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CARNAVAL – A BUSCA DO PRAZER DE ESTAR JUNTO COM OS OUTROS

A busca do prazer e a fuga do sofrimento fazem parte da natureza humana e, como se sabe, ambas fazem parte das possibilidades das quais não se pode escapar pelo simples fato de que a existência implica na vivência de ambos os sentimentos, ora um, ora outro.

Por definição, Carnaval é uma festa popular em que a busca do prazer – satisfação de vontades e desejos, alegria, contentamento, bem-estar – consegue provocar notáveis transfigurações no comportamento das pessoas.

Por alguns dias, e muitas vezes de modo frenético, as pessoas perdem a sua individualidade cotidiana e experimentam um sentido de unidade social, na forma de inserção em blocos que podem reunir atualmente milhões de pessoas nas ruas em um mesmo momento, como aconteceu em São Paulo há poucos dias.

Esse despojamento individual pela imersão no ser coletivo e impessoal pode, em diversos casos, ser tão intenso que chega a provocar a morte daqueles que ultrapassam os limites de resistência do corpo e excedem no consumo de bebidas alcoólicas e drogas condutoras de alterações de humor e de perda do sentido da realidade.

A busca do prazer inclui sobretudo as atividades sexuais propiciadas pelo clima de magnetismo dos movimentos do corpo e das cantorias regadas a estimulantes musicais e indutores especialmente favoráveis a abrir caminhos para permissividades típicas de momentos de euforia e de esquecimento temporário da razão que precede e que retorna depois da festa em que cada um vive suas fantasias transformistas.

O princípio do prazer, o principal motor do Carnaval, procura como as águas dos rios, os possíveis caminhos para sua realização, percorrendo perto ou dentro de trilhas do sofrimento e da dor, porque estão à espreita no transcorrer da alegria.

Os traficantes, os assaltantes, os ladrões e outros oportunistas se aproveitam desses momentos em que todos parecem distraídos e hipnotizados para agir e praticar suas diversas formas de violência, sobretudo em relação a incautos e presas fáceis para suas impiedades.

Mas há também sofrimentos de amores mal resolvidos que se formam ou se diluem nos dias de folia, traições, desentendimentos, conflitos, além de atitudes grosseiras e ignorantes que encontram esses instantes para extravasamento.

Sem pretender uma fixação no saudosismo – passado é passado – o Carnaval no Brasil, nas grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, assim como em milhares de municípios, já foi mais inocente, civilizado e pacífico, pois não havia de modo tão marcante alterações de comportamento tão brutais a ponto de transformar a vida, uma preciosidade, em algo tão banal como os objetos. Um simples celular pode ser o alvo e vitimar alguém.

A sociedade, até mesmo porque precisa quebrar a rotina, relaxar, descansar, tomar distância de uma rotina desgastante, talvez continue precisando do Carnaval até mesmo para compartilhar o amor que, afinal, espera-se, ainda exista no coração de muitas pessoas. E rir e brincar juntos pode ser uma forma de, por alguns dias, recuperar um tanto da humanidade que se desgasta na rotina no dia a dia. (Carlos Rossini)

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