ARTIGO – PREFEITURA DE IBIÚNA ANTECIPA PAGAMENTO AOS SERVIDORES
A prefeitura de Ibiúna é a maior empregadora do município com cerca de 2.700 servidores e comissionados, o que envolve um contingente social de mais de 10.000 pessoas.
O espetacular anúncio da antecipação do pagamento ao corpo funcional, antes do feriado da Páscoa, foi recebido como boa iniciativa do Executivo que, de 1º de janeiro/2025, início da atual gestão a 31 de março de 2026, arrecadou R$ 513.104.457,99.
Em vez de carimbar os holerites no dia 5, Domingo de Páscoa, a liberação ocorreu nesta quinta-feira (2.4), o que significa, de acordo com o próprio governo, um impulso para “o fortalecimento do comércio local, já que aumenta a circulação de recursos”.
O aplauso deve ir também para a população que recolhe os tributos e banca os investimentos públicos, inclusive para que se possa honrar a sagrada folha de pagamento dos servidores.
A nota oficial da prefeitura começa apontando que “com as contas em dia, a cidade deixa a imagem de ‘finanças quebradas’ para ser exemplo na região. É exatamente esse tipo de enfoque, com um traço de arrogância, que pode ser considerado um exagero.
De fato é muito melhor receber o pagamento em dia, melhor ainda antes da data normativa, do que receber com atraso como, de fato, vinha ocorrendo no município.
Mas, se formos atentos aos comentários feitos pela população, iremos verificar (referindo-nos à região) depoimentos, por exemplo, de que São Roque e Cotia realizam o pagamento no dia 30 de cada mês.
Além disso, é preciso considerar a observação de um cidadão, R. B. R., que nos remete para o núcleo do propósito político da medida. Ele escreveu:
“Que fase, uma antecipação de pagamento vira notícia de jornal. Tá f. mesmo, hein!”
Mas e é aí que se pode revelar a indignação quando se relaciona com o espetáculo. Na festa de São Sebastião, em maio, também haverá antecipação do pagamento para pessoas festejarem com “os bolsos cheios”? Claro! Tomara que sim, né?
O OUTRO LADO DA HISTÓRIA
Como, então, fica a realidade no âmbito das pequenas paisagens da realidade, envolvendo situações particulares da população de grande relevância? E aqui citamos dois exemplos singelos.
Primeiro: perguntamos ao balconista de uma loja como estava vendo o desempenho do governo. A palavra sintética foi de notória reprovação. Motivo: o filho de quinze anos é autista e precisa de um medicamento de uso continuo, que depende de consulta e exame de sangue. A queixa: a liberação do medicamento demora e o pai calcula que tem que desembolsar cerca de R$ 700,00/mês. Cada caixa custa em torno de R$ 100,00 e dura somente três dias.
Segundo: a sra. E. R. postou a seguinte queixa: “Fui na segunda-feira e ontem (refere-se a dois dias desta semana) no (sic) postinho de Lagiadinho (sic), não tem água, os idosos querendo beber água, comentando, os funcionários tudo desconversando porque tem medo. Só um banheiro aberto, todo sujo, cheio de m., sem condições de uso, saúde sem ter higiene. Sem água não tem saúde pública.”
HORA DA VIRADA
É, em princípio saudável, o anúncio feito pelo chefe do Executivo na festa de aniversário dos 169 anos de Ibiúna, de que este ano dará uma virada histórica na cidade. Pois é isso que todos esperamos! Mas, temos insistindo, aparentemente a ouvidos moucos, na necessidade de congruência no comportamento das autoridades públicas.
Entendemos que governar uma cidade é um desafio gigantesco, que existe um comprometimento extremo e de uma equipe que comunga dos mesmos ideais e objetivos, o que, por si só, já é uma questão a ser refletida. Isto porque integrantes de grupos políticos adversários compartilham os mesmos ambientes e desconfianças recíprocas.
Por isso mesmo, cabe ao jornalista profissional manter-se equidistante das influências oficiais, pois uma de suas éticas é exatamente incentivar a prática da autonomia do pensamento, porque muitas narrativas carregam dentro de si ideologias da persuasão e convencimento. Cabe bem, um pouco mais de humildade nas palavras e gestos, e um pouco menos de preocupação excessiva em querer salvaguardar uma imagem pública a qualquer preço.
De resto, continuamos na esperança de que o atual governo consiga mesmo dar uma virada histórica na atual história de nossa cidade. (Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online)
