PERSONA – LINENSE, O HISTORIADOR DE IBIÚNA

Aos 85 anos e desfrutando de uma memória privilegiada, certamente decisiva para escrever três livros contando a história de Ibiúna e de sua religiosidade, José Gomes Linense, na verdade, é merecedor de um livro todo biográfico.

Esta coluna PERSONA que diz respeito a personagens ibiunenses não poderia entrar no prelo sem a sua participação. Esperamos meses para receber suas respostas. Um dos motivos declarados: “Eu não sei escrever sobre mim mesmo”; outro: Linense escreve a mão, antes a lápis, depois a caneta esferográfica. Mas há um terceiro item: sua vida é intensa em participação social, política, cultural e esportiva e, portanto, longa sua jornada a ser descrita. Aqui, no entanto, procuramos apresentar um esboço de sua biografia, em reconhecimento ao seu valoroso trabalho em prol da sociedade.

Para que não percamos de vista seu papel de historiador, eis os três livros que escreveu, além de outros dois que estão sendo escritos, conforme revelou a vitrine online, além de ter sido eleito vereador na cidade por três mandatos: “Y’una – Noiva Azul”, “1º Centenário de São Sebastião em Ibiúna”, “Sob o Manto da Fé Surgiu Ibiúna”.

Linense foi casado com a professora Malir T. Ramalho (já falecida) com quem teve os filhos Diane Ramalho Gomes, Jefferson José Ramalho Gomes, Anderson Luiz Ramalho Gomes, Rogério Ramalho Gomes, Ricardo Ramalho Gomes.

A professora Malir era formada em estudos sociais, história, pós-graduada em história e pedagogia. Lecionou nas principais escolas estaduais de Ibiúna e é patrona da E.E. “Professora Malir Terezinha Ramalho Gomes”, em Ibiúna.

Malir, o amor de sua vida, com quem teve cinco filhos, e Linense

FAZER ACONTECER

A vitalidade de Linense impressiona. Além de percorrer a pé por todo lugar da cidade e ter sido presidente do Serpromi – Serviço de Proteção aos Menores de Ibiúna, onde junto com Aparício Soares de Carvalho, pretende criar a Guarda Mirim Ambiental. Linense, na verdade, acaba de ser reeleito presidente da entidade.

Entre seus planos, igualmente pretende criar a Academia Ibiunense de Letras, o Salão de Artes, bem como fomentar o Museu Histórico e Geográfico de Ibiúna. Como se vê ele honra o título de “Cidadão Ibiunense” que lhe foi outorgado pela Câmara Municipal.

José Gomes Linense é natural de Pirajuí, no interior de São Paulo, onde nasceu em 6 de dezembro de 1936, filho do espanhol José Matheus Sanches e de Ana Tereza Gomes, natural de Pirajuí.

TRABALHO NA LAVOURA

Linense frequentou o Grupo Escola “Olavo Bilac”, em Pirajuí até o 4º ano primário. Residiu na Fazenda Usina Miranda onde trabalhou em lavouras de café e de cana de açúcar. Depois mudou-se com a família para Lins, onde trabalhou em lavouras de café, algodão e no comércio.

Concluiu o curso agropecuário na Escola Prática de Agricultura “Gustavo Capanema” de Bauru.

Formou-se técnico agrícola e pecuária com especialização em zootecnia, grandes e pequenos animais, na Escola Prática de Agricultura “Dr. Fernando Costa” de Pirassununga, onde também concluiu também o curso de tratorista e especialização em mecanização agrícola pelo Departamento Estadual de Mecanização Agrícola (1953-1954).

Nas escolas agrícolas de Bauru e Pirassununga foi sempre eleito orador oficial do grêmio estudantil agrícola.

CAMPEÃO

Nos esportes destacou-se como campeão de salto em extensão, em arremesso de peso, corrida de revezamento 4×100, voleibol, assim como se destacou em futebol, tendo participado de duas olimpíadas de ensino agrícola.

