IBIÚNA – A GRANDE FESTA E A HISTÓRIA DE SÃO SEBASTIÃO
São Sebastião, santo protetor de Ibiúna, cuja imagem foi buscada e trazida ontem (27) para a praça da Matriz no centro da cidade por romeiros e acolhida com carinho, fé e devoção por milhares de pessoas, na maior festa religiosa do município, que completa 104 anos, foi um soldado romano.
Ele chegou ao posto de capitão e morreu aos 30 anos no ano de 286 D.C. por não renunciar sua fé em Jesus Cristo. Por ordem do imperador Deocleciano, num primeiro momento recebeu flechadas às quais sobreviveu graças aos cuidados de uma mulher, mas em seguida foi espancado até a morte.
Naquele tempo a fé devia ser professada na figura do imperador e de diversos deuses, o que contrariava a fé cristã, monoteísta.
Sebastião tem origem no grego e significa “sagrado e venerável” e sua história é tão vária quanto rica na literatura católica. Ele é considerado protetor da humanidade contra a peste, a fome e as guerras.
Na diocese de Santo André, há uma paróquia dedicada ao santo, localizada em Rio Grande da Serra. De acordo com o pároco Rogério Duarte, São Sebastião alcançou grande devoção e piedade das pessoas por causa de sua poderosa intercessão em incontáveis milagres obtidos.
Talvez exatamente por isso, o santo se tornou popular e padroeiro ou protetor de muitas cidades, como a do Rio de Janeiro, cuja festa se realiza no dia 20 de janeiro, e bairros por todo o Brasil que receberam o nome de São Sebastião.

Entrevistado pela TVUNA/vitrine online, o pároco da igreja matriz de Nossa Senhora das Dores, Benedito Cesário, disse que a devoção a São Sebastião fortalece nossa fé e nossa confiança em Deus.
Conta-se que São Sebastião “era um cristão que irradiava ânimo para viver e mesmo durante a vida realizou diversos milagres, principalmente entre os doentes. Após a sua morte, passou a interceder por mais milagres. Enquanto funcionário do exército romano, São Sebastião curou pessoas cegas, surdas e com diversas doenças. Quando a peste atingiu a Europa na Idade Média, muitos invocaram a intercessão do santo e foram curados da doença, que já havia vitimado milhares de pessoas, como a atual pandemia do novo coronavírus (Covid-19)”.
Nascido em Narbonne (França), no século III, foi filho de uma família nobre e chegou a ser capitão da Guarda do Palácio Imperial em Roma, São Sebastião cumpria a disciplina militar, mas não participava dos sacrifícios idolátricos. Ele foi batizado e sempre zelou pela própria vida e dos irmãos.
Em certa ocasião, São Sebastião foi denunciado ao imperador por ser Cristão. O imperador então o obrigou a escolher entre ser seu soldado ou seguir Jesus Cristo. Ele escolheu sua fé e foi condenado à morte por flechadas.
Depois disso, ele foi dado como morto pelos soldados que lançaram as flechas, mas seus amigos perceberam que ele ainda estava vivo e o mantiveram vivo até se recuperar. Com a saúde recuperada, ele se apresentou novamente diante do imperador, que o repreendeu por seguir os cristãos.
Foi então que o imperador mandou açoitá-lo e, desta vez, Sebastião não resistiu e acabou morrendo. Uma basílica em sua honra foi construída em Roma.
Mais uma vez, seu corpo foi recolhido por uma mulher chamada Luciana, a quem pediu em sonho que o sepultasse próximo das catacumbas dos apóstolos.
No entanto, no século IV, o imperador Constantino, que se converteu ao cristianismo, mandou construir, em sua homenagem, a Basílica de São Sebastião, perto do local do sepultamento, junto à Via Appia, para abrigar o corpo de São Sebastião. Seu culto iniciou-se nesse período,

DEVOÇÃO SECULAR
É antigo o vínculo dos ibiunenses com São Sebastião, mas a devoção se acentuou durante a “gripe espanhola”, nos anos de 1917 e 1918, uma peste que provocou milhares de mortes no mundo. Mas, a população de Ibiúna, segundo consta por uma promessa feita pedindo a proteção de São Sebastião, não foi atingida pela moléstia. A promessa consistia em trazer nos braços do povo a imagem do santo de sua capela até a Matriz de Nossa Senhora das Dores, no centro da cidade, onde é venerada por três dias.
A romaria no começo era um simples ato de fé que exigia sacrifícios , pois não havia estradas e o acesso à capela no sertão era difícil. Nas primeiras romarias só iam até a capela – fica cerca de 35 quilômetros da cidade – os cavaleiros. Eles buscavam a imagem do santo que era envolvida por um manto vermelho. As senhoras e moças – relata a história – eram responsáveis pela organização da quermesse, novena que antecede as festividades e as prendas para os leilões.
A partir dos anos 1960, Antonio José Soares (seu Tonico) deu mais colorido aos festejos com a formação da Cavalaria de Honra de São Sebastião. O adorno do andor ficava por conta também das mulheres. Durantes mais de vinte anos, d. Antonia de Almeida organizava a equipe para enfeitar o andor. Essa incumbência, depois, foi transferida para a sra. Graziela Felizola Soares, ate sua morte. Desde então, seus filhos Antonio Carlos Vieira Ruivo e Luiz Francisco Vieira Ruivo assumiram essa tarefa que procuram fazer a cada ano com mais esmero e criatividade. Há trinta anos, eles conseguem, até o momento de sua aparição pública, manter em segredo seus enfeites do andor.

