LINGUAGEM CHULA E ODIENTA CONSPURCA UTILIZAÇÃO DO FACEBOOK

Muito além dos mecânicos kkk, a linguagem chula, rancorosa, odienta, maldosa e vulgar empregada por pessoas incivis, entre os quais devem se incluir sociopatas, mancha um dos mais extraordinários meios já inventados pela engenhosidade humana: o Facebook. Esse fenômeno já vem sendo objeto de atenção e estudos por psicólogos, sociólogos, antropólogos e outros especialistas e pode gerar diferentes teorias sobre essa nova forma de manifestações da maldade.

Essa maldade, inconsequente e gratuita, talvez reflita um período de decadência comportamental dos indivíduos, num ambiente que se artificializa cada vez mais pelas sucessivas ondas de progresso tecnológico. Numa palavra, o lado sombrio e viscoso de muitas mentes se projeta sobre a sociedade em forma de agressividade verbal sem limites.

Aparentemente, assim como acontece com o produto dos pichadores que só fazem conspurcar muros, pontes, viadutos, paredes e fachadas de edifícios e casas, não há sentido em sujar as telas dos computadores, notebooks e celulares com inutilidades que mascaram personalidades doentias e hostis, em guerra permanente com o mundo. Não sabem, por ignorância grotesca, que, na verdade, se tivessem um propósito claro de suas intenções, conseguiriam muito mais efeitos se soubessem se comunicar com clareza. Além do que, isso em um efeito terapêutico. Da mesma forma que seriam respeitados, o que não é o caso. As vítimas de ataques virulentos já estão se vacinando contra vanidades, seja desprezando os “pichadores de telas”, seja se afastando de modo radical de seguir o que se publica nesse meio.

A larga e democrática benevolência do Facebook como espaço livre e aberto para o diálogo sofre “estupros” verbais e visuais constantes, o que revela uma face da estupidez humana, como forma de interromper, retardar ou borrar o processo civilizatório que vem de séculos, com muitos sacrifícios, dores e mortes, até os dias presentes, exatamente quando mais é preciso de atitudes inteligentes, corajosas e exemplares e maior necessidades de mudanças para que a humanidade dê um salto qualitativo de superação de seus mal-estares, sentidos na vida cotidiana por todos nós.

Resumindo a ópera, esse uso pervertido do Facebook é apenas mais uma das muitas formas de violência que assolam o gênero humano e que evocam necessidades psicológicas inconscientes. Pois, se felizmente a maioria das pessoas age de boa fé e não compactua com esse procedimento antissocial, há como sabemos, misturados na massa humana, criminosos de todo tipo, entre os quais se inclui a categoria dos sádicos, que não se importam com o sofrimento que infligem aos outros. Ao destilar seu veneno e lançá-lo em diferentes alvos, essas pessoas deixam de ser humanas para se comportarem como feras, desferindo golpes contra tudo e todos, principalmente à beleza ingênua, que mantém as pessoas mentalmente saudáveis e equilibradas.

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Carlos Rossini é editor

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Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.