SAÚDE PÚBLICA DE IBIÚNA MERECE TRANSPARÊNCIA

Por Lucas Pires – vereador e presidente da Comissão de Saúde de Ibiúna

A saúde pública é, sem dúvida, a maior urgência da nossa cidade. Filas de espera para consultas com especialistas, exames, fisioterapia e cardiologia são uma realidade dolorosa para muitos cidadãos de Ibiúna. Por isso, quando o Prefeito Mário Pires enviou à Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 252/2026, que cria a chamada “Tabela SUS”, eu fui o primeiro a reconhecer: a ideia central é boa.

O objetivo do projeto é credenciar médicos e clínicas particulares para atender a nossa população e zerar essas filas. Como vereador e Presidente da Comissão de Saúde, eu jamais seria contra uma iniciativa que visa aliviar o sofrimento das pessoas. No entanto, uma boa intenção não sobrevive a um projeto mal escrito.

Ao analisar o texto original enviado pelo Executivo, ficou claro que o PL 252/2026 era genérico, cheio de lacunas e, em alguns pontos, perigoso para os cofres e para a qualidade do atendimento ao cidadão. O projeto falhava em questões básicas:

– Valores defasados: a remuneração proposta aos médicos credenciados é baixa, o que dificulta a atração de bons profissionais.

– Falta de critérios de qualidade: o texto não exige nenhuma comprovação rigorosa de excelência na hora de selecionar os médicos e clínicas que farão os atendimentos.

– Incerteza sobre a localização: não há garantias de onde esses atendimentos ocorrerão. Serão fora de Ibiúna? Se sim, como os pacientes, muitas vezes debilitados, serão transportados?

– Cheque em branco: o projeto permitia que futuros reajustes fossem feitos sem passar pela aprovação da Câmara, retirando o poder de fiscalização dos vereadores.

Para corrigir essas falhas graves, garantir a transparência e proteger o dinheiro público, apresentei 10 emendas (alterações) ao projeto.

Minhas emendas não mudavam o objetivo do prefeito, mas sim o método. Elas exigiam critérios claros para o credenciamento, regras de transporte e localização para os pacientes, transparência das filas e a obrigatoriedade de que qualquer reajuste futuro passasse pela fiscalização da Câmara Municipal. Eram travas de segurança para garantir que a Tabela SUS funcionasse na prática, e não apenas no papel.

Infelizmente, a maioria dos vereadores rejeitou as minhas emendas. O motivo? Nenhuma justificativa técnica. Nenhum debate sobre como melhorar a saúde. Votaram contra simplesmente porque seguiram a orientação do líder do prefeito, que pediu a rejeição das melhorias.

Ao derrubarem emendas que traziam transparência e qualidade, a base do prefeito aprovou um projeto no escuro.

Continuarei fiscalizando cada passo da implementação dessa Tabela SUS. A população de Ibiúna tem o direito de ser atendida com dignidade, por bons profissionais, perto de casa e com total transparência sobre como o dinheiro dos nossos impostos está sendo gasto. O meu compromisso sempre será com a saúde e com a verdade, e não com orientações cegas de lideranças políticas.

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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