VIVA IBIÚNA 2 – SISTEMA DE SAÚDE MUNICIPAL É O MAIOR DESAFIO DO GOVERNO

Esta é a segunda matéria da série “Viva Ibiúna”, criada com o objetivo de contribuir para que a Estância Turística de Ibiúna se liberte de uma tradição política e administrativa conservadora e retrógrada, um dos motivos dos problemas crônicos do município.

Numa cidade onde o hospital municipal fechou quando o prefeito era um médico, não surpreende o fato de o sistema de saúde de Ibiúna continuar sendo a mais importante e grave questão a ser solucionada.

O atual governo poderá fazer importantes conquistas em outras áreas de sua responsabilidade, aliás, igualmente necessárias, mas se não cumprir a promessa de estruturar toda a saúde de Ibiúna, não receberá a chancela da população no que vem propagando no monocórdico “Dias melhores virão”, repetido pelo prefeito nos finais de seus pronunciamentos públicos.

O governo municipal sabe disso e mantém na espera, por questões jurídicas, o momento de pôr em prática o que poderá, se bem sucedido, se tornar o maior plano já elaborado no município para corrigir vícios e incompetências que marcam a insatisfação, haja vista as manifestações populares nas redes sociais, com o atendimento no Hospital Municipal e na Rede Básica de saúde, composta por postos de atendimento central e nos bairros, Centro Odontológico e Centro de Especialidades.

No dia 22 de maio de 2025, o repórter da TVUNA, jornalista Carlos Rossini, entrevistou o secretário da Saúde, Caio Dolfini (foto), a quem coube conduzir a elaboração do aludido plano, ainda mantido dentro dos limites da esfera administrativa, em decorrência de duas ações movidas pelo Igats – Instituto de Gestão, Administração e Treinamento em Saúde, uma em julho de 2025 ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo – TCE-SP e outra, no dia 3 de novembro de 2025, à Justiça Estadual, no Fórum da Comarca de Ibiúna.

O Igats, como se sabe, vinha gerenciando o atendimento hospitalar desde 2021, e seu contrato já havia terminado. Com as duas ações, garantirá judicialmente sua permanência no hospital, pelo menos até março, totalizando um período de cerca de seis meses.

Ironicamente, o hospital de Ibiúna chegou a fechar, quando o prefeito era um médico

Aparentemente, a Prefeitura somente poderá reativar o processo de licitação a partir de março deste ano, tanto em relação ao Hospital Municipal quanto à rede básica, sob a responsabilidade da MedLife, ambos os contratos com prazos de validade encerrados há meses. No caso da Rede Básica, o impedimento seria a necessidade de correções descritivas no edital de chamamento.

Na medida encaminhada e acolhida pelo TCESP, o Igats argumentou que “o Edital [de chamamento para a licitação] apresentava vícios graves que comprometiam a legalidade e a regularidade do procedimento, notadamente no que se refere à limitação indevida da competitividade”.

ENGESSAMENTO

As medidas cautelares aceitas impuseram aparentemente um “engessamento” [ou congelamento] ao processo que deveria ter dado o início executivo do anunciado plano de trabalho para estruturar o sistema de saúde em Ibiúna.

Talvez por isso mesmo, o plano ainda não chegou ao conhecimento da população, o que significaria “dar transparência” e, ao mesmo tempo, sensibilizar a opinião pública que anseia por melhorias indispensáveis para a prática do bom atendimento tanto na rede básica quanto no hospital.

A legislação que dita as normas para a realização das licitações, que são alvos de notórias maledicências em todo o território nacional, por conta de desvios de conduta na destinação de recursos públicos, por isso mesmo abre um largo campo para contestações e decisões cautelatórias favoráveis por parte da Justiça.

Em princípio, segundo apuramos, qualquer cidadão pode entrar com denúncia contra atos que supostamente podem causar lesão do dinheiro público.

Mais uma vez, lembramos que o melhor antídoto contra a “eternização” de “embargos” é a transparência em sua plenitude que eleva o nível de conhecimento e dos limites legais. Quando os fatos são explicitados de modo claro e preciso, toda a sociedade pode compreender quem está com a verdade.

MISSÃO ESPINHOSA

Esta semana, pela segunda vez no tempo da atual administração, tivemos a oportunidade de ouvir o secretário da Saúde, Caio Dolfini, que recebeu a espinhosa missão de virar o jogo do sistema de saúde no município.

Com uma sua agenda aparentemente cheia, conseguimos nos encontrar na sede de sua pasta, depois de três tentativas.

Ele está com atenção concentrada e se virando nos trinta para, assim que possível, garantir as medidas objetivas que permitirão ao prefeito anunciar, enfim, as boas novas, tão esperadas pela população.

Nós, que ouvimos informalmente muitas pessoas, tanto funcionários municipais quanto da população pudemos perceber uma expectativa com duas perspectivas: há os que acreditam que agora, em 2026, a Prefeitura vai, enfim, pôr em prática as promessas eleitorais; há, também, aqueles que, céticos, acreditam que “teremos mais do mesmo”.

Nós vamos continuar tentando informar da melhor maneira possível os nossos leitores, que também são cidadãos e eleitores da nossa terra, torcendo para que os planos do governo dêm certo, porque os ibiunenses serão os beneficiados em seus direitos. (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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