CRONISTA DA CIDADE – AH, SE OS POLÍTICOS SOUBESSEM!

Caras leitoras/leitores, hoje compartilho com vocês algo que tem tudo a ver com as dificuldades que todos sentimos na forma como os agentes públicos se comunicam e tratam o povo.

Equivocadamente, supomos ou subentendemos que as autoridades sempre fazem bom uso das palavras, o que, na verdade, é um fato raro, embora tudo o que fazem sempre tenha uma intencionalidade, muitas vezes ocultas.

Nem sempre, no entanto, entendem que a linguagem é uma forma organizada de expressar pensamentos e sentimentos. Destina-se a possibilitar a comunicação, o entendimento e a compreensão, já que “nenhum homem é uma ilha”, como escreveu o poeta inglês John Donne, em 1624.

Quem precisa lidar com elas [as autoridades] por força do dever de ofício, como é o caso do jornalista, estará sujeito a constantes frustrações. Um dos motivos é que tais agentes acham que sabem o que na verdade não sabem, mas agem como se soubessem, como se fossem portadores de uma clareza muito elevada.

Trata-se de um fenômeno chamado efeito Dunning-Kruger, que ocorre quando uma pessoa com pouco conhecimento sobre um assunto acredita saber muito mais do que realmente sabe.

Em princípio, todos estamos sujeitos a ele, claro! Esse nome se deve ao fato dele ter sido definido em 1999 por dois psicólogos americanos, David Dunning e Justin Kruger.

Juro que eu não quero ser inoportuno escrevendo essas coisas, mas o faço porque nós, humildes cidadãos, sofremos continuamente com o palavrório que os políticos usam para nos convencer que são bambambãs no uso das palavras, para cair em suas lábias.

Minha observação vem de longe e também de agora. Tenho ouvido ou visto coisas escritas que disparam o alarme regulador do sistema que chamo de bom senso. E isso é muito frustrante para quem quer intermediar relações entre uns e outros, sobretudo informar bem a população.

Descobri que isso tem um efeito sobre o comportamento das pessoas que parecem acreditar no que os políticos dizem pelo simples fato de estarem abrigados por solenes títulos de autoridade, ainda que certamente não haja aqui nenhum propósito de desrespeito.

Traço estas linhas para manifestar minha esperança de que, esses seres, guindados a cargos públicos, meditem ao menos alguns minutos por dia, para atrair os santos sentimentos de humildade, que fazem parte dos valores humanos universais ensinados até por meio de fábulas.

Assim, poderiam se tornar mais simples, verdadeiros e estabelecer relacionamentos que talvez venham a atender um desejo não declarado contra atitudes arrogantes, que não se sustentam por muito tempo perante a opinião pública.

Suponho que esses personagens tenham se inebriado com os encantos do poder, a ponto de perderem o contato com a humanidade, e, talvez por isso, tornam-se pretensiosos e emocionalmente distantes do povo que os elegeu.

CRONISTA DA CIDADE

Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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