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VITRINE DOCUMENTA [PARTE 3] – O RISCO DA REPRESA ITUPARARANGA VIRAR UM PÂNTANO É REAL

É dura a nossa realidade e, por isso mesmo, precisa ser evocada: enquanto a população preferir incontidamente notícias sensacionalistas e escandalosas em vez de informações que trazem conhecimentos fundamentais para orientar suas condutas e torná-la consciente, responsável e participativa nas questões que envolvem as questões relacionadas à existência, continuaremos vivendo uma situação patética. Reclamar é um direito, mas é preciso também saber que existem deveres que precisam ser cumpridos em defesa dos patrimônios naturais e comuns a todos e não apenas esperar passivamente por soluções mágicas ou milagrosas.

Na reportagem de hoje, Dr. André faz uma advertência não apenas para a população do município de Ibiúna, mas de toda a Região e também do Estado de São Paulo: no andamento da carruagem a bela represa Itupararanga pode virar um “pântano” daqui a vinte anos.

Esse trabalho jornalístico que vitrine online está apresentando tem exatamente o objetivo de despertar as autoridades e a população para se mobilizarem a fim de evitar uma tragédia ecológica anunciada. Todos aqueles que amam e respeitam Ibiúna devem, de alguma forma, colaborar com ações efetivas para salvar Itupararanga e os rios e córregos que a abastecem e que hoje carregam diariamente para suas águas toneladas de esgoto in natura.  Veja o que ele diz:

“Os efeitos das descargas de nutrientes e agrotóxicos utilizados pela agricultura no sistema hídrico da região, o principal problema não é a agricultura e nem o agricultor, mas é a falta de mecanismos de controle desse material. Então, é preciso promover uma agricultura de forma que conserve mais o solo, recuperar as áreas de vegetação principalmente nas beiras de rios, áreas de mata ciliar, dar treinamento aos agricultores em termos da quantidade de nutrientes e fertilizantes que usa para não ir muito para a represa.

Tudo isso não é mistério, a gente sabe o que acontece com as represas onde isso não é feito, já sabe que por que a gente viu acontecer no Estado de São Paulo em várias represas. Mencionei o exemplo da Guarapiranga, de Salto Grande, em Americana. Salto Grande, hoje em dia, por exemplo, afetou diretamente bairros ricos. Casas de veraneio de luxo nas praias da represa vivaram fantasmas, estão abandonadas, a represa está numa qualidade tão ruim nem para usar jet sky não dá mais, porque as plantas aquáticas crescem, tem muito aguapés, e tampam a represa. Isso pode acontecer aqui também. Essa é uma tendência natural do processo da eutrofização, o final desse processo é a represa virar quase um pântano.

Itupararanga está longe de que isso aconteça?

Eu costumo dizer que quando comecei a trabalhar com isso, já tem vinte anos, a Guarapiranga, em São Paulo, estava nesse nível como está hoje Itupararanga, uma represa que tinham alguns impactos, mas ainda era uma água de boa qualidade. Hoje, Guarapiranga já está numa situação-limite de uso de água para abastecimento. Então, depende de como serão as políticas públicas, se vier mais gente morar na região, se você não cuidar do tratamento de esgoto, se tudo isso que hoje acontece continuar acontecendo em termos de uns vinte anos vamos ter um problemas de utilização dessas águas para abastecimento público: cheiro, gosto da água, toxinas, etc.

Por enquanto, não temos esse risco, mas esse processo é gradual e todo ano a gente vê que está um pouquinho pior, um pouquinho pior. Medidas que podiam ter sido tomadas para reduzir isso, como por exemplo recuperação de APPs (área de proteção permanente) nas beiras de rios, tratamento de esgoto. Alguns municípios da bacia, como São Roque, por exemplo, desde 1995, quando o comitê foi criado, a primeira reunião era para discutir o tratamento de esgoto de São Roque e até hoje não tem. Tem zero de tratamento de esgoto em São Roque.” (Carlos Rossini)

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A MISSÃO DE SALVAR A REPRESA DE ITUPARARANGA É DE TODOS NÓS!

Esta série de matérias a respeito da represa Itupararanga foi baseada em depoimentos colhidos pela revista vitrine online do biólogo André Cordeiro Alves dos Santos (foto), especialista que mais conhece a qualidade das águas da represa, que pesquisa há dez anos. Ele é professor de microbiologia ambiental e recursos hídricos da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), campus Sorocaba, e coordenador da Câmara de Planejamento e Gestão de Recursos Hídricos do Comitê de Bacias do Rio Sorocaba e Médio Tietê. Seu diagnóstico atual é sombrio: a qualidade das águas piora a cada ano, contaminada por esgoto in natura, que recebe dos rios que são seus formadores, e dos agrotóxicos que escorrem das plantações para os rios ou diretamente em suas margens.Com 2.723 hectares de área (27 milhões de m2), a represa Itupararanga abastece os municípios de Sorocaba, Votorantim, Ibiúna, São Roque e Alumínio. A maior parte de sua extensão se encontra no município de Ibiúna. As águas da represa também são utilizadas para geração de energia na usina hidrelétrica da Companhia Brasileira de Alumínio, pertencente ao Grupo Votorantim, localizada na cidade de Alumínio.

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