ESMAGARAM MEU [ÚNICO] PÉ ESQUERDO
Na manhã do dia 28 de agosto estava gravando vídeo para a TVUNA da assembleia dos trabalhadores da saúde no Hospital Municipal de Ibiúna, que estava se realizando na rua, em frente à Casa da Gestante. Havia ali um aglomerado de pessoas, entre as quais me incluía.
A assembleia era para votar a proposta [foi aprovada] do governo municipal de quitar em seis parcelas as dívidas trabalhistas deixadas pelo Igats, [empresa que gerenciava o hospital] relativas a 162 profissionais da saúde e mais de 20 mulheres que trabalhavam na limpeza do hospital.
De repente, sinto um impacto do retrovisor de um carro branco nas minhas costas. O carro avança e passa em cima do meu pé esquerdo. Um peso infinito! Meu pé dobra dentro de um par de tênis que ganhei do meu neto.
Bato no vidro com película escura para que o carro pare. Ando até o lado onde está a motorista, que soube tratar-se de uma técnica de enfermagem que trabalha no Hospital de Ibiúna como instrumentadora. Aviso: “O seu carro passou sobre o meu pé.”
Ela não para, deixa o carro se movimentar na descida da rua, apenas, não para, não se interessa em saber o ferimento causado no meu pé. Apenas diz: “Entra aí [no hospital] que eu pago!?” Continua descendo a rua.

A LESÃO
A lesão causada no meu pé esquerdo provocou diversos efeitos: não pude participar de um curso em São Paulo como membro do Conselho Municipal de Saúde, deixei de fazer minhas caminhadas diárias, estou tomando medicamentos para evitar outras complicações. Agora deverei fazer uma tomografia do pé esquerdo, o único que tenho, pois não há estepe nessa situação.
Várias pessoas sugeriram que eu registre um BO. Aí aprendi várias lições que compartilho com você leitor.
Para fazer um BO, pedi orientação na Delegacia de Polícia. Lá, fui informado pelo escrivão que, em primeiro lugar, devo passar no hospital [fazer a triagem, consultar um médico, passar por um raio-X e ser avaliado por um médico para obter um laudo da lesão provocada, aí, sim, posso iniciar o BO.
Na sequência, a Delegacia emite um requerimento com o qual devo seguir até Sorocaba para fazer um exame de corpo de delito no IML, a fim de validar aquilo que vejo em mim: o meu pé esquerdo ferido e dolorido.

Fui até o hospital e acabei de ser orientado a falar com o RH da nova empresa que está gerindo o hospital. Meu objetivo era saber o nome da pessoa que até hoje não se interessou pelo danos que causou a um senhor idoso (Argh!). Mas a funcionária da empresa [a quem irei pedir desculpas pelo meu comportamento inadequado] disse que a lei não permite que a empresa passe dados pessoais dos seus empregados.
Soube, mais tarde, que tenho direito a essa informação, mas preciso fazer um pedido formal.
Ouvi o seguinte conselho de um contratado que trabalha no hospital: “Esquece isso, não vai dar em nada. Você estava na rua [eu e uma multidão] quando foi atropelado.”
Aí entrou na narrativa de que a assembleia estava sendo realizada num lugar público [na rua], o que envolve a lembrança do sindicato que fez a convocação. Havia outro lugar para que a assembleia acontecesse sem o risco de alguém ser atropelado?
Porque não solicitaram a presença no local de agentes do trânsito que poderiam evitar esse acontecimento. Na verdade, chegaram duas viaturas, mais tarde, depois da ocorrência [pelo menos da minha parte] dolorida.
Nesta quinta-feira, estive num hospital estadual em São Paulo para acompanhar uma paciente. Num dos quartos havia uma jovem mulher. Esperava por uma cirurgia no abdome, onde crescera o que os médicos chamaram de uma massa pesando mais de um quilo.
A família estava desnorteada por presumir que se tratava de uma doença grave.
Pois bem, aquela ‘bola’ era resultado de uma cirurgia a que a moça se submetera em 2012, no município de Barueri. Uma compressa [gaze] provavelmente utilizada para absorver o sangue ficou esquecida dentro de sua barriga, gerando uma longa reação do seu organismo.
Claro, há na vida tantos acontecimentos imprevisíveis e acidentes acontecem, mas é preciso que tomemos mais cuidado para não ferir os outros.
É no mínimo muito estranho que você atropele e passe com o carro sobre o pé de uma pessoa e nem peça desculpa, e siga adiante como se nada tivesse acontecido! (Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online, torcendo para que o seu pé torcido se recupere)
