DEPOIS DA CHUVA, A SOLIDARIEDADE E A LIÇÃO DE HUMILDADE

O distrito do Paruru, no município de Ibiúna, foi o lugar mais afetado pela intensa chuva de granizo e vendaval que assolou a região de Sorocaba na tarde e noitinha do último sábado (18).

Mais de cem casas cobertas com telhas tipo Brasilit tiveram seus interiores e móveis invadidos pelas águas por conta dos buracos abertos em seus tetos pelas pedras de gelo.

— Tudo aconteceu muito de repente e molhou tudo dentro de casa, disse uma moradora ouvida pela TVUNA.

Esse foi o lado ruim de um episódio atmosférico. O lado bom foi que a equipe do atual governo municipal pode exercitar uma forte experiência de solidariedade.

Agiram rápido, levando o que havia disponível para acudir as famílias atingidas: água, cestas básicas, kits de higiene, cobertores, colchões, lonas de plásticos, telhas.

Os trabalhos de apoio prosseguem porque as necessidades de cada família têm algo comum, mas também algumas peculiaridades, que requerem agilidade e ações específicas. Um exemplo: em algumas casas não era só a telha o problema, mas também frágil madeiramento de sustentação.

Isto posto, vamos ao núcleo das intenções destas linhas.

Essa foi a maior experiência de um ato de solidariedade do atual governo, que exigiu intensas movimentações de pessoas e objetos de combate aos danos sofridos. E, se estivermos fazendo a aposta certa, uma lição de humildade para os administradores da cidade.

A palavra humildade em sua raiz latina significa aquele que está perto do solo. Trata-se de uma indicação de modéstia e ausência de soberba. Assim como o húmus (matéria orgânica no solo) fertiliza a terra, a humildade é vista como a base que torna a existência fértil e virtuosa.

E isso tem muito a ver com telhas frágeis perfuradas, águas agitadas pelo vento penetrando no interior das casas e tornando a vida um palco de desconforto e agitação emocional.

Bem, o próximo passo é relacionar a raiz da palavra húmus ao conceito de humano, de que se origina. Portanto, a mobilização da equipe da prefeitura e de voluntários que se juntaram à causa foi – e está sendo – uma lição de vida e de suas contingências para todos.

Quando a chuva desabou sobre a cidade no sábado, o prefeito se encontrava em Brasília, fazendo um curso de gestão pública, buscando aprimorar sua visão administrativa.

Mas nesta segunda-feira (21) quando retornou à cidade, pegou sua moto e foi percorrer as casas atingidas para ter uma dimensão das medidas necessárias a serem tomadas para que a normalidade seja retomada na vida de mais de seiscentas pessoas.

Talvez essa chuva de pedras inesperada e assustadora tenha o seu lado benéfico ao provocar por meio de cenas explícitas de solidariedade o despertar do indispensável espírito de equipe dedicado ao trabalho pelo bem comum, que no fundo diz respeito sempre a questões humanas. (Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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