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INFORMAÇÃO DE MENOS, LIMITA; DEMAIS, CONFUNDE

Se na Antiguidade e na Idade Média uma informação andava a passos de tartaruga para chegar ao seu destinatário, no mundo atual as vertiginosas velocidade e variedades de informações que nos chegam pela mídia tradicional e por meio da Internet estão muito além da capacidade humana de serem absorvidas e interpretadas.

É fácil compreender que tanto a escassez quanto o excesso de notícias – incluindo desde a transmitida e recebida por meio de um telefonema – podem moldar nosso comportamento e alterar o funcionamento natural de nossas mentes e a forma como pensamos.

Estudo feito de modo criterioso e científico revelou que a maior parte das informações que nos atingem de alguma forma são desnecessárias para tocar nossas vidas diárias e até podem nos atrapalhar se formos sensíveis e não soubermos filtrá-las.

Há 2.500 anos, a população da Terra não passava de 113 milhões de pessoas, o que equivale à atual população do México. No início do século XIX, nosso planeta chegava ao primeiro bilhão de seres humanos. Hoje somos algo em torno de sete bilhões. Já formamos um formigueiro humano na crosta de nossa espaçonave natural.

Esse crescimento, por si só, explica o torrencial aumento de informações que circula pelo planeta, com infinitas variações de natureza social, econômicas, antropológicas, culturais. Ou seja: vivemos em um mundo jamais experimentado antes pela humanidade e de uma complexidade extrema.

Considerando cada ser um universo em si mesmo e que sua individualidade é, ao mesmo tempo, um conjunto de necessidades básicas e que ninguém é uma ilha, pois dependemos uns dos outros para viver, então o advento da informação em rede online parece ter surgido no mundo para dar sustentação tecnológica a fim de tornar possível a vida da maior comunidade humana jamais vista.

Como se sabe, cada vez que o homem encontra a solução para um problema, surgem outros em consequência. Um deles, por exemplo, é a aparente despersonalização da individualidade, na medida em que as pessoas se sentem perdidas e desorientadas por excesso de informações.

Se a tecnologia tem a capacidade de reinventar a vida, tem, simultaneamente, o poder de destruí-la ou eliminá-la por exclusão daqueles que não se adaptam e perdem o bonde da história.

Outra consequência considerável é a projeção na rede das desqualidades humanas. Se há muitas coisas incrivelmente admiráveis e que valorizam e fazem evoluir a condição humana em todos os campos do conhecimento, há a terrível projeção na rede de falsidades, maldades, como espécies de guerrilhas do mal, conspirando contra o avanço da civilização, ainda que esta deixe para trás – e injustamente – quantidades impressionantes de desvalidos e abandonados à margem do fluxo civilizatório, como lixos não-recicláveis. É doloroso ter que admitir isso.

Um outro impacto considerável nesse contexto perturbador é a descoberta do fato de que, em todo o mundo, líderes municipais, estaduais, nacionais e empresariais já não conseguem, eles também, dar conta da multiplicidade estonteante dos acontecimentos que brotam a todo instante.

A quantidade e variedade simultâneas de acontecimentos até mesmo em pequenas cidades nos ramos da saúde, empregabilidade, mobilidade, segurança, recursos financeiros e estrutura de serviços se tornaram uma fonte de preocupações no estabelecimento de objetivos e suas realizações concretas.

Diante desse panorama, parece urgir novas formas de pensar criativas, assim como de agir no sentido de estabelecer um ordenamento mínimo exatamente no complicado cipoal de uma comunicação sustentável. (Carlos Rossini)

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