Em 1956, passou a residir em São Paulo, Capital, trabalhando no comércio, lavanderia Lava Claro e na Editorial Labor do Brasil.

Como esportista jogou futebol pelo Rainha Elizabeth Club, E.C. Pirineus, Grêmio Esportivo Santa Clélia, E.C. Sereno, Dulcora F.C. de São Bernardo do Campo e E.C. Niasi.

Jogou ainda na equipe de extra-amadores da Associação Portuguesa de Desportos. Teve a oportunidade de jogar futebol e futsal pelo Grêmio Santa Cecília, junto a grandes craques do passado. Og Moreira e Ministrinho, ex-palmeirenses, juntamente com o craque Chocolate e os cantores Francisco Egídio e Agostinho do Santos, vitimado em acidade de avião nas proximidades do Aeroporto de Orly, na França.

NO SERVIÇO PÚBLICO

Em agosto de 1958 ingressou no serviço público. Em 1993 aposentou-se na carreira de técnico agropecuário, após cumprir 35 anos de trabalho, sendo 5 anos na Casa da Agricultura de São Bernardo dos Campos e 30 anos na Casa da Agricultura em Ibiúna.

Ele começou a frequentar Ibiúna no dia 12 de junho de 1960 e onde fixou residência em 11 de abril de 1963.

Jogou futebol pelo Guarani Atlético Clube nos anos 1960/62, foi campeão pelo Guarani e técnico da equipe. Participou de campeonatos de futebol amador no interior.

Marcou sua passagem pelo 13 de Maio Futebol Clube de Ibiúna como jogador, técnico e como presidente do clube. Foi ainda técnico vice-campeão pelo Esporte Clube Cachoeira, em 1964.

EXPOSIÇÃO AGRÍCOLA

Em 1964, junto com Feliciano Vieira, pela Casa da Agricultura de Ibiúna, organizaram a 1ª Exposição Agrícola de Ibiúna, por ocasião da passagem do 110º aniversário da elevação de Ibiúna à categoria de município, amplamente divulgada pelo jornal “Folha de S. Paulo”

Foi professor de práticas agrícolas na Escola Estadual “Maria Angerami Scalamandré” nos anos 1964 e 1965.

Foi membro do Conselho Agrícola Municipal em que exerceu a função de presidente e membro fundador do Sindicato Rural de Ibiúna do qual foi também diretor e presidente.

Foi membro fundador do Hospital do Sindicato Rural de Ibiúna que acabou sendo desativado em administrações posteriores.

Ainda pelo Sindicato Rural foi um dos participantes pela conquista da instalação da subagência do Banco do Brasil e depois pela agência em caráter definitivo.

HORTIFRUTIGRANJEIROS

Linense foi também um dos organizadores da 1ª Concentração de Produtores Rurais de Hortifrutigranjeiros, pelo Sindicato Rural, a Cooperativa Agrícola de Cotia e participação da Faesp – Federação da Agricultura do Estado de São Paulo, Ceagesp e os principais produtores, que deu origem e disciplinou todos os sistemas de transporte e embalagens de produtos hortifrutigranjeiros encontrados nas feiras livre, sacolões e supermercados.

Fundou clubes de jovens rurais nos bairros Piratuba, Colégio e Piaí, ensinando novas técnicas de plantio de aproveitamento de produtos agrícolas.

Foi o idealizador do movimento católico de jovens rurais da Paróquia de Nossa Senhoras das Dores, padroeira de Ibiúna.

JORNALISTA

Linense lutou pela criação da primeira escola de alfabetização de adultos, anterior ao Mobral [Movimento Brasileiro de Alfabetização, criado em 1968], que foi instalada no salão paroquial.

Participou da Sociedade Vicentina de São Vicente de Paula, ao lado de Domingos Casaburi e Benedito Rolim de Freitas nas campanhas de cobertores e agasalhos e foi também secretário da Congregação da Paróquia Nossa Senhora das Dores.

