Vitrine Online, a melhor informação !

GINECOLOGISTA E OBSTETRA HÁ 50 ANOS, DRA. MARGARIDA GIANCOLI ADVERTE SOBRE RISCOS DA GRAVIDEZ PRECOCE

É grande o número de adolescentes que engravidam no município de Ibiúna, aos treze, dezesseis e dezessete anos.

Primeira médica formada de Ibiúna, Dra. Margarida Giancoli já fez mais de dez mil partos. O número de consultas pré-natais [assistência às gestantes durante os nove meses, visando melhorar e evitar problemas para a mãe e a criança nesse período e no momento do parto] já nem se lembra mais.

Entrevistada por vitrine online hoje (21) no Posto de Saúde do Paiol Pequeno, onde atende todas as quartas-feiras [no bairro do Capim Azedo, ela atende às segundas-feiras], procurou orientar as mulheres nessas faixas etárias sobre os riscos da gravidez.

“O organismo das adolescentes ainda está preparando a parte hormonal, o ovário não está ciclando direito; as mudanças estruturais no organismo das meninas provocam uma sobrecarga sobre os rins, coração. Além disso, estão sujeitas à pressão alta, diabetes gestacional e partos difíceis e de risco.”

Uma situação que se verifica também é o parto distócico, em que apesar do útero se contrair normalmente, o bebê não consegue passar pela bacia por estar bloqueado fisicamente.

Infelizmente, entre as pacientes adolescentes tem encontrado meninas com HIV e pelo menos um caso de sífilis, fatos muito preocupantes tanto em relação à gravidez quanto ao bebê.

“O ideal – prossegue – é que a gravidez ocorra entre os 20 e 35 anos e que as gestantes façam um pré-natal bem feito; às vezes, é preciso a intervenção multidisciplinar com acompanhamento de clínico e outros especialistas.”

Sobre a saúde pública no município, a médica acredita que o bom atendimento requer boa formação, dedicação, trabalho firme, sempre “pensando no bem-estar das pessoas”.

IBIUNENSE NATA

Dra. Margarida Giancoli, 75, é natural de Ibiúna. Nasceu em uma casa onde atualmente há um posto de abastecimento próximo à capela do Bom Jesus, na esquina entre a rua XV de Novembro e avenida São Sebastião, pertencente até hoje à sua família.

Integrante de uma classe de oitenta alunos, dos quais apenas sete mulheres, formou-se médica em 1968 pela Faculdade de Ciências Médicas e Biológicas de Botucatu [hoje vinculada à Unesp]. No próximo dia 4 de abril [menos dezesseis médicos que morreram; todas as mulheres estão vivas] a turma vai se reunir na Faculdade para festejar o cinquentenário da formatura.

Casada com o dentista José Ferreira Reguengo, o casal tem quatro filhos: Régia, 43, dentista; Rubens Leonardo,40, médico veterinário; Karina, 38, cirurgiã dentista; e Raquel, 36, advogada e turismóloga.

Depois que se formou e retornou para Ibiúna, Dra. Margarida Giancoli viu que o município não dispunha de hospital. Em 1972, abriu o Pronto Socorro Régia, no centro da cidade, que funcionou até 1976. Neste ano, no dia 22 de outubro, junto com seu marido, fundou o Hospital Régia, no Jardim Áurea, onde atualmente funciona o Hospital Municipal de Ibiúna.

O casal havia obtido empréstimo de Cr$ 1 milhão da Caixa Econômica Estadual, com o qual ergueu o edifício ocupando uma área de 1.500 m2 e montou um pronto socorro e quarenta leitos.

A operação do hospital, “por falta de apoio”, foi perdendo fôlego e três anos depois de sua inauguração, em 1979, foi vendido para Titara Otomo. A partir daí a situação se complicou porque o comprador deixou de efetuar os pagamentos. Os Giancoli entraram com uma ação de reintegração de posse e, por caminhos inesperados, acabaram perdendo. Em seguida, um grupo de médicos, incluindo Jodi Tanaka, assumiu o hospital. Posteriormente, o Governo Estadual [que havia financiado a obra] deu entrada em processo pedindo sua desapropriação [a ação está indefinida até os dias presentes], mas, em 1991, o hospital passou para a prefeitura de Ibiúna, que o administra até o presente momento.

FRUSTRAÇÃO E MUDANÇA

Em 1976, a Dra. Margarida foi pedir apoio ao prefeito na época. Queria fazer convênio de atendimento com a municipalidade, dando atendimento à população do município. O prefeito disse um não à sua moda: “Com 10 mil réis levo tudo [os pacientes] para São Paulo”, o que não deixa de ser uma frase relevante considerando que essa perspectiva marca até hoje as características funcionais do hospital.

Frustrada e triste por falta de apoio, a médica e seus familiares se mudaram para São Roque onde vivem até agora. A Dra. Margarida Giancoli é uma profissional respeitada e estimada por uma imensa legião de pacientes e conterrâneos. (Carlos Rossini)

Comentários