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OPINIÃO PÚBLICA – A GENIAL INTERNET REVELA A BARBÁRIE NAS RELAÇÕES SOCIAIS

Um fenômeno que atende pelo nome de Internet, uma das mais geniais invenções de todos os tempos, franqueou um meio de comunicação aberto à maior expressão da diversidade jamais havida na história da humanidade.

Qualquer indivíduo que possua um telefone celular pode entrar nas chamadas redes sociais e expor suas opiniões sem a menor cerimônia e, na generalidade das vezes, sem o menor pudor, emitir juízos sobre qualquer assunto ou personalidades, mesmo que sejam maldades, falsidades, leviandades, com termos chulos vazados na mais vergonhosa ignorância das normas elementares do nosso idioma.

Num cenário de inconsequências e irresponsabilidades sociais e abusos inomináveis há criaturas que se manifestam contra o senso de dignidade humana. Há casos em que até mesmo suicídios provocam em pessoas mais suscetíveis, como determinadas formas de bullyings contra crianças, adolescentes e pessoas vulneráveis.

Já se sabia que novas tecnologias alteram o comportamento da sociedade, talvez o que não se pudesse prever é como se expressaria o dragão da maldade nessa mídia que nos encarcera em uma rede implacável que magnetiza nossos olhares e mãos e ouvidos em torno de um pequeno objeto luminoso que nos hipnotiza a cada instante.

A junção da ignorância casca grossa com sua própria inconsequência gerou novos hábitos e conflitos interpessoais e intergrupais e estabeleceu uma ininterrupta guerrilha de ofensas e assédios morais como nunca se viu antes. Estamos como narciso contemplando apenas nossa própria imagem que refletida se volta contra nós de forma odiosa. Em uma palavra, estamos inventando um canibalismo eletrônico impiedoso.

Os fatos negativos que estamos vivenciando nas redes sociais recordam um filme italiano produzido em 1976 e dirigido por Ettore Scola. Trata-se da comédia, humor pesado, “Brutti, Sporchi e Cattivi”, traduzido para o português como “Feios, Sujos e Malvados” que, coincidentemente, revela a condição da barbárie humana, especialmente envolvendo as pessoas que vivem à margem da sociedade, seja cultural ou economicamente.

As situações aparentemente mais absurdas, localizam-se no limite entre o humano e a animalidade em que imperam a desordem, a avareza, a mesquinharia moral, a inveja, a intolerância e a maldade pura e simples.

No dia a dia do filme, as pessoas vivem como ratos que se atacam mutuamente, num cenário de miserabilidade, onde todos aparentemente serão perdedores. Revela nua e cruamente a frágil condição humana que se dilui no falso universo das aparências.  No rolo, o fogo das vaidades e prepotências! O filme concorreu à Palma de Ouro, em Cannes, na França. Venceu o prêmio de Melhor Direção.

Talvez, é bom refletir, estejamos interpretando os mesmos papéis como atores e atrizes sem roteiro e nem direção, refletindo a educação recebida, as condições ambientais e socioeconômicas que influênciaram traumaticamente nossos caracteres naturais.  Sob o impacto veemente de uma situação em que a proteção moral foi derrubada se  destruíram as fronteiras que nos dividem em duas partes. De um lado, a irracionalidade animal de que somos portadores e, de outro, o aparentemente inacabável processo civilizatório, fonte de esperança de superação de nossa cegueira.

Esse processo coloca em jogo o futuro de todos nós e da comunidade humana que está reinventando uma torre de Babel, não mirando o Céu, mas o Inferno. Basta observar o clima de violência que existe em nosso País e no mundo. Faz tempo que para entrar ou sair de casa exige a indispensável cautela de olhar se há algum bandido na espreita pronto para nos atacar. No universo virtual os ataques são cada vez mais constantes, surpreendentes e perigosos e, em princípio, ninguém está livre deles. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

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