VOCÊ PODE VIVER BEM, SEM OS “BISCOITOS” DA INTERNET

No ambiente da internet, um dos significados da palavra “biscoito” é pedir atenção ou elogios nas redes sociais (o famoso “biscoitar”).

O lado ruim dessa gíria é exatamente o sofrimento emocional causado nas pessoas quando elas não recebem a atenção que esperam, ou quando ficam sem “biscoito”.

Um dos efeitos perversos dessa modernidade enlouquecedora é sentir-se “desconectado”, num universo horizontal em rede que tornou todas as pessoas em mídias, e cujas vidas, parecem precisar de validação dos outros para sentirem-se vivas.

Esse é um lado trágico da modernidade, cujo efeito mais evidente se traduz em despersonalização dos indivíduos pelo fato de estarmos vivendo dentro de uma bolha ilusória, já que a única maneira de uma pessoa viver é sendo ela mesma, independentemente da opinião dos outros. E esse é um desafio imenso.

Não há na história da humanidade algo mais temido do que se sentir desamparado e rejeitado do “rebanho”, de não fazer parte, de não se sentir como pertencente ao grupo.

O resultado se reflete nos mais doloridos problemas emocionais no ambiente de conflitos e da brutalidade que se estabelecem no universo virtual, com reflexos diretos no psiquismo, sobretudo de pessoas com dificuldades de relacionamentos com outras pessoas.

Não é à toa que a depressão é a doença mais incapacitante deste século, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, com consequências alarmantes. O suicídio é a segunda causa de morte de jovens em grande parte do mundo atual.

Pensar por si mesmo, sem medo dos próprios pensamentos que surgem independentemente de nossa vontade, se tornou uma atitude indispensável para a manutenção da sanidade e de valorização da vida, em primeiro lugar.

É preciso conviver com as dores do mundo e saber expressar o que sentimos para nós mesmos e para os outros, com os quais nos relacionamos. É preciso cultivar uma vida saudável física, mental e espiritual.

Isso é possível, desde que consigamos nos proteger da gigantesca e complexa massa de informações jamais vista na história da humanidade, que nos chegam ininterruptamente nas telas de nossos celulares e invadem nossos olhos.

Se fomos “educados” para somente repetir, copiar e obedecer, então é lógico que não saberemos como agir, pensar, escolher o que realmente importa para a nossa vida. E o que mais importa é a própria vida, sua, única, que precisa ser valorizada como um bem supremo.

Você e eu podemos viver sem “biscoitos”, se tivermos uma vida de amor, respeito e reconhecimento daqueles poucos que nos conhecem e nos respeitam, que incluem nossos familiares e amigos, sobretudo. (Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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