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ANÁLISE POLÍTICA – JOÃO MELLO TEM ONZE MESES PARA CONVENCER OS ELEITORES DE QUE MERECERÁ A REELEIÇÃO

O prefeito de Ibiúna, Dr. João Mello, tem, a partir de agora, onze meses para convencer a população ibiunense de que merecerá ser reeleito em 4 de outubro de 2020. Ele já anunciou sua intenção de concorrer ao cargo.

Com 3/4 do seu mandato transcorridos, protagonizou uma gestão que oxidou sua imagem de administrador público, como é fácil observar pelas críticas ácidas que lhe são dirigidas com frequência nas redes sociais.

Jamais um político na chefia do Executivo ibiunense foi alvo de ataques tão virulentos quanto ele, por meio de palavras e imagens ofensivas persistentes.

Ele, assim como o coronel Darcy Pereira Leite – que governou Ibiúna por poucos meses e morreu de um ataque fulminante no miocárdio no dia 12 de junho de 2009, quando se encontrava em seu gabinete – foi eleito por ser personagem de uma esperança popular de que iria mudar a história da política ibiunense.

Um dos motes [argumentos] de sua campanha parece ter calado fundo nas mentes dos munícipes: “Eu quero mudar Ibiúna para que as pessoas tenham uma vida melhor.” Outro era, talvez ainda mais incisivo, já que se tratava das palavras de um médico: “Quero cuidar das pessoas.”

Uma terceiro argumento terá contribuído decisivamente para sua eleição, quando foi ainda mais específico: “Cuidar das pessoas no hospital, nos bairros, melhorar o transporte delas, melhorar o acesso aos serviços que a Prefeitura é obrigada a prover… A gente sabe como fazer e a gente vai fazer. Eu preciso do apoio de cada um para fazer essa mudança.” E os eleitores, de fato, lhes deram esse apoio com exatos 11.463 votos, seguido por Paulinho Sasaki, 8.772; Professor Eduardo Anselmo, 5.111; e Carlinhos Marques, 4.117 – os mais votados entre oito candidatos. Os votos atribuídos a Fábio Bello não foram validados porque ele estava sob júdice por sua candidatura ter sido indeferida pelo juiz eleitoral de Ibiúna. Bello entrou com recurso na Justiça Eleitoral que se encontrava em andamento e não foi julgado até a data da realização do pleito.

Se houver uma composição política entre Sasaki e o Prof. Eduardo, por exemplo, mesmo considerando a somatória vegetativa [sem crescimento] dos votos obtidos por de ambos em 2016, suas chances de vitória seriam consideráveis, mas também precisaria se saber para onde vai pender o capital eleitoral de Carlinhos Marques que ainda não terá tomado uma decisão, mas que já foi sondado. Tudo isso ainda é pura conjectura, mas já se perceberam sinais quanto à possibilidade de unirem força para conquistar o Poder Executivo.

É preciso saber ainda quantos serão os candidatos. A eleição de 2016 foram atribuídos aos candidatos 32.828 votos, excluindo aqueles que se destinaram a Fábio Bello. O colégio eleitoral de Ibiúna conta hoje (28) 61.102 eleitores.

Mello tem demonstrado que se sente incompreendido por larga faixa da população. Já chegou a dizer que “trabalha como um camelo” e que não sabem reconhecer seu esforço para colocar a administração ibiunense “em ordem”, pois teria recebido a chave da Prefeitura com uma dívida descomunal, inúmeras irregularidades, entre as quais dezenas de obras inacabadas pelo seu antecessor.

Esse diagnóstico, na verdade, revela um problema recorrente na sequência de gestões incapazes de realizar um bom governo e administrar uma prefeitura de modo exemplar.

Mello tem o direito legal de concorrer à reeleição, mas terá que realizar um “milagre” ou instaurar um processo de tomada de decisões de um gênio político, pouco visto, na história da política municipal em todo o País. Recuperar rapidamente sua credibilidade será um dos seus maiores desafios.

Nesse período, precisará rever suas condutas com humildade explícita e realizar mudanças transparentes em todos os setores de sua administração considerados ineficientes ou ineficazes, como é o caso do setor da saúde pública e a gritante precariedade do atendimento no Hospital Municipal.

Fábio Bello, por razões que somente uma abrangente e científica interpretação da cultura da população poderia esclarecer, conseguiu ser eleito três vezes, façanha inédita por essas bandas. Mas, estaria legalmente impedido de se candidatar tendo em vista suas condenações por improbidades administrativas, que resultaram num bloqueio dos seus bens de R$ 38 milhões. Seus aliados, no entanto, aguardam o tempo passar, orientados pelo “chefe”, e trabalham sua candidatura discretamente e esperançosos.

