dia 22 de março de 2012, os comentários que circulam na cidade é que a cozinha agora está servindo apenas arroz e feijão aos internados.
Neste sábado: o cardápio de aspecto visual simples incluía arroz, feijão, salsicha, picado de carne, sopa e couve refogada. Mas o pessoal da cozinha disse que em certo período houve repetição vários dias de salsicha com arroz e feijão.
Outro fato negativo, noticiado pela imprensa é constrangedor: no dia 12 de setembro, por falta de pagamento, a empresa contratada para realizar os serviços de lavanderia do hospital mandou retirar os lençóis, fronhas e cobertores de sua propriedade, e de boa qualidade, de todos os leitos. O jornal Bom Dia informou na ocasião que os pacientes ficaram descobertos até que o hospital providenciasse novas roupas de cama, que por já terem sido usadas se apresentam em condições muito inferiores ao que era oferecido pela empresa.
Apesar dessas dificuldades, Renato assinala que toda a equipe de médicos e auxiliares está “comprometida em cumprir suas funções com empenho pessoal e assegurar bom atendimento”.
“Nosso hospital está bem melhor do que muitos hospitais por aí. Nossos médicos são competentes e alguns são os mesmos que atendem na Unimed de São Roque. Venham ao hospital com tranquilidade e confiança Caso haja algum problema, estou pessoalmente à disposição no gabinete da Prefeitura ou no hospital das 8 às 18 horas.”
A pedido da vitrine online, o secretário forneceu dois números de telefone de apoio à população: (15) 9620-2208 (enfermeira Sueli) e (15) 9604-9828 (Carlos). Ambos estão prontos para encontrar soluções ou mobilizar o secretário dia e noite.

Olhar do repórter

O autor desta reportagem acompanhou a festa inaugural do Hospital Municipal e Maternidade de Ibiúna na noite do dia 22 de março de 2012. Foi um grande acontecimento na Praça da Matriz com transmissão direta do hospital que projetava imagens colhidas no interior do prédio. Essa ideia foi justificada: era para “não perturbar os pacientes”.
Menos de um nove meses depois, percorri novamente as instalações do hospital e fiquei com a impressão, vendo as camas, os colchões, travesseiros e lençóis surrados, que algo potencialmente substancial se perdeu, de impulso sem suporte, de um sonho que se dispersou na névoa do caminho, como o badalado ônibus odontológico e pediátrico que parou de funcionar.
Vi num quarto um filho ao lado do pai na cama. “Ele está muito doente”, disse o rapaz. Seu tom de voz lamentoso e seu semblante triste despertaram em mim o sentimento de que, talvez, as dificuldades materiais que complicam  a vida do hospital, também possam estar prejudicando a qualidade das relações humanas, que incluem o acolhimento solidário, a atenção vívida e manifestação de carinho, que são atitudes indispensáveis em ambientes hospitalares. Todas as obras , como o hospital, trazem, desde o início até seu destino, a marca do seu empreendedor. Já que não foi desta vez, quem sabe o novo governo possa, de modo humilde, respeitando e ouvindo mais o povo, efetivamente solucionar esse vergonhoso e persistente problema.  (C.R.)

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