IBIÚNA – HOSPITAL MUNICIPAL PRECISA DE MELHOR ATENÇÃO

O episódio envolvendo a denúncia da filha de um idoso de 83 anos, sobre o atendimento feito por uma médica e divulgado nas redes sociais na última terça-feira, alcançou grande repercussão em Ibiúna.

As duas publicações feitas por vitrine online já provocaram mais de 40 mil visualizações e um sem número de comentários indignados da população, a maioria absoluta recriminando a forma como o paciente foi atendido, de acordo com o relato público e dramático da filha.

A referida médica, conforme noticiamos, foi afastada do serviço e já substituída por outra, para que a Secretaria da Saúde faça a apuração dos fatos, e determine as medidas a serem tomadas.

As dificuldades para encontrar fontes seguras sobre o fato ocorrido provocaram uma maratona e a necessidade de atitudes ágeis do nosso repórter.

O que sabemos é que na segunda-feira, às 11h, a filha do idoso deverá ser ouvida pela secretária da Saúde, mas não há informação quando a médica denunciada será ouvida.

Como se sabe, as instituições públicas têm como prática muito comum não terem pressa para tomar atitudes, sobretudo como forma de autoproteção para os seus agentes. Elas seguem normas, regimentos, contratos e legislações específicas.

QUEIXAS SE REPETEM

Esse episódio, no entanto, não causa surpresa alguma para quem acompanha o funcionamento do Hospital Municipal de Ibiúna há anos – e recebe frequentes queixas dos seus usuários.

Lamentavelmente, tanto no meio médico quanto dos  pacientes, ao longo do tempo o hospital passou a gozar de uma má fama que se cristalizou na memória da sociedade, exatamente pelos problemas de atendimento que chegam ao conhecimento público.

Como se recorda, entre inúmeras situações problemáticas, o hospital chegou a fechar, ironicamente quando o prefeito de Ibiúna era um médico.

Seria aqui desfiar um rosário para justificar sua reputação, em que pese os notáveis esforços dos profissionais da saúde para compensar os crônicos problemas estruturais e de falta de recursos.

Temos tentado falar com os responsáveis por sua gestão, tanto com o presidente do Igats quanto com seus  funcionários mais graduados, sem sucesso.

LICITAÇÃO NÃO RESOLVIDA

Esse comportamento supostamente esquivo é compreensível. Houve uma licitação para renovar a contratação de uma nova empresa para cuidar do seu gerenciamento, tendo em vista que o contrato para a prestação desse serviço se encerrou em 2025.

A decisão está dependendo do resultado jurídico de um recurso feito pelo Igats, já que outra empresa, Morgan, foi classificada em primeiro lugar. A comissão de licitação está debruçada sobre o processo que já conta com mais de 5.000 páginas. Assunto é complexo e exige uma análise muito criteriosa, nos informou um dos seus integrantes.

Pelo menos até 4 de agosto deste ano, o Igats permanecerá  na gestão do HMI, por força de uma liminar do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Agora resta esperar a decisão final da comissão de licitação, ouvidos os argumentos tanto a Morgan quanto a MedLife, que se classificou em segundo lugar.

CLIMA INTERNO

Até que ponto a falta de um desfecho quanto ao processo de licitação está influenciando o clima emocional dos profissionais que lá atuam, e até mesmo interferindo no andamento dos atendimentos que são muito numerosos, diariamente?

A expectativa natural é que os profissionais da saúde são antes de tudo seres humanos e que naturalmente precisam de um ambiente que contribua para que possam exercer suas funções muitas vezes de alta tensão, sobretudo nos  momentos em que são requeridos procedimentos de foco concentrado tanto de urgência quanto de emergência.

Não há aqui nenhum propósito de julgar os padrões de atendimento hospitalar, mas sim de tentar interpretar os sentimentos e as expectativas dos pacientes que procuram o hospital e esperam sempre receber um atendimento acolhedor e humano.

Do que conseguimos escutar o clima do HMI nos dias atuais é de ansiedade, essa palavra parece ser a que mais representa o clima emocional dos seus profissionais. Mas houve quem dissesse tensão e medo, sobretudo relacionados ao futuro dos seus empregos e direitos trabalhistas. Surgiu uma nota positiva nesse contexto: todos os profissionais e empresas terceirizadas estão com os pagamentos em dia, o que muitas vezes não aconteceu no passado.

Seria, portanto, uma oportuna iniciativa, a Secretaria de Saúde Municipal se manifestar, mesmo enquanto a questão da licitação ainda não estiver resolvida, como uma forma de acolhimento, e dar uma atenção humana emergencial aos profissionais que ali trabalham, a maioria cidadãos e cidadãs ibiunenses. (Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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