IBIÚNA – MISSÃO DO INSTITUTO MORGAN VAI ALÉM DO ATENDIMENTO HOSPITALAR

A missão do Instituto Morgan, que assumiu no dia 19 de junho a gestão do Hospital Municipal de Ibiúna – HMI, vai além de assegurar a melhora substancial no atendimento de resultados aos pacientes, pela qual sua equipe está notavelmente empenhada.

Seu triunfo será consagrador se, além de atingir padrões de excelência em seus serviços, em que começou a atuar, conseguir apagar da memória dos cidadãos o estigma negativo que marca há décadas o HMI, nos sucessivos governos municipais que não conseguiram dotá-lo da credibilidade junto à opinião pública.

Quem acompanha a história do HMI sabe dos seus frequentes tropeços, recaídas e graves acontecimentos que comprometem a precária imagem do seu desempenho, a despeito dos esforços dos profissionais da saúde. Isto porque, mesmo que se empenhem à exaustão em dar o melhor de si por amor ao ofício, se sentem impotentes diante dos problemas decorrentes da miopia ou mesmo incompetência dos administradores do município e que fogem à sua competência.

Entre os fatos históricos que fazem parte de sua trajetória há relatos de atrasos crônicos de pagamentos dos profissionais de saúde e das empresas terceirizadas prestadoras de serviços, como raio-X e laboratório de análises, demora às vezes gritantes no atendimento aos pacientes, falta de medicamentos e insumos, plantões complicados por contingências, conflitos de natureza comportamental, entre outros motivos de queixas populares estampadas nas redes sociais.

Não será exagero dizer que o hospital chegou a fechar as portas exatamente quando o prefeito era um médico, só para citar uma situação tão irônica quanto paradoxal.

É preciso repisar que o HMI é o único hospital da cidade e o lugar inapelável para quem precisa atendimento emergencial ou urgente, até que, quando requerido, o paciente seja estabilizado e possa ser transferido para um dos hospitais que atendam casos de alta complexidade em Sorocaba, sede de referência para toda a região, ou mesmo São Paulo.

Por que não há para onde fugir, na hora da premente necessidade, o destino imediato das ocorrências é o Hospital Municipal de Ibiúna. É fundamental, portanto, que se aprimore sua estrutura e funcionamento para fazer jus à responsabilidade que lhe cabe no sistema de saúde público, vinculado ao SUS.

E é exatamente esse o ponto que preconizamos aqui e agora. Ao Instituto Morgan, presidido pelo empresário Amando Ganem Monte Alto, está entregue, por meio de licitação, o papel histórico de revolucionar o atendimento do HMI e apagar da memória da população os aspectos negativos de sua imagem construída no dia a dia ao longo do tempo.

Amando: sua empresa passa a enfrentar um desafio histórico no município de Ibiúna

Isso certamente será facilitado se a rede básica de saúde, com seus postos nos bairros, conseguir conquistar a confiança e passar a atrair os pacientes para casos que não precisariam necessariamente do hospital num primeiro momento.

Mas, esse contexto somente acontecerá se os atendimentos nas UBSs locais, entregues a outra organização, se mostrarem eficientes em atendimento profissional satisfatório, na percepção de resultados e dos sentimentos dos pacientes.

Por último, mas não menos importante, a Prefeitura terá que honrar com sua parte de responsabilidade no processo de livrar o hospital de sua notória má fama, até aqui. (C.R.)  

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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