Três pré-candidatos já promoveram reuniões partidárias festivas para se lançarem à disputa para o cargo de prefeito. Os advogados Renan Godinho (Podemos) e Mário Pires de Oliveira Filho (Avante) e o vereador Charles Guimarães (PSL).

Com exceção de Guimarães, crítico acrimonioso do atual prefeito, os demais mantém uma posição estratégica de discrição, aguardando o momento oportuno para entrar na arena da UFC política.

Outros prováveis pré-candidatos estão à espera do tempo passar, a fim de evitar desgastes políticos “fora de hora”.

Mas, não se iludam, seus aliados estão trabalhando nos bastidores para se prepararem para a hora do combate que se revelará em plenitude quando, a partir da segunda quinzena de agosto de 2020, terá início a campanha liberada pela Justiça Eleitoral. Aparentemente, estão juntando “roupa suja” que será evocada em prováveis debates públicos, com transmissão direta pela TV.

É previsível que Mello será o alvo preferencial de ataques dos seus adversários, que estão colecionando coringas para pôr na mesa, quando se defrontarão em debates abertos ao público. Aí terá que contar com uma estrutura de pensamento ou psicológica e fazer uso de um arsenal retórico capaz de convencer, não seus opositores, mas os eleitores, a partir de realizações concretas do seu governo nesse período que lhe resta.

Não se tem conhecimento publicamente do prestígio individual de cada candidato, como, por exemplo, a preferência dos eleitores ou os índices de rejeição, dois termômetros decisivos, pois todos a têm. Os resultados das pesquisas patrocinadas pelos partidos políticos ou por empresários amigos são mantidos em segredo.

Pode suceder que algum candidato jogue a toalha, por considerar mínimas suas chances. Mas isso é mera especulação deste escrevinhador porque alguns se lançam visando avaliar seu prestígio ou atrair atenções para si.

Como temos insistido em vitrine online, a maior das esperanças é que o povo realize um voto livre e consciente, mas isso depende naturalmente das qualificações pessoais efetivas dos futuros candidatos. Uma coisa é a campanha e o que nelas se promete, se oferece, outra é a prática do poder no exercício do cargo.

PODER LEGISLATIVO

Os vereadores também, dos aparentes pontos de vista dos munícipes, contam, tirante raras exceções, com suas imagens negativas e sendo alvos de críticas persistentes, sobretudo pelas decisões e posturas que são verificadas na Câmara Municipal, muitas das quais vão de encontro às expectativas e anseios da população. Como a base aliada ao prefeito é maioria absoluta – dez, contra cinco oposicionistas – é notável como vêm oferecendo fiéis apoios às pretensões do Executivo.

Somente para citar dois exemplos, entre muitos outros, aprovaram o aumento do IPTU que provocou uma gritaria geral contra essa medida, assim como recentemente abonou o projeto de lei do Executivo para congelamento do aumento do mesmo imposto em 2020, um ano eleitoral, lembre-se, assim como dois pedidos de empréstimos a serem contraídos pelo Executivo com dois bancos no montante de R$ 18,6 milhões. Inclui-se nesse cenário um processo que pede a cassação do prefeito em relação ao qual nem mesmo seu proponente, um cidadão ibiunense, acredita que prosperará exatamente porque sua base aliada tudo fará para que seja arquivado, simples assim.

Como se sabe não se tem conhecimento que tenha havido um parlamento unânime não apenas neste, mas nos Legislativos municipais, estaduais e federal. Mas nesse mandato o número de integrantes da bancada situacionista é extremamente desequilibrado em proporção ao número de vereadores em relação à bancada oposicionista.

Esse panorama produz uma sensação de desânimo e descrença na população. Não raro, se veem postagens nas redes sociais defendendo uma completa renovação em seus quadros nas próximas eleições, fato improvável devido aos hábitos assistencialistas e favores que são feitos como trabalho de formiguinha, mas que produzem efeito de longo prazo nas mentes singelas e ingênuas de muitos eleitores.

Se é verdade, como muitos anseiam, que a cabeça crítica dos munícipes esteja mudando, mesmo que devagarinho, então sobra a expectativa de que pelo menos uma parte, decepcionada por se sentir abandonada e esquecida pelos vereadores, faça um voto diferente do que tradicionalmente acontece. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

 

 

 

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