TVUNA – POVO DO JURUPARÁ PEDE JUSTIÇA AO GOVERNADOR TARCÍSIO DE FREITAS

O programa desta quarta-feira (6), que a TVUNA apresentará ao vivo, às 20h, pelo Youtube, Instagram e Facebook, segue uma pauta de respeito a cerca de 600 famílias, que ainda resistem e residem ou foram expulsas do Parque Estadual do Jurupará – Peju, criado em 1992 por decreto do então governador Luiz Antonio Fleury Filho.

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O convidado do programa é Marcos Adelino, presidente da Associação dos Moradores e Sitiantes do Jurupará e Adjacências – AJA Sustentável, criada em 2004, mas terá também depoimentos dramáticos por justiça por parte do governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas, feitos por duas senhorinhas nativas: Horácia Maria de Jesus (97), e Jandira Alves da Silva Pereira (74).

Suas famílias, como as demais, foram duramente atingidas por não poderem mais se sustentar com suas plantações e criações na área do parque, embora tenham títulos de proprietárias, reconhecidas por lei, além de comunidades tradicionais que ali se formaram.

D. Horácia, 97 anos: “Por que nos tirar daqui?”

A intenção do decreto 36.703, de 22 de setembro de 1992, foi boa: proteger e conservar todo o complexo ecológico [espécies vegetais, animais, cursos d’água e outros componentes do patrimônio natural e cultural da região, com seus 26.250,47 hectares [ou 262 km2], 98% dos quais dentro do município de Ibiúna e 2% no município de Piedade.

No entanto, cometeu um efeito devastador para as famílias que há várias gerações vivem na região, pelo menos desde o início do século XIX, mas há registro de presença humana no local há mais de 200 anos, centenas das quais foram de alguma forma expulsas da região.

D. Jandira (de branco) ao lado da irmã, Avelina: “Meu avô comprou aqui; meu pai nasceu aqui.”

“Nossa luta é contra uma injustiça social praticada pelo governo, em desrespeito aos direitos das pessoas que ali habitam. As glebas já possuíam matrículas registradas em cartórios, bem como os sitiantes possuíam títulos de posse, além das comunidades tradicionais que remontam ao início do século XIX”, afirmou Marcos Adelino à TVUNA quando foi entrevistado em setembro de 2023.

Assim como as senhorinhas entrevistadas dirão, o presidente da AJA afirma: “Não somos invasores, mas vítimas de uma conduta injusta por parte do governo estadual”.

É importante assinalar que os moradores do parque têm consciência de que cumprem uma importante função de proteger a natureza da região contra ações que possam causar danos à vegetação, como coletores de palmitos e de outras espécies, e caçadores ilegais.

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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