IBIÚNA – TRANSIÇÃO NO HOSPITAL DEVE TER UM FOCO PRECISO: MELHORAR OS SERVIÇOS AOS PACIENTES

O município de Ibiúna sempre conviveu com um sistema de saúde público precário. Esse fato o tornou o mais sério e prioritário problema social, entre outros, como o transporte, as estradas, a segurança.

Agora nesse clima de temperaturas baixas, enfrenta um momento que exige atitudes delicadas, no sentido de não gerar animosidades e suspensão temporária de interesses meramente comerciais. É a saúde do povo que está em jogo.

Trata-se da complexa transição gerencial do Hospital Municipal de Ibiúna – HMI de uma para outra empresa, que exige uma harmoniosa e feliz competência de reciprocidade entre ambas na passagem dos serviços e na “acomodação” do pessoal – principalmente médicos e profissionais da enfermagem – numa estrutura física amplamente reconhecida como obsoleta. Será ou deveria ser como Fênix ressurgindo das cinzas!

O dia 19 foi marcado no calendário como a data para a assunção oficial do HMI  pela vencedora da licitação – Instituto Morgan – dos serviços que vinham sendo prestados desde 2019 pelo Igats e isso não se realiza como apertar um botão na parede para acender lâmpadas.

A razão é elementar: trata-se de um hospital que não pode parar e cujas demandas implicam, além de rotinas, de casos imprevisíveis de emergência e de urgência, que exigem ações rápidas e disponibilidade de recursos precisa, incluindo aparelhos e medicamentos. Tudo funcionando a contento.

É fundamental que a equipe, e prevê-se que muitos dos atuais profissionais poderão permanecer nos seus postos, contratados pela nova empresa, recebam uma clara comunicação de propósitos, de missão, de valores, e, especialmente, para que se sintam bem informados, seguros e motivados, em suas respectivas funções.

Não se deveria descartar um ritual de passagem com a reunião coletiva de toda a equipe em um único local [ainda que em períodos compatíveis com os plantões] para que houvesse uma retumbante despedida do passado e de sua fama nefasta e a passagem para um novo tempo em que a prestação de serviços de excelência seja contemplada como prioridade absoluta.

É previsível que em uma transição desse porte haja riscos de falhas típicas de processos de mudanças. Em uma casa se exigem cuidados especiais com peças de cristais e obras de artes em cerâmica para que não se quebrem.

Mas, para sustentar essa posição tipicamente profissional, é preciso trabalhar com informação de qualidade e processo de comunicação sistêmico, de modo que abranja todos os integrantes da equipe no compromisso comum compartilhado por todos.

Até mesmo um símbolo de lapela com um slogan vibrante poderia ser cogitado.

O porteiro, o faxineiro, a cozinheira, o pessoal da lavanderia, manutenção, e outros profissionais de serviços mais invisíveis precisam fazer parte do mesmo cenário porque todos os serviços são interdependentes.

Talvez um ótimo momento para sugerir a implantação de uma filosofia de qualidade total, prevendo avaliação constante de desempenho e melhoria contínua em todas as áreas. O produto dessa atividade daria uma orientação de correção de rumos e avaliação de resultados.

Tanto na condição de jornalista quanto, agora na condição de Conselheiro Municipal da Saúde, ficarei atento por um único motivo: ou o serviço público de saúde do município melhora efetivamente ou terá que buscar novas alternativas. (Carlos Rossini)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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