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MICROEXPLOSÃO EM CANGUERA – “DE REPENTE, PARECIA QUE O MUNDO ESTAVA ACABANDO”

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CANGUERA [SÃO ROQUE], 6.6.2016, 15 HORAS – Tarde cinzenta, chuvosa. De repente, um forte estrondo de raios, um redemoinho vertiginoso vindo do céu em direção à terra. Tudo começa a ser lançado ao ar: telhados, árvores se quebram como palitos e voam, objetos rodopiam no espaço, alcançam altura e são jogados até mais de um quilômetro de distância. Toda essa fúria da natureza dura talvez cinco minutos, mas os estragos são arrasadores.

Casas e construções empresariais são destruídas completamente como se fossem feitos de papel. Um homem [ibiunense] morre em uma casa que vem abaixo, ao lado da Estrada do Vinho. Trabalhava como pedreiro e teria sofrido um infarto; uma viga cai em cima da perna de seu colega de trabalho, que é levado para o Hospital Regional de Sorocaba. Uma árvore cai sobre um cavalo e quebra sua espinha.

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O trabalhador morto – Ulisses Cipriano Freitas, conhecido como Chico do Zozó, 58 anos – era morador em Ibiúna, bastante conhecido e um ativo participante de romarias e amigo querido por seus colegas.

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PARECIA QUE O MUNDO IA ACABAR

Valdirene Aparecida, 47, mora em uma casa de madeira ao lado de um barracão que foi totalmente destruído, suas telhas de alumínio voaram mais de um quilômetro e se espalharam em muitas direções nas matas. Teve sorte: sua casa sofreu pouco estrago. “Tudo aconteceu de repente, foi um estrondo terrível. Corremos para a cozinha, eu, meu marido, dois filhos e um sobrinho, e ficamos agachados ali. A casa estalava, balançava, estremecia; parecia que ia voar. Parecia que eu estava vendo um filme.”

Sua casa fica na altura do km 9,5 da rodovia Quintino de Lima, em Canguera. Dali se vê uma fila de carros e uma viatura do Corpo de Bombeiros. O rio transbordou, ninguém pode chegar à Vila Maciel, que está isolada.

Cícero Martins Santos, marido de Valdirene, assim descreveu a cena que presenciou ali: “Parecia que o mundo estava acabando. Olhei pela fresta da porta o galpão se retorcendo, abracei os meninos e ficamos ali. Parecia que a casa ia cair. Vi coisas voando em todas as direções.”

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CENÁRIO DE DESTRUIÇÃO

O prefeito de São Roque, Daniel de Oliveira Costa, acompanhado da equipe de Defesa Civil do município e assessores, que vistoriou o transbordamento do rio na Vila Maciel, se deslocou para a Estrada do Vinho, onde o cenário era desolador: casas inteiras destruídas. Numa delas morreu um homem. No prédio da Vinícola Goes havia trabalhadores reconstruindo o telhado em diversos pontos; o Restaurante da Vovó também estava bastante atingido. A Chokolah, uma fábrica de chocolate orgânico, cujo prédio havia sido construído há um ano, veio abaixo, parecendo ter sido bombardeada. Sua proprietária se encontrava no local observando os estragos, triste. A desolação era vista por todos os lados. O prefeito ainda não sabia como estava a situação em outros bairros para onde seguiria depois, como Caetés, Pavão e outros. Antes, deu entrevistas para emissoras de televisão e para vitrine online.

DE EMERGÊNCIA PARA CALAMIDADE

Costa informou que estava declarando estado de calamidade pública no município de São Roque com o objetivo de apressar a obtenção de ajuda do governo estadual para enfrentar a destruição. “Desde o dia 10 de março, quando sofremos com as fortes chuvas e tivemos muitos desabrigados, já havíamos declarado estado de emergência. Agora esperamos que a ajuda venha logo, pois há muito a ser reconstruído.”

“Muitos ficaram desabrigados, perderam suas casas, e precisamos de toda a ajuda possível como materiais de construção e de suporte para a população atingida. Quem puder fazer doações, por favor, façam isso diretamente na Secretaria de Bem-Estar Social da Prefeitura de São Roque.”

O QUE É MICROEXPLOSÃO

O Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura da Unicamp – Cepagri explica que microexplosão é um fenômeno que acontece durante uma tempestade e é formado por nuvens carregadas de ar, água e granizo, acompanhadas por raios e ventos intensos.

Segundo Ana Ávila, diretora do Cepagri, a microexplosão é um evento intenso e pode causar estragos semelhantes aos de um tornado. “A microexplosão seria como um tornado ao contrário. No lugar de se formar do solo em direção às nuvens, ela se forma na nuvem em direção ao solo, provocando destruição mais localizada e na mesma direção. Já o tornado se forma do solo para a nuvem, provocando estragos mais generalizados.”

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