ALUGA-SE UM JORNALISTA OU ALGUMAS PALAVRAS PARA QUEM VIVE EM IBIÚNA

Se você, leitor(a) vive em Ibiúna, depende dos serviços públicos municipais, como saúde, transporte, educação, segurança pública, zeladoria, etc., este artigo foi escrito para você.

Mas, naturalmente, você pode descartá-lo como uma embalagem vazia de salgadinhos ultraprocessados, como algumas pessoas fazem de modo automático, porque política, você assim a pode ver, é um assunto desprezível.

Mas saiba, antes de seguirmos em frente, que é exatamente esse desprezo por política, que afeta a vida diária de todos nós, que dá aos políticos profissionais um prazer emocional intenso como objeto de poder.

Isso acontece porque eles se sentem livres e desimpedidos para fazerem o que bem entendem, sem serem incomodados por cidadãos atrevidos e exigentes dos seus direitos.

Vamos por parte.

Você já reparou como a maioria absoluta dos anúncios publicizados das autoridades se referem a coisas que vão acontecer no futuro, como melhoria nas estradas, sem previsão de datas para execução do serviço, sem apresentar um cronograma das obras?

Veja o que acontece em sua cabeça, se você não reagir criticamente às influências dos políticos.

Você fica com aquela informação de que muitas obras serão feitas e isso é uma notícia positiva, em princípio. Mas, o tempo vai passando e a tendência é que esqueçamos muitas coisas do que vemos e ouvimos e as promessas feitas caem no limbo da memória.

Repare! Logo mais chegaremos a dezembro ou à metade do tempo de mandato dos prefeitos eleitos em 2024. O tempo passa que a gente nem percebe e as coisas ficam por ser resolvidas.

Tome esse exemplo. É apenas um exemplo. Temos falado aqui das obras paralisadas do já famigerado e interminável Teatro Municipal Alto da Figueira. Ele foi objeto de um anúncio, também, e o futuro foi ultrapassado.

Quanto terá consumido de algo em torno de R$ 7,9 milhões [anunciados nas placas oficiais da obra], que era o montante inicial dos recursos disponibilizados pela Secretaria de Turismo e Cidades do estado de São Paulo? Não há informações disponíveis, apesar de termos solicitado de modo insistente. É preciso considerar ainda um montante da chamada contrapartida que deve ser paga pela municipalidade.

Ele foi contratado pelo governo anterior e deixado para o atual como um abacaxi a ser descascado. Que coisa feia, né? Geralmente, os governos que saem e os que entram falam idiomas diferentes e divergentes, como se vê na história real de quatro em quatro anos.

Numa sintonia fina com o assunto, uma representante do governo anterior atribuiu a responsabilidade pela conclusão da obra ao atual governo.

O atual governo, de seu lado, atribui informalmente a responsabilidade pela manutenção da obra ao governo anterior que não renovou o contrato que venceu em dezembro de 2024, último mês do governo anterior. Um belo samba de duas notas!

Aqui temos defendido, até agora em vão, que, mesmo que não possa ser culpabilizado pelo abandono da obra, o atual governo tem a obrigação moral de esclarecer a situação real desse projeto à opinião pública.

Uma obra, aliás, discutível sob o ponto de vista de sua inadequada localização, bem longe do centro da cidade. Construir um teatro longe do centro urbano, com difícil acesso para os cidadãos, não é aconselhável, pela importante questão da acessibilidade, considerando que  a maioria depende de ônibus para se locomover.

Lembremos o que estamos tratando aqui. As autoridades do governo anterior postaram vídeos entusiasmados, dizendo que esse teatro tinha sido uma conquista privilegiada para o município, em relação a outras cidades vizinhas. Só que por falta de pagamento, por que outra razão seria?, a empresa construtora, sem receber, juntou seu material, reuniu seus funcionários, e picou a mula.

O esqueleto do elefante branco é visível da cidade no Alto da Figueira, onde existe a ruína do que fora um dia um mirante do qual se via a cidade e que hoje está igualmente abandonado.

Em outro momento poderemos falar da situação do sistema de saúde pública, se é que você chegou a ler esse artigo até aqui, o que é em geral pouco provável, porque o hábito da leitura está cada vez mais raro.

Por isso, as autoridades continuam apostando na massificação de vídeos tiquetoquianos irados e descolados, estes sim vistos abundantemente porque são superficiais, ultrarrápidos, de fácil absorção visual e auditiva, e consumidos sem o aval da razão.

Mas, isso já é uma outra história, e eu preciso preparar o café da manhã. (Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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