IBIÚNA – A DOR DA MÃE EM BUSCA DE REMÉDIO PARA O FILHO
A mãe mora com o filho de 29 anos no bairro Gabriel, com diagnóstico de esquizofrenia e bipolaridade. Ele faz tratamento com uso contínuo de quetiapina, um antipsicótico que age no cérebro equilibrando neurotransmissores como a dopamina e a serotonina.
O filho sofreu um surto, foi levado ao Hospital Municipal de Ibiúna, onde permaneceu por alguns dias, sendo, em seguida, transferido para o Conjunto Hospitalar Sorocaba – CHS, para atendimento psiquiátrico.
Após receber cuidados alguns dias, o médico o liberou com um laudo, mas não teria fornecido um relatório indispensável para prosseguir o tratamento em Ibiúna, com medicamento cujo uso não pode ser interrompido.
A mãe foi à Farmácia de Alto Custo na última quinta-feira (18) para retirar comprimidos de quetiapina, mas foi informada que não havia remédio disponível para o filho, apesar da boa vontade dos funcionários com o caso. Provavelmente isso deve ter acontecido porque não houve a entrada dos documentos indispensáveis para encaminhar a solicitação à Secretaria Estadual da Saúde que fornece os medicamentos.
Aí começou sua aflição, que se transformaria em desolamento; vieram as lágrimas. A mãe está sem trabalho. Um homem observando a dramática situação doou R$ 50,00 para ela adquirir pelo menos uma caixa do comprimido [custa R$ 59,00, e dá para apenas cinco dias]. Ela portava vários papéis médicos.
Partiu para a sede da Secretaria da Saúde para tentar encontrar uma solução. Ficou na entrada atendida pelas recepcionistas às quais passou a mostrar a papelada médica, desconsolada com a situação.
O que ouvia, na forma de orientação, a deixava cada vez mais abalada. Seu rosto se transfigurava em amargura, misturada às lágrimas de mãe, ao perceber perdida a batalha para socorrer o filho.
Segundo disse haviam marcado uma nova consulta com o neurologista do Centro de Especialidades para começar um processo novo para ter acesso ao medicamento, o que pode demorar até mais de um mês, desde que seja confirmada a consulta e o médico concorde com o procedimento que não foi iniciado por ele, e sim pelo médico do Conjunto Hospitalar Sorocaba.
Desolada, saiu da sede da Secretaria da Saúde, seguiu a pé e solitária pela rua sentindo a dor que só uma mãe sente quando está em jogo a vida do filho.
Uma experiente funcionária do setor de saúde, ao analisar o caso, disse que provavelmente o rapaz é paciente da rede municipal e que pode ter deixado de renovar periodicamente o processo para se manter conectado.
“Nessa situação, é nossa responsabilidade prover o medicamento.” Mas, o paciente precisa passar pelo psiquiatra do CAPs – Centro de Atenção Psicossocial para atualizar consulta e exames, a fim de que o fornecimento da medicação possa ser restabelecido, o quanto antes.
COMO FUNCIONA
Os medicamentos de alto custo são fornecidos para Ibiúna pela Secretaria Estadual de Saúde, através da Delegacia Regional de Sorocaba – DRS-16, após cumprido um processo que envolve consulta, realização de exames, elaboração de laudo e de relatório com a descrição do quadro clínico do paciente.
A partir daí a farmácia especializada encaminha os pedidos que são recebidos pela Assistência Farmacêutica do Estado de São Paulo, responsável pelo fornecimento.
Considerados medicamentos especializados, eles são reunidos de acordo com as quantidades prescritas pelo médico e identificados com o nome do paciente, de modo específico e intransferível.
Se o paciente não retirar dentro do prazo estabelecido, os medicamentos são devolvidos à sua origem. O controle é rigoroso.
A maioria absoluta dos usuários são pessoas carentes e sem recursos para adquiri-los em farmácias comerciais.
A retirada desses medicamentos no município de Ibiúna no mês de julho deve ser feita de 21 a 24, das 7 às 15h30.
A Farmácia de Alto Custo funciona no andar superior do Centro de Especialidades, na rua Zico Soares, 108 – tel. (15) 9-9634-4731.
SAIBA MAIS
Medicamentos de alto custo são remédios voltados para doenças raras, crônicas ou de alta complexidade (como esclerose múltipla, câncer e lúpus).
Eles recebem esse nome pela complexidade do tratamento ou alto valor agregado, sendo fornecidos gratuitamente pelo SUS (via CEAF – Componente Especializado da Assistência Farmacêutica) e pelas Secretarias Estaduais de Saúde.
O fornecimento desses medicamentos funciona de maneira estruturada.
As Secretarias Estaduais de Saúde são responsáveis pelo armazenamento e pela entrega. Muitas vezes, esses locais são chamados popularmente de “Farmácias de Alto Custo” ou “Farmácias do Estado”.
O Ministério da Saúde, em conjunto com os estados, define os PCDT (Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas), que determinam quais doenças e remédios são cobertos.
Para solicitar esses medicamentos, você deve procurar a Farmácia de Medicamentos Especializados mais próxima (geralmente na capital ou em polos regionais). No caso de Ibiúna é a Farmácia de Alto Custo.
Para isso são necessários os seguintes documentos: receita médica atualizada; Laudo Médico Especializado (LME) preenchido pelo médico; exames recentes que comprovem o diagnóstico, documentos pessoais (RG, CPF e Cartão do SUS) e comprovante de residência.
Você pode consultar as listas de medicamentos padronizados, doenças atendidas e unidades de entrega na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo ou no portal do Ministério da Saúde.
________________________Nota da Redação: a imagem fotográfica desta notícia é meramente ilustrativa.