A ORIGEM DA FESTA
Reproduzimos abaixo texto do historiador ibiunense José Gomes Linense, em artigo fundamentado em pesquisas do autor e publicado pelo jornal Voz de Ibiúna,
“A devoção e predileção por santos na colonização do interior brasileiro denominavam as capelas, freguesias e paróquias. Esses santos tornavam-se padroeiros, considerados também protetores dessas freguesias e paróquias. Assim permanecem até os dias de hoje.
A festa em homenagem a São Sebastião, em Ibiúna – considerada a principal comemoração religiosa da região – provém dessa tradição histórica. Entre as versões que marcam o surgimento de São Sebastião na história de Una, a primeira, contavam os antigos moradores, é de que uma epidemia de febre amarela e varíola, simultaneamente, irrompeu-se em 1884, atingindo todo o sertão de Una, além de municípios vizinhos, como Juquitiba, Juquiá, Miracatu, Itapecerica da Serra, São Lourenço da Serra, Cotia e Vargem Grande Paulista. Segundo os defensores desta versão, a epidemia foi estancada após a promessa da jovem fazendeira Alexandrina Augusta de Góes, conhecida por Nha Xanda, pertencente à família dos Ruivos, de trazer do Rio de Janeiro uma imagem de São Sebastião e coloca-la em uma das grutas ali existentes, assim que a epidemia cessasse. A promessa resultou no milagre de que a epidemia cessou rapidamente.
O acontecimento, somado a ideia do Pároco de Una, Monsenhor Cintra, de construir um convento de padres naquela paragem, trouxe, em 1886, até as grutas, ou itaocas de São Sebastião, o Bispo Dom Lino Deodato, que pernoitou nas grutas, rezou missa, crismou os fieis e lançou o projeto para a construção da Capela de São Sebastião.
O INÍCIO DA TRADIÇÃO

Outro fato complementa a devoção. No início do século passado, em 1918, milhões de pessoas no mundo foram acometidas com a gripe Influenza Espanhola, cerca de 5% da população mundial. No Rio de Janeiro, cerca de mil pessoas morriam por dia. Na cidade de Una, com notícias de mortes em cidades vizinhas, as “Senhoras do Apostolado da Oração”, que rezavam todas as manhãs com o Padre Antonio de Sá Férros, convocaram o povo para que todos cultuassem a São Sebastião, pedindo graças e proteção contra a peste. Na ocasião, fizeram a promessa da Romaria. Como resultado da fé, não foi identificado nenhum caso de óbito no município de Una. Desde 1919, portanto, a imagem do venerando São Sebastião é transportada por cavaleiros e amazonas, desde a capela do bairro do Pocinho até a Matriz da Padroeira Nossa Senhora das Dores, onde é devotada com louvores.
As gerações seguiram a devoção e a promessa dos antepassados. Por isso, crianças, jovens e idosos partem todos os anos, no fim de maio, em direção ao bairro do Pocinho trazendo de lá a imagem de São Sebastião até a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores, rezando e cantando louvores, em um ato de fé e gratidão ao santo do catolicismo.
Se por um lado o canto de Nossa Senhora das Dores deu início ao louvor da fé um povo que surgiu em uma cidade que se iniciava, São Sebastião viria logo após para zelar pela saúde deste mesmo povo, imbuído de muita esperança. Os pontos de fé e gratidão tinham propósitos de alicerçar a cidade, também amor e devoção. Mas a fé dos ibiunenses, ainda é reforçada pelo louvor ao Divino Espírito Santo. Portanto, há um século, São Sebastião é louvado pelo povo que tem como objetivo servir a Deus e a Jesus Cristo.”
ORAÇÃO A SÃO SEBASTIÃO
“Glorioso mártir São Sebastião, soldado de Cristo e exemplo de cristão, hoje vimos pedir a vossa intercessão junto ao trono do Senhor Jesus, nosso Salvador, por Quem destes a vida. Vós que vivestes a fé e perseverastes até o fim, pedi a Jesus por nós para que sejamos testemunhas do amor de Deus. Vós que esperastes com firmeza nas palavras de Jesus, pedi-Lhe por nós, para que aumente a nossa esperança na ressurreição.
Vós que vivestes a caridade para com os irmãos, pedi a Jesus para que aumente o nosso amor para com todos. Enfim, glorioso mártir São Sebastião, protegei-nos contra a peste, a fome e a guerra; defendei as nossas plantações e os nossos rebanhos, que são dons de Deus para o nosso bem e para o bem de todos. E defendei-nos do pecado, que é o maior de todos os males. Assim seja.”
PROGRAMA DA FESTA
Neste domingo (28), às 10h, houve a missa dos festeirinhos e bênção das roscas do Divino, na Igreja Nossa Senhora das Dores. Às 18h, ocorre a procissão do Divino Espírito Santo e, em seguida, Missa na Matriz.
Na segunda-feira (29), às 18 horas, novamente tem procissão de São Sebastião e do Divino Espírito Santo nas ruas centrais; em seguida haverá missa na igreja Matriz.
Na terça-feira (30), no encerramento da festa, será celebrada a Missa de Despedida da Imagem, na Igreja Nossa Senhora das Dores, na Matriz; às 12h, Santo Terço, na Fazenda Santa Maria, no Piaí, e, para finalizar os festejos e homenagens, missa da ‘Volta da Imagem’, no Sertão (Bairro do Pocinho).
SHOW MUSICAL
Depois da missa, haverá show musical na praça da Matriz.
A Prefeitura de Ibiúna divulgou o show da dupla Gian e Giovani como principal atração cultural da festa. Os sertanejos apresentarão no palco da Praça Matriz no dia 29 de maio, segunda-feira, véspera do feriado municipal.
