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CRISE EM FAMÍLIA – CONSELHO TUTELAR DE IBIÚNA ATUA EM 1.500 CASOS DESDE JANEIRO

crianças agora

A delicadeza é uma qualidade fundamental para o estabelecimento de relações psicossociais saudáveis e civilizadas, pena que, sobretudo pela aspereza crua das dificuldades objetivas da vida, venha perdendo espaço para atitudes desumanizadas, na dura realidade do dia a dia.

Digo isso, depois de saber que o Conselho Tutelar de Ibiúna, cujos novos membros foram empossados em janeiro deste ano e que, em apenas um semestre, acumula mais de 1.500 casos, 250 por mês, 8,3 por dia.

Esses dados refletem a situação de conflitos que atingem o coração das famílias, muitas das quais desestruturadas, seja pela ausência de um dos cônjuges [pai ou mãe], dificuldades financeiras crônicas, relacionamentos complicados e hostis. E, por que não, ausência de amor e delicadeza.

Estamos falando de crianças e adolescentes, com a lembrança de que recentemente noticiamos de modo sintomático que oito adolescentes havia invadido e furtado objetos da casa de uma professora no centro da cidade de Ibiúna.

No mesmo dia, uma estudante de dezessete anos tinha sido agredida por uma mulher que, quando adolescente, protagonizou uma cena que teve repercussão nacional por agredir violentamente, junto com um comparsa, uma outra estudante de uma escola estadual, também no centro.

Durante a tomada de depoimentos na Delegacia de Polícia local, tivemos a oportunidade de conversar com uma das mães de dois adolescentes que faziam parte do grupo dos oito que furtaram a casa da professora que se encontrava lecionando em uma escola no bairro Rio de Una de Baixo. Sua situação se inclui no que observamos anteriormente: a ausência do pai no lar por estar preso.

Dos meninos, quatro disseram estar matriculados e os outros quatro declararam que não frequentam escola. Uma cena triste vê-los todos em uma delegacia de polícia, quando, na verdade, deveriam estar aprendendo a viver em sociedade e assegurar um futuro como cidadãos responsáveis.

Entre as centenas de casos catalogados pelo Conselho Tutelar se incluem exatamente fuga escolar que compromete diretamente os pais, agressões e violência contra indefesos, incluindo pedofilia e outras formas de grosserias que provocam dor e sofrimento e, especialmente, impossibilitam que essas vidas tenham oportunidade de formação moral. Ao contrário, pelas condições em que vivem pode se transformar em pessoas revoltadas porque, em geral, grosseria gera grosseria, assim como amor gera amor.

A professora cuja casa foi alvo do furto, na delegacia, nos disse que estava triste por ver as condições dos curadores (mães e pais) que acompanhavam os depoimentos dos seus filhos. “Nós não podemos perdê-los”, declarou, com a esperança de que algo ainda pode ser feito para recuperá-los. Se a família perdeu essa função por estar frágil, é preciso um plano de educação escolar que compense essa falha, incluindo a família como extensão da sala de aula. (Léo Pinheiro)

 

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