IBIÚNA – SAÚDE CONTINUA CALCANHAR DE AQUILES DO GOVERNO MUNICIPAL

O atual governo de Ibiúna entra em seu 19º mês de mandato com o maior dos seus desafios em questão: o sistema público de saúde. Não há nestas linhas nenhum propósito de acusá-lo de negligência, mas descortinar, perante a opinião pública, uma realidade que precisa ser encarada de modo transparente.

Tornou-se corriqueiro, não sem razão, o argumento utilizado pelas autoridades do setor de que o Hospital Municipal é o lugar de convergência de uma grande demanda de pacientes vindos dos bairros [são aproximadamente 90 em todo o município para 16 postos de saúde].

O argumento paradoxal reiterado é que muitos casos, por estarem fora das categorias definidas como emergenciais e urgenciais, poderiam ser atendidos nos próprios bairros, o que evitaria os frequentes congestionamentos na recepção do hospital e uma pletora de reclamações, sobretudo de grande demora no atendimento.

Do ponto de vista lógico essa perspectiva está aparentemente correta, no entanto a realidade é bem diferente. Para que essa lógica ocorresse na prática, seria necessário que os postos de saúde funcionassem a contento e de modo competente, o que não ocorre.

Daí, naturalmente, os cidadãos procurarem invariavelmente o hospital onde esperam receber atenção e cuidados imediatos, o que não acontece na prática por excesso de demanda já mencionado. Há bairros que não contam com posto de saúde e esse fato, por si só, faz com que a população procure o hospital.

Essa contradição real e objetiva tende a manter a situação de insuficiência e inadequação por um período longo, se o Poder Executivo não intervir com eficiência para resolver, ou minimizar, o problema crônico que se verifica em Ibiúna, apesar as verbas de emendas parlamentares, da inserção da tabela do SUS paulista, como celebrou o atual prefeito como uma grande conquista.

Há ainda, neste momento, grande expectativa em relação à nova empresa que assumiu a gestão do hospital e que precisa mostrar serviço e resultados positivos, que é o que todos esperamos.

REDE BÁSICA

Voltando à questão da rede básica formada por um posto central na cidade e 15 em bairros, é notório que será necessário fazer uma revolução nos serviços dessas unidades, de modo que possa ocorrer a conquista de confiança na população, a ponto de se disciplinar a procurá-los, em vez de irem direto para o hospital.

Somente quando isso acontecer a demanda hospitalar se reduzirá, não antes.

O postinho do Morro Grande [veja a foto que abre esta notícia] é um exemplo do que estamos falando. É notório que está a exigir a atenção do governo para apagar a imagem de um local com aspecto de abandono como se encontra.

Precisa não apenas visualmente ser repaginado, dentro e fora de suas poucas salas, mas funcionar a contento, a ponto de se tornar um ponto de referência acreditado pela população.

Ao que consta, vários outros postos nos bairros [como o do Rosarial como mostrou a TVUNA] requerem o mesmo tipo de atenção para que possam funcionar e cumprir o papel importante que lhes compete para melhorar a qualidade dos serviços de saúde prestados nos bairros à população ibiunense. (C.R.)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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