SETE DIAS NOS SEPARAM DO FUTURO
As palavras se opõem ao silêncio como uma imperativa necessidade humana para a compreensão e relacionamento com as realidades da existência. Sem elas ou com o seu mal uso ou ignorância, ficamos reféns das circunstâncias. Eis um exemplo simplório: por que votamos em políticos que nos enganam, por meio de palavras que constroem imagens mentirosas em nossas mentes, que obedecemos como se fossem nossas ideias? São ideias deles que nos são impostas com astúcias que violam inocências.
Quando desconhecemos o que elas significam perdemos o bonde – mas que termo mais antigo! – e deixamos de ser sujeitos de nossa própria história e naufragamos no mar que os outros abrem como se ali pudéssemos caminhar. Não podemos. Somos levados a destinos indesejáveis.
Hoje tive numa conversa sobre a situação do Brasil nas vésperas das eleições. Lembrei ao meu interlocutor, um experiente jornalista, que tenho ouvido analistas políticos com máxima atenção na tentativa de encontrar um denominador comum, como somatória de várias mentes pensantes, sobre o que vai acontecer assim que saírem os resultados das urnas e conhecido o presidente da República eleito.
Eles têm feito abundantes malabarismos para interpretar os resultados das pesquisas elaboradas com rigor estatístico, descontadas as variações para mais ou menos, enquanto milhões de brasileiros são alvos de uma intensa e nauseante descarga de palavras e imagens de alto teor político nuclear.
Há nas camadas mais pensantes e educadas uma notória preocupação com o destino que aguarda a nação tão logo sejam proclamados os resultados das urnas e isso pressupõe possíveis reações dos personagens que integram os poderes constituídos – Executivo, Legislativo e Judiciário – até mesmo no que diz respeito a aspectos relativos ao ambiente de sanidade mental.
Apesar do quantitativo de problemas – políticos, econômicos, sociais, sanitários, que constituem um formidável desafio a ser enfrentado, seja quem for o eleito, o país funciona sob o primado da democracia, com ampla liberdade de expressão e não se pode imaginar a mais remota possibilidade de um retrocesso nesse sistema, que é o melhor regime já criado na história da humanidade.
A conclusão a que chego ao ruminar o universo de opiniões analíticas é que os fatos terão o seu próprio tempo para se revelarem. Não há como antecipar a voz das urnas. E o que vai acontecer ainda não aconteceu. Simples assim. Depende do futuro do qual estamos distantes por apenas sete dias. Sim. São sete dias que nos separam da revelação que pautará a vida de 215 milhões de brasileiros. (C.R.)
