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LIVRE PENSAR – EXIBIÇÕES JORNALÍSTICAS DE FÁBIO BELLO SÃO FRAGMENTOS DE ‘DISCURSOS’ REPETITIVOS

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Em algum momento do ano passado, um vereador ibiunense, irado com as atitudes de um secretário municipal de Ibiúna, desabafou: “Sou caipira sim, mas não burro”. Estava tiririca com as tergiversações da autoridade do Executivo, num processo em que procurava se informar sobre as graves denúncias em torno da merenda escolar. Essa frase ecoa em nossa memória, toda vez em que existe a possibilidade de nos sentirmos como o parlamentar ibiunense.

As exibições jornalísticas [com exceção da vitrine online e do repórter da cidade, jornalista Carlos Rossini, para o qual o prefeito se esquiva de dar entrevista, como é do conhecimento dos leitores] do prefeito Fábio Bello nas dóceis mídias impressas que lhe abrem espaços e destaques generosíssimos são reproduções de clichês, ladainhas, repetidas ad nauseam com as mesmas palavras de autolouvação. Nesta semana, ‘estrelou’, mais uma vez, como protagonista, em mais uma edição de um jornal bissexto distribuído na cidade. Nas redes sociais apareceram críticas severas ao prefeito e ao jornal.

Não se trata apenas de mesmice expressiva, como se houvesse por trás uma ‘genialidade’ criativa que sabe falar direta e apropriadamente à alma do “povão”, mas sim de certa puerilidade inconsequente na construção de frases puídas por excesso de uso, como uma velha camiseta de dormir, presumindo que essa é a forma mais eficiente de influenciar as “gentes simples”. Na verdade, subestima a perspicácia popular.

Em geral, as pessoas se expressam com o conteúdo cultural adquirido e que pode ser marcado tanto por limites bem determinados de conteúdos quanto por uma imensa potencialidade, fruto das coisas aprendidas, diga-se, não sem esforço, na audiência entusiástica de bons mestres, na forma de pessoas ou livros, duas fontes primordiais para aquisição de conhecimento e desenvolvimento da inteligência teórica e prática.

A função da linguagem é essencial em todas as formas de relacionamento já que é indispensável para exposição de pensamentos, analisar e sintetizar situações e, especialmente, influenciar as pessoas, como é objetivo onipresente nas intenções da fala e da escrita, mesmo que esse plano não integre a substância do que é explicitado em palavras.

Se há otimismo é bom saber se conta com fundamentos reais ou se não passa de um “jogo teatral” apresentado para encher nossas mentes de vazios; se há verdade no que é dito, não há por que subestimar a inteligência de outrem, e tampouco ter-se a insegurança íntima dela ter se vestido com a capa da mentira. Enfim, se há transparência – e sempre há para o leitor atento e preparado – então que se use o senso crítico para aceitar ou repelir o que está diante dos nossos olhos. Nós somos – ou devíamos ser – livres para escolher nossos pensamentos críticos diante das influências que querem nos impingir.

Nesse conjunto refletido, o que mais preocupa é a hipnose com que se pretende manipular a mente dos outros, enquanto as informações essenciais e verdadeiras permanecem intencionalmente ocultas. Se aqui o leitor requer um único exemplo clarificante, então tá: a afirmação do prefeito de que os custos da festa de aniversário “foram normais, dentro dos padrões que todas (sic) as prefeituras organizam festividades”.  Nesse caso, foram excluídas duas informações imprescindíveis: traduzir o que são “padrões normais” e por que os valores absolutos gastos não são divulgados. Simples assim.

Na realidade, o imaginário popular fez várias “projeções” a respeito desse fato. Somente no caso da dupla Victor e Leo [gostaram do show] variou de R$ 150 mil a R$ 300 mil, sempre pagos antes de subir no palco, pois essa é a regra do jogo dos artistas para evitar problemas jurídicos futuros por falta de pagamento das prefeituras contratantes. O custo global, dependendo de variados pontos de vista, teria sido em torno de R$ 1 milhão. Só a informação exata e transparente poderia substituir a fantasia popular, mas isso aparentemente é “segredo de estado”.

Todas – repetimos, todas as perguntas e respostas – se sujeitam à análise lógica e, nesse caso, há uma perda grande de tudo aquilo que ensinaram os filósofos, os matemáticos, sobre o assunto, exatamente para libertar os homens da escravidão imposta pelo desconhecimento. Em síntese, o que se lê não convence alguém que amadureceu lidando com imenso prazer com as palavras e seus significados, semânticos ou etimológicos.

Se somos capazes de enxergar as intenções por trás dos anversos das frases, então estamos aptos para identificar se se trata da verdade, de meias-verdades, ou da mentira. Assim, podemos fazer nossas escolhas, até mesmo se devemos ler tais objetos ou encará-los como meras facécias. Mas os protagonistas desses comentários estão tranquilos, bem sabemos, porque são glaciais em relação a todos os assuntos que requerem embasamento ético e moral e têm suas prioridades egoístas preservadas. Por isso, eles admitem sem culpa: “Dane-se o que os outros vão pensar.” Então, é preciso lembrar que existe o tempo em andamento inexorável e, como diz a sapiência popular, colherão o que plantaram, a menos que sejamos demasiadamente tolos. (Carlos Rossini)

 

 

 

 

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