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UM BREVE ENSAIO SOBRE NOSSA CIDADE PARA NÃO SER LIDO…

“O coração tem razões que a própria razão desconhece”, escreveu o filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662). Esta frase surge na minha memória de repente, quando pensava em nossa cidade: Ibiúna. Pascal estava certo, pois não saberia dizer o motivo.

Mas, isso não basta, porque ela vem acrescentada de um complemento fundamental do pensador francês: “Ninguém é tão sábio que não tenha algo pra aprender e nem tão tolo que não tenha algo para ensinar. Não tenho vergonha de mudar de ideia, porque não tenho vergonha de pensar.”

Nossa cidade [Our Town, em inglês], que virou filme e peça de grande sucesso sucesso, escrito em 1938 pelo dramaturgo e diplomata norte-americano Thornton Niven Wilder (1897-1975), também se apresentou a minha memória.

O livro é uma parábola da vida cotidiana de uma pequena cidade que gira sempre em torno das mesmas preocupações em seus habitantes, todos conhecidos uns dos outros: o trabalho, o amor e a morte. Assim como acontece aqui, entre nós, enquanto o tempo passa, os indivíduos nascem, crescem, adoecem, envelhecem e morrem. A cidade continua, com novos personagens que vão entrando em cena.

Mas no caso da peça, os mortos “voltam” à vida, não literalmente, mas na forma da imaginação do autor. Ele dá vida e movimento a todos aqueles que morreram. Os diálogos se sucedem entre parentes, amigos e conhecidos.

O que eles fazem é exatamente um balanço da vida que levaram em suas casas, nas ruas, no trabalho, as dificuldades, os relacionamentos. Ali onde se encontram, sob as sepulturas não fazem nenhum sentido a mentira, o ciúme, a inveja, a cobiça, o dinheiro, a falsidade, a hipocrisia. Simplesmente porque estão fora do tempo dramático da existência humana temporal.

Eis então que no inventário das conversas se estabelece a verdade sobre outros pontos de vista, porque não há nada que se possa esconder de uma vida vivida. Ponto. Cada cena é passada a limpo de modo que se compreendem os erros, os equívocos e como tiveram uma existência de ilusória, mas agora já é tarde para uma revisão útil, pois habitam a cidade dos mortos, acima do bem e do mal.

Muitos não viveram a própria vida, não foram autores da própria história e se pudessem fazer o caminho de volta, impossível no caso, talvez pudessem perceber na prática que tinham muitos caminhos diferentes a seguir e não aqueles que todos repetiam, como se fossem movidos por um único modelo de pensar e de agir. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

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Notaa: 1. Este breve ensaio não mencionou o ambiente histórico em que a obra foi escrita, quando havia guerras que afetavam dolorosamente a vida das famílias norte-americanos, pois seus jovens tinham que deixar o conforto dos seus lares e os estudos para ir combater em outros países, sem considerar o chamado “esforço de guerra” em que as atividades econômicas se direcionam para atender às necessidades dos conflitos. Observem na foto o que os jovens seguram nas mãos.

2. Tudo que for considerado coincidente entre a obra de ficção e nossa realidade será mera semelhança.

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