EDITORIAL – HOSPITAL ESTRESSADO

O acompanhante de uma moça agrediu um médico dentro do consultório do Hospital Municipal de Ibiúna na tarde da última quarta-feira, dia 9, com golpes de capacete. O médico teria reagido para se defender.

Vitrine online apurou que o motivo inicial dessa atitude exaltada do acompanhante da paciente seria a demora para ser atendida. Uma testemunha que se encontrava na recepção do hospital disse que a espera estava em torno de quatro horas.

Um terceiro personagem terá feito parte do episódio que conturbou o ambiente hospitalar, o pai da moça ou do rapaz, não conseguimos confirmar, teria ameaçado o médico, que se retirou do plantão e procurou a delegacia de polícia local onde registrou um boletim de ocorrência.

A paciente acabou sendo atendida por outro médico.

Vitrine online procurou reconstituir esse acontecimento e concluiu que o hospital está estressado, com sérios problemas de gestão. Uma profissional da saúde informou que, infelizmente, episódios dessa natureza poderão se repetir por causa exatamente de situações precárias de acolhimento aos pacientes. E exemplificou:

“É natural que as longas esperas, sobretudo para pessoas que se encontram com problemas de saúde, provocam desgaste emocional muito grande e, como as pessoas se sentem desamparadas, sem atenção e informação tranquilizadoras, às vezes surtam mesmo; neste caso, o acompanhante parece ter sido a válvula de escape.”

A mesma profissional chamou atenção também para o desgaste sofrido pelos poucos médicos que atendem nos plantões, pelos quais passam dezenas de pessoas. “Eles não são culpados, procuram dar o melhor atendimento possível, dentro das condições sob as quais trabalham.”

Vitrine online procurou ouvir o secretário da Saúde, Valdir Messias, que está instalado numa sala no prédio do hospital, a fim de saber que providências serão tomadas para que fatos dessa natureza possam ser evitados, mas não obteve retorno até a finalização desse editorial.

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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