IBIÚNA – EPISÓDIO CONSTRANGEDOR NO HOSPITAL MUNICIPAL
No dia 8 de julho, quando o Instituto Morgan completou o 20º dia no gerenciamento do Hospital Municipal de Ibiúna – HMI, o repórter Carlos Rossini visitou o hospital e redigiu uma notícia auspiciosa.
A certa altura revelou: “Os profissionais de saúde ouvidos pelo repórter transpareceram um clima de confiança e otimismo.”
Na madrugada deste domingo (13), quando a empresa soma 87 dias na gestão do HMI, o jornalista não viu motivo para manter a mesma impressão ao ouvir profissionais com os quais manteve contato no andamento de uma consulta.
O que ouviu agora mostra uma realidade bem diferente, que pode se resumir na seguinte descrição: os profissionais da saúde continuam se dedicando e procurando dar o melhor de si nos atendimentos, mas sentem uma gritante falta de recursos, que procuram compensar com esforço pessoal redobrado.
O QUE ACONTECEU
O repórter acompanhava uma senhora de 82 anos que estava se sentindo mal por pressão alta. Chegaram lá por volta da 1h. Passaram pela triagem e foi atendida por uma jovem médica.
Ela solicitou um eletrocardiograma. Pouco depois, uma enfermeira a encaminhou para um box de cortina. Instalou os eletrodos, mas o aparelho não funcionava. Tentou várias vezes mexendo nas tomadas, em vão. Depois de diversas tentativas conseguiu um exame…que foi rejeitado pela médica por apresentar traçados inadequados e com interferências.
De volta com o resultado, a médica, diante do exame inadequado, pediu uma coleta de sangue para o exame de enzimas cardíacas, para verificar se a paciente tivera um episódio de infarto. “Assim será mais seguro”, ela disse.
Na sala da enfermagem, durante a coleta de sangue, a mesma enfermeira que tentara em vão fazer um eletrocardiograma, foi atrás de outro aparelho. Com boa vontade, queria realizar um atendimento satisfatório.
Agora com o novo aparelho o mesmo problema se repetiu. Em suma, os dois únicos aparelhos de eletrocardiograma do Pronto Socorro do Hospital Municipal de Ibiúna não estavam funcionando nesta madrugada!
De posse do exame de sangue e de dois eletrocardiogramas não confiáveis, retornamos à sala onde a médica havia feito o atendimento inicial. Mas ela já tinha ido embora, pois havia cumprindo um plantão chamado “cinderela” que dura apenas 6 horas e não doze.
Havia outro médico na sala. Ele fez o atendimento, e igualmente rejeitou os dois eletros. Como o resultado da enzimas estavam normais orientou a paciente retornar ao seu cardiologista.
CLIMA
Durante mais de duas horas em que permaneceu no hospital, o jornalista ouviu diversas queixas de profissionais da saúde, de modo geral, se referindo a falta de recursos operacionais.
O repórter também observou um clima de insegurança e de necessidade de desabafar, de modo discreto.
Além da questão central no que diz respeito à grande esperança de mudança no HMI com o advento da nova empresa, há outro desafio relativo à segurança pessoal. Recentemente, uma enfermeira teve que ir fazer BO na delegacia por ter sido ameaçada de morte por uma paciente que disse ser parente de um policial.
Um médico foi ameaçado de agressão, enquanto se preparava para auxiliar um colega num procedimento de intubação de um paciente.
Carlos Rossini é diretor da TVUNA, editor de vitrine online, e desde abril deste ano membro do Conselho Municipal de Saúde.
Nota da Redação: a foto utilizada nesta notícia é de aquivo e anterior ao fechamento da entrada do PSA para reforma
