IBIÚNA – NOVUM COLLEGIUM HABEMUS

O fato político mais importante ocorrido em Ibiúna nesta semana foi a criação na última quarta-feira (25) de um novo sindicato para representar os trabalhadores da prefeitura, que somam mais de 2.700 pessoas, o maior contingente de empregados no município em uma única organização.

Quem viu as fotos e um breve vídeo do registro da assembleia que fundou a entidade pôde constatar a presença marcante de jovens com notável alegria fraternal, se abraçando, comemorando um feito e tanto numa sociedade com uma cultura manifestamente conservadora.

Eles acreditam exatamente ser necessária uma nova forma de atuação política para desatar os nós que mantêm uma espécie de estagnação nos comportamentos como se a aparente normalidade dos procedimentos sociais fosse imutável e eterna.

Quem tem olhos de enxergar e ouvidos de escutar a realidade nua e crua, sem os nefastos efeitos anestésicos da fabrica de ilusão e de hipocrisia, mantida na tradição política local, talvez consiga perceber o recado do advento do Sindicato dos Servidores e Trabalhadores Públicos de Ibiúna, filiado à Central Única dos Trabalhadores.

Ontem depois que publicamos a notícia desse movimento, uma leitora nos perguntou se achávamos que se tratava de uma notícia boa. Claro, tudo que representa o despertamento de uma sociedade dormente é, em princípio, auspiciosa. Ela comentou:

— Tivemos muitos problemas com o sindicato antigo; agora é esperar pra ver se de fato roda direito.

Esse breve comentário diz respeito a uma questão central: o destino do novo sindicato está diretamente relacionado ao conjunto da inteligência de seus integrantes, porque tudo que é novo [no sentido de ineditismo] precisa da compreensão e do apoio da sociedade. Ou seja: é ter a sensibilidade de saber que estarão se movimentando em uma loja de delicados cristais.

A contrapartida saudável é que também se corporifique a paridade transparente do Paço Municipal como uma central de inteligência criativa a serviço da população, aberta a enfrentar novas formas de desafios. (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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