DIA 25 VEM AÍ
Desde que saíram os resultados das eleições de 4 de outubro ouvi e li, de pessoas conhecidas e desconhecidas, uma quantidade considerável de depoimentos, a maioria revelando uma angústia ou mesmo estados depressivos, como se tivesse ocorrido uma hecatombe.
Algumas confessaram publicamente nas famigeradas redes sociais que tiveram uma crise hipertensiva tão acentuada que foram obrigadas a procurar prontos socorros e hospitais.
Nesse cenário se incluíram pessoas com formação cultural destacada e gente de uma humildade comovente, mas repleta de sinceridade.
Se pudesse resumir minha interpretação de sentimentos, diria que grande parcela da população brasileira ainda se encontra em estado de choque, enquanto outra leva celebra a eleição de certos candidatos, como se o mundo tivesse encontrado uma chave para a sua redenção, sem saberem exatamente do quê por si sós.
O princípio da incerteza, gerado na área da física, nunca precisou ser tão convocado como neste momento em que convivem no mesmo território ideias que se entrechocam num mar em que a palavra de ordem é a ignorância. Ignorância do que vai acontecer num país que já vinha sofrendo uma das mais relevantes crises institucionais de sua história, envolvendo os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
Numa síntese, diga-se, há uma indisfarçável desmoralização de seus agentes envolvidos direta ou indiretamente em escândalos altamente comprometedores e incompatíveis com os cargos que ocupam, com ou sem togas.
Não há como negar que a situação em que se apresenta o país neste momento nos coloca diante de uma perspectiva extremamente preocupante, porque o que está por trás do que pode ocorrer são ideologias que desvalorizam os seres humanos, a despeito de preconizarem exatamente o oposto em discursos que não se sustentam nos princípios da honestidade.
De alguma forma, estamos sujeitos a sermos enganados e traídos em nossos direitos fundamentais e vermos os princípios democráticos desmoronarem, dando lugar a modelos estranhos a tudo aquilo que foi estabelecido na cultura brasileira ao longo dos séculos.
Dizem os especialistas que as mudanças que podem ocorrer, além de nefastas, poderão durar muito tempo e provocar efeitos devastadores nas relações que deveriam ser de equilíbrio entre os três poderes independentes. O que está sendo apontado é exatamente o oposto e aí mora um dos perigos da hora.
De qualquer modo, como ocorre na eclosão de todas as doenças, os pacientes acabam tendo que buscar a cura dos sintomas e da sua causa. E é exatamente isso que está acontecendo no país nesse momento: se recuperando, usando os medicamentos certos, e reagindo para não perder o bonde da história.
25 de outubro, segundo turno, portanto, será um dia da primavera especialmente propício para que a nação brasileira decida como pretende viver os próximos anos e décadas. (Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online)
