IBIÚNA – UM PEQUENO EPISÓDIO NO HOSPITAL MUNICIPAL

Como as pessoas, grande parte delas, funciona cada vez mais no modo automático, tendem a nem se dar conta da perda de qualidade de vida nos acontecimentos mais triviais do dia a dia.

A profissão de jornalista faz desse profissional um observador atento àquilo que pode passar despercebido, quando não devia.

Vamos aos fatos.

Retomo o tema do medo, do qual tratei aqui no dia 30 de julho de 2016 ao destacar um tema debatido na 1ª Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat) promovido pela Prefeitura de Ibiúna, incluindo palestra do prefeito municipal.

Isso porque um dos temas em discussão foi exatamente a saúde mental no ambiente do trabalho e, por isso mesmo, assinalei que observo claramente um medo arraigado no comportamento dos funcionários municipais, que somam algo em torno de 2.600 servidores.

Volto ao tema agora porque há poucos dias uma mulher foi tratada de modo agressivo por um funcionário do Hospital Municipal durante o processo de triagem e postou seu ressentimento nas redes sociais.

Lembro-me agora de ter dito para uma autoridade da empresa que assumiu a gestão do hospital em junho deste abi que “um hospital não pode e não deve ser um ambiente doentio para quem trabalha na promoção da saúde”, pois deve ser o primeiro a estar bem para poder cuidar bem dos pacientes.

Acho que isso é óbvio, né?

Procurei ouvir a mulher com o objetivo de cuidar do episódio como notícia e ela manifestou clara preocupação pela forma como trataria o assunto, para não prejudicá-la.

Depois de tantos anos de relacionamento com servidores públicos em Ibiúna reitero que a maioria absoluta evita até mesmo a fazer comentários às vezes irrelevantes para não sofrer nenhum tipo de retaliação, que existe e não é exclusividade do atual governo. Todos eles adotam esse procedimento nefasto, uns mais, outros, menos.

O medo como herança de hábito está sempre presente e é até compreensível porque as pessoas querem preservar seus empregos.

O que pretendo apontar é o fato de que é tão gritante a presença do medo comportamental que ele se torna uma normose, aquilo que aparentemente é normal, mas, não é. É uma forma de se preservar como fazem os animais quando fogem e se abrigam contra predadores.

Portanto, quando se discute temas relacionados com segurança no trabalho, que é saudável, é preciso ter em mente que existe uma insegurança mental que causa adoecimento e problemas emocionais às vezes tão severos, que acabam afastando os trabalhadores por licença médica por longos períodos. Ou seja: o medo adoece as pessoas. (Carlos Rossini é diretor da TVUNA e editor de vitrine online)

Carlos Rossini

Carlos Rossini é jornalista, sociólogo, escritor e professor universitário, tendo sido professor de jornalismo por vinte anos. Trabalhou em veículos de comunicação nas funções de repórter, redator, editor, articulista e colaborador, como Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, Diário Popular, entre outros. Ao transferir a revista vitrine, versão imprensa, de São Paulo para Ibiúna há alguns anos, iniciou uma nova experiência profissional, dedicando-se ao jornalismo regional, depois de cumprir uma trajetória bem-sucedida na grande imprensa brasileira. Seu primeiro livro A Coragem de Comunicar foi lançado na Bienal do Livro em São Paulo no ano 2000, pela editora Madras.

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