A COVID E A LÓGICA DO FARMACÊUTICO
Já sabemos, mas não todos, infelizmente, que a transmissão pelo vírus se dá de pessoa para pessoa por meio da inspiração do ar contaminado ou pelo contato direto das mãos e dedos com objetos infectados e depois levados aos olhos, nariz e boca, que são portas de entrada para o organismo.
Por isso, médicos especialistas orientam os indivíduos a manterem distâncias com margem de segurança entre uns e outros, a usarem máscaras como barreira de proteção, desinfectar com álcool em gel e lavar as mãos com sabão frequentemente. Outra medida relevante é permanecer tanto quanto possível em isolamento social e evitar aglomerações em quaisquer lugares.
A maior arma contra o vírus é a vacinação em massa da população que possibilita a imunidade das pessoas ou o abrandamento das graves e muitas vezes fatais consequências da enfermidade. O Brasil se destaca no mundo com números espantosos de mortos, já ultrapassados mais de 370 mil.
Pandemia é o assunto dominante nas preocupações das pessoas e está presente na maior parte das conversas atrás das máscaras ou com elas mal colocadas ou deslizando para baixo desnudando os narizes.
Entro na farmácia e logo surge o coronavírus como tema da conversa e das mortes verificadas na cidade de pessoas conhecidas, parentes ou amigos. É impressionante a apresentação do ícone que representa luto e também assustadora. Todos estamos com medo.
O farmacêutico pega uma caneta, um pedaço do papel e desenha um raciocínio lógico do seu ponto de vista. Ele pergunta quantas pessoas tem na sua família. Respondo. Elas saem de casa? Vão ao supermercado? Vão à casa lotérica? Andam de ônibus? Fazem festa de aniversário, chá de bebê, convidam pessoas de fora para participar? E continua:
“Se sua família contar com quatro pessoas e essa quatro pessoas tomarem todo o cuidado para se protegerem e evitarem estar próximas estarão certamente se expondo menos aos riscos de contrair a doença. Mas se há um encontro e vem gente de fora, digamos cinco, dez, quinze pessoas o risco de contágio se multiplica.”
Lembrando que o vírus e invisível e, por isso mesmo, imperceptível aos nossos sentidos, haverá momentos em que as pessoas vão tirar as máscaras para beber ou comer algo e, aí, conversa vai, conversa vem, a (má) sorte está lançada. Alguém será fatalmente contaminado.
O farmacêutico então dá exemplo de acontecimentos dessa natureza com seus conhecidos. Um desses encontros festivos recenes realizado em uma levou à morte por coronavírus duas pessoas jovens da mesma família, com diferença de poucos dias uma da outra. Outras duas pelo menos foram igualmente afetadas e se encontram em tratamento.
Ele conta os cuidados que tomará no dia de nossa conversa:
“Hoje é o aniversário do meu filho. Sim, vamos comemorar com um bolinho, mas somente nós de nossa família, nem mesmo seus avós vão participar, o que seria motivo de alegria e para todos nós, como sempre acontecia. E tomamos essa decisão como sentimento de amor e respeito à vida dos nossos familiares.” (Carlos Rossini é editor de vitrine online)
