OH, IBIÚNA! POR QUÊ?

Mais uma vez percorri hoje (20) a rua Guarani, no centro da cidade, para onde foram transferidos, no dia 20 de novembro de 2021, os pontos de ônibus que se encontravam na estação rodoviária.

Resumindo: hoje faz 10 meses que a população usuária de ônibus foi deixada à própria sorte – exposta ao sol, chuva, vento, frio – além de outras adversidades como afundamento do asfalto ao longo de todo o trecho de embarque e desembarque, buracos, sujeira.

Como o prazo da reforma da rodoviária, que deveria estar concluída no dia 14 de julho, se estendeu para “até dezembro”, segundo nota divulgada pela prefeitura, depois que a Caixa Econômica Federal cancelou R$ 3 milhões que haviam sido empenhados para a obra, muitas pessoas simples, entre as quais muitos idosos, terão que enfrentar imenso desconforto pelo menos mais quatro meses.

Vitrine online, que publicou diversos vídeos e notícias ao longo desse tempo – apontando esse problema – foi conferir como está o ânimo das pessoas que dependem de ônibus para ir e vir no município.

Todas as pessoas ouvidas demonstraram notável descontentamento com a situação que vivem na rua Guarani e se queixaram da falta de atenção por parte das autoridades do Executivo.

No entanto, com uma rara exceção, nenhuma das pessoas ouvidas quiseram se manifestar por temerem alguma forma de represália das autoridades. E elas nem iriam aparecer, pois se tratava de entrevista apenas de áudio.

Uma jovem chamou atenção com um comentário surpreendente: “Eu não quero falar. Isso é assunto de gente grande [de políticos] e eu tenho medo do que eles podem fazer comigo.”

Uma senhora afirmou que “a situação está muito ruim. Estamos debaixo de sol, de chuva e o prefeito não faz nada. Peço que ele termine logo a rodoviária.”

Perguntei a uma pessoa muito atenta aos fatos que ocorrem em Ibiúna e ele declarou que compreende “perfeitamente” o temor que as pessoas sentem de se exporem e que ele também faria a mesma coisa, a fim de evitar desconfortos para sua vida pessoal.

No entanto, essa cultura do temor não se caracteriza apenas no cenário da população em geral. Também autoridades adotam idêntico procedimento, evitando entrevistas e comentários que possam, eventualmente, desagradar seus superiores e também porque não querem sair da chamada zona de conforto.

Assim, se observa que a cultura que marca a história de nossa cidade prossegue forte e firme, mas isso não significa que será assim para sempre, pois há sinais de que, de alguma forma, haverá mudanças e certamente surgirão maneiras diferentes de encarar a realidade, menos rude, áspera e grosseira. Chega uma hora em que as pessoas passam a perceber o quanto estavam sendo enganadas. (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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