Trabalhou com os padres da paróquia e o povo do bairro Carmo Messias, para a construção da Capela de Nossa Senhora do Carmo e São Cristóvão que foi elevada à condição de paróquia do povoado.

Foi durante 10 anos correspondente do extinto jornal “Diário de São Paulo” e durante 20 anos do jornal “Diário de Sorocaba”.

Marcou presença nos meios de comunicação com reportagens escritgas nos seguintes jornais: “Vanguarda de Ibiúna” (Coluna do Linense), Tribuna de Ibiúna (diretor comercial), Jornal de Ibiúna (Fatos e Boatos) e “Jornal Notícias de Ibiúna e Região”.

Faz parte do jornal “Voz de Ibiúna” e do “Fone Fácil” (guia telefônico, cultural, turístico e de negócios), desde 1997.

Pesquisando fatos e acontecimentos históricos da antiga Una, atual Ibiúna, lançou a revista “Isto é Ibiúna”, em 1986, pela Editora Vera Cruz, de Marinaldo Cruz Filho.

Em 1977, lançou o livro “Y-Uma – Noiva Azul – História do Município de Ibiúna”, pela Editora Tempos.

Em 1988, lançou a revista “Mártir São Sebastião – Santo Protetor de Ibiúna em coautoria com Valdo de Andrade, pela Nuestra América, editora e vídeo.

NA CÂMARA MUNICIPAL

Vereador eleito em três legislaturas seguidas, sendo uma de 4 anos e duas de 6 anos cada, foi presidente da Câmara Municipal nos anos de 1977 e 1978.

Como presidente da edilidade, promoveu uma reforma completa, criou a galeria dos ex-presidentes, adquiriu o primeiro veículo para os serviços legislativos, a instalação de aparelhamento de som que passou a permitir a gravação das sessões  e adotou o sistema de encadernação de todo o arquivo da Câmara Municipal de todos os atos desde a sua instalação em 1890.

Em 2000, José Gomes Linense recebe o título de “Cidadão Ibiunense”

É o autor do projeto de lei que criou a Biblioteca Municipal, assim como da criação do Museu Histórico e Geográfico do Município de Ibiúna, ainda não instalado.

É igualmente autor dos projetos de lei que criaram o Albergue Noturno Municipal (rejeitado pela Câmara) e o que disciplinou o serviço de taxi no município.

No dia 23 de março de 2000, recebeu o título de “Cidadão Ibiunense”, outorgado pela Câmara Municipal.

CASA SANTA RITA

As iniciativas de José Gomes Linense são prolíficas. Ele é autor de diversos projetos de lei, além dos já citados, como o que declarou de utilidade pública a Casa de Santa Rita, que acolhe e cuida de idosos.

Ainda como vereador conseguiu junto à Prefeitura Municipal e outros órgãos os seguintes benefícios para a população ibiunense:

Agência da Caixa Econômica Federal, junto ao Ministério da Fazenda;

Agência do Funrural, junto ao Ministério da Previdência Social que, por injunções política, segundo afirma, não foi instalada.

Implantação das redes de energia elétrica pela Eletropaulo, atual CPFL, nos bairros dos Ribeiros, Cachoeira, Carmo Messias, Rodrigues e Grilos.

Construção de escolas municipais nos bairros dos Ribeiros e Carmo Messias;

Eliminação das porteiras nas estradas municipais;

Rede de água potável e rede coletora de esgoto, de energia elétrica e telefônica no bairro do Matadouro, na região central da cidade.

As ligações de José Gomes Linense com Ibiúna continuam firmes e sólidas, com uma incrível reunião de dados históricos, obtidos em inúmeras viagens e pesquisas incansáveis, feitas com paciência e determinação.

“O antigo vale escuro de Una apareceu em cena quando partiu de São Paulo a maior de todas as bandeiras, com quatro mil homens, índios e religiosos, em 1618”, disse Linense ao editor de vitrine online, ao rever as origens do município. “Foi quando tudo começou.”

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *