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EDITORIAL – PAPEL DA IMPRENSA NÃO DEVE SE CONFUNDIR COM INTERESSES PARTICULARES

Hoje, na condição de repórter de vitrine online, tive que ouvir de um funcionário da Viação Cidade, comentário de conduta parcial na cobertura dos fatos relativos à rescisão contratual da prefeitura com a empresa da qual é funcionário. Não deve ter lido o conjunto das matérias desde o início dessa história que se iniciou lá atrás, com a primeira greve de motoristas de ônibus da história de Ibiúna, também narrada e acompanhada de perto. Nosso papel é reportar fatos certamente ouvindo as partes envolvidas e, ao contrário do que se pensa, nem sempre são apenas duas. Neste caso, por exemplo, há a prefeitura, a empresa e a população e a prioridade é focalizar os conflitos e suas consequências para o povo. E isso ficou bem claro em todos os textos. Aliás, somente a vitrine online cobre em plenitude a sequência desse fato – e tem sido copiada por outras mídias. Trabalhamos debaixo de chuva, fomos para a estrada, para a rodoviária, ouvimos os usuários, as autoridades, só não ouvimos o proprietário da empresa porque simplesmente não retornou as ligações que lhe fizemos. Ponto.

Mas é importante frisar que essa perspectiva crítica faz parte da história da imprensa ibiunense e não necessariamente da vitrine online que surgiu com o compromisso de lançar aqui um novo jornalismo, metodológica e cientificamente falando. E isso soa estranho exatamente pela força do hábito da convivência com formas tradicionais praticadas.

Resumindo: entendemos que basta se publicar uma notícia que não seja do interesse de uma personalidade ou grupo político para ser tachado como parcial. Assim aconteceu com o ex-prefeito Eduardo Anselmo que agiu de modo deselegante em plena rua, porque vitrine online veiculou notícia a partir de três requerimentos de um vereador, mas que lhe desagradou. Da mesma forma e pela mesma razão agiu de modo desagradável o ex-prefeito Adal Marcicano, como se publicar uma notícia pública fosse motivo de ofensa pessoal. Também o atual presidente da Câmara, Carlinhos Marques, bom colega de trabalho durante anos comigo na revista Vitrine (versão impressa), parece ter me estranhado, já que considerei que a publicação deveria respirar minimamente com liberdade, em relação ao ex-prefeito que ele tanto defende. Paulo Niyama foi mais longe: fez questão que a Justiça eleitoral multasse vitrine online em R$ 5 mil, alegando que uma reportagem limpa e tecnicamente correta sobre a convenção do então candidato Fábio Bello fosse considerada propaganda antecipada.

Atualmente, vitrine online procura ouvir advogados de Fábio Bello e do ex-prefeito Eduardo Anselmo para esclarecer a população em torno de um processo em curso no Superior Tribunal de Justiça. Há uma possibilidade de ouvir o representante do atual prefeito, mas não o que representa o ex-prefeito que já deixou claro que não costuma falar sobre os assuntos que cuida profissionalmente e descartou qualquer possibilidade de agendar uma entrevista. Como é possível, assim, ouvir os chamados “dois lados”?

Definitivamente, é bom que os leitores entendam que o papel precípuo do jornalista é informar a sociedade. Ele, portanto, nada tem que ver com os acordos, com as benesses proporcionadas para assegurar fidelidade nos votos, por exemplo, para compor a direção do Legislativo e tampouco do comportamento íntimo dos atos do Executivo, seja nas contratações, nas licitações, e na gestão dos negócios. Muito menos ainda cabe ao jornalista julgar os fatos que pertence à esfera do poder jurídico, que, às vezes, também relega a imprensa a um segundo plano de respeitabilidade.

Portanto, no que diz respeito a esse processo que culminou com rescisão contratual com a empresa de ônibus que atuou no município por mais de dez anos, não fizemos outra coisa senão noticiar fatos da forma mais fidedigna possível. O mais recente fato noticiado dessa série (noticiado hoje) foi a negação do mandado de segurança impetrado pela empresa, que não quis ou não pôde se pronunciar aqui. Soube, no entanto, que na audiência pública sobre transporte, ocorrida ontem na Câmara, vitrine online foi citada como fonte de informação pública para a mesma empresa É um direito da empresa calar ou falar, mas jamais uma falha ética da publicação que se prontificou a ouvi-la.

Há ainda uma longa jornada pela frente para que as pessoas entendam o papel do jornalismo que procura ver os fatos sob uma nova luz despojada de preconceito, de maldade gratuita, de interesses egoístas de grupos que se transformam em juízes impiedosos contra tudo aquilo que não conseguem compreender. O alvo do jornalista é cumprir uma jornada sem fim em busca da verdade, consciente daquilo que se lhe opõe, a mentira, que circula rotineiramente por todos os cantos. (C.R.)

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