CRONISTA DA CIDADE – O PREFEITO MÁRIO PIRES E O “CAFÉ DE IDEIAS”
Em 2020, quando se candidatou a prefeito de Ibiúna, ficando em terceiro lugar, o atual prefeito de Ibiúna, advogado Mário Pires, criou o projeto “Café de Ideias”, reunindo convidados para um bate-papo descontraído sobre o desenvolvimento do município.
Ao todo realizou mais de sessenta encontros construindo uma imagem pública extremamente positiva que, certamente, contribuiu para sua eleição esmagadora em 2024 por 21.661 votos, o maior sufrágio histórico já obtido para o cargo de chefe do Executivo da cidade.
No cargo há dezesseis meses, aqueles que acompanharam sua campanha atentamente, veem que ele vem desempenhando o cargo com notável energia, destacando-se especialmente como protagonista de abundantes vídeos que transbordam nas redes sociais.
No entanto, aquela verve demonstrada nos “Cafés de Ideias”, num clima intimista e transparente, parece ter ficado para o passado. Há queixas de que ele se tornou inacessível do ponto de vista objetivo, até mesmo para o público interno da administração.
E é exatamente esse o tema que o colunista da cidade apresenta para seus leitores, certo de que se trata de uma contribuição para a melhoria de sua gestão.
A atual administração ainda não se tornou si mesma perante a sociedade, porque para conseguir essa proeza, terá que se libertar da pesada herança recebida de governos anteriores que, tradicionalmente, são especialistas em adiar a resolução de problemas, e passar a bola para a frente, independentemente de onde se encontra a trave.
Já em seu início apontou as finanças zeradas, saldos em contas bancárias no fundo do poço e dívidas a serem quitadas.
Até o presente momento, passados dezesseis meses de sua posse, a boa notícia, confirmada pelos números de sua contabilidade, indica que as reservas financeiras se mostram confortáveis, a ponto de se ter liberado recursos, antes proibitivos, para a festa de emancipação política e retomada de algumas obras que estavam congeladas desde o governo anterior, como é o caso que merece aplausos da UBS inaugurada com pompa e circunstância no bairro da Areia Vermelha no último fim de semana.
Seria esse um sinal antecipado da prometida virada histórica para esse ano, prometida pelo chefe do Executivo? Tomara que sim!
O calcanhar de Aquiles do Executivo, também por força de se empurrar tradicionalmente os problemas com a barriga, continua sendo o sistema municipal da saúde concentrado sobretudo no seu carro chefe o hospital municipal, na Rede Básica, nos Caps adulto infantil, e no Centro de Especialidades.
As queixas de atendimentos insatisfatórios se sucedem, às vezes casos dramáticos, que se revelam por meio de manifestações nas redes sociais, o instrumento mais imediato e disponível de que se vale a população para manifestar suas angústias.
É sabido que o governo confiou ao ex-secretário da Saúde, Caio Dolfini, a elaboração de um novo plano para enfrentar os desafios na área da saúde, até o momento inédito. Assim como abriu uma licitação para contratar uma nova gestora do hospital, cujo processo se encontra suspenso por pendências de natureza jurídica.
A tarefa imensa de pôr a casa em ordem no setor de saúde pública, foi entregue recentemente para Márcia Matos, ex-diretora do Centro de Especialidades e do hospital municipal, nomeada secretária Municipal de Saúde no dia 20 de fevereiro último.
Seria injusto prejulgar a ausência de boas intenções do governo nesse capítulo, mesmo porque a dotação de eficiência no setor da saúde deve ser seu projeto político de maior envergadura junto à opinião pública, aporte para uma possível reeleição em 2028.
No entanto, e com o propósito de contribuição, é preciso, como temos proposto, abrir o relacionamento com a população por meio de uma transparência congruente. Uma reedição, modificada, ampliada e aprofundada do “Café de Ideias”.
Isso pressupõe o uso de uma energia relevante que, necessariamente, exige a adoção da humildade e o distanciamento de eventuais vaidades presumíveis quando se ascende ao poder.
E entendemos que essa é uma questão chave que precisa sensibilizar os pensamentos, as palavras e as ações dos homens públicos, antes que ocorra o processo de desgaste irreversível do poder, fenômeno tão comum que às vezes se confunde com os chamados pontos cegos.
Trata-se do fenômeno que não nos permite enxergar adequadamente quando dirigimos um veículo tanto quando olhamos para a frente por meio do para-brisa quanto olhamos para trás, pelo retrovisor.
Saber de onde viemos e vislumbrar para onde pretendemos ir, e como ir, é uma questão decisiva para a autoridade pública.
CRONISTA DA CIDADE – Jornalista Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online

