IBIÚNA – O DRAMA DE 300 ALUNOS SEM ESCOLA NO BAIRRO DOS GABRIEL

Os primeiros ensinamentos que as crianças recebem, sobretudo na fase da alfabetização, são como sementes bem cuidadas logo após o plantio e garantem uma formação básica que dará sustentação para todo o processo de aprendizagem das pessoas.

Por isso, têm razão os pais que estão aflitos com cerca de 300 alunos do bairro dos Gabriel, no município de Ibiúna, que continuam sem escola, mesmo depois de dois longos anos de enfrentamento da pandemia da covid-19, que prejudicou severamente um sem número de crianças em todo o País.

Há uma escola – E.M. José Gabriel Machado – que até agora não está funcionando porque, sem telhado e com outros problemas estruturais, deixou de ser reformada em tempo hábil e continua, de acordo com pais que entraram em contato com vitrine online sem prazo para término, bem como para o início das aulas. O ano letivo teve início no dia 1º de fevereiro e, de acordo com os pais, a reforma teria começado uma semana antes do início das aulas.

No portão da escola há um aviso já com as letras quase apagadas com os seguintes dizeres: “Em decorrência no atraso da reforma da escola devido às condições climáticas, visando a qualidade no atendimento e segurança de nossos alunos, as aulas estarão suspensas até o término da reforma do prédio. Logo informaremos a data do retorno.”

Era de se imaginar que diante dessa circunstância houvesse um esforço pedagógico redobrado por parte das autoridades da Educação do município para compensar a falta de aulas presenciais repetimos, sobretudo, em atenção às crianças em fase de alfabetização, que requerem uma atenção especial.

Na realidade, as crianças permanecem em suas casas, isoladas do contexto escolar, recebem apostilas com atividades não presenciais com desenhos de figuras nomeadas. “Os desenhos estão com falhas de impressão e nos obrigam a completá-los com caneta em casa”, disse um tio que atua no magistério estadual.

Um vereador da base aliada visitou a escola e comentou sobre a falta de telhado da escola, informando que “todo dia está sendo uma briga [junto ao Executivo] para resolver o problema da escola. Outra escola em situação similar está localizada no bairro do Feital.

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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