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NA NATUREZA – EM MEIO ÀS ÁRVORES, VI MINHA ‘SANTA’ IGNORÂNCIA

Hoje vi um homem que, sorrindo ao me cumprimentar, deixou ver a flagrante falta de dentes frontais na arcada superior. Pensei em sua banguela e de muitas outras pessoas, homens e mulheres, que se encontram em semelhantes condições.

Parti desse pormenor para refletir sobre o que se considera normal ou se aceita como tal e expandi minha percepção, a fim de questionar as formas como a realidade (tanto na mente da pessoa quando no ambiente exterior onde as coisas aparecem) é percebida pelos indivíduos, certamente me incluindo nesse contexto.

É impressionante constatar como a força dos hábitos culturais e que igualmente são variáveis se mantém apesar da aceleração do tempo e suas consequências sobre a vida real das pessoas. Em resumo, os fatos são de tal forma abundantes e simultâneos que exigem a aquisição de novos conhecimentos constantemente.

O que se sabe sobre a importância da saúde bucal e de seu papel para a saúde dos indivíduos, sobretudo àqueles que possuem dentes deteriorados que podem até mesmo causar a morte cardíaca pela difusão de bactérias originadas exatamente na dentição estragada.

Mas, para muitos, parece que esse problema é inexistente. Assim como muitos homens fogem do exame da próstata para evitar que o médico lhe enfie o dedo para a avaliação por toque. Esse procedimento corriqueiro pode evitar que um câncer inicial se torne mortal, não diagnosticado e tratado a tempo.

Conclusão parcial: os fatos estão mudando o tempo todo, mas parece que a Terra ainda é fixa no espaço, tem forma achatada e é o centro do universo, tendo o Sol girando ao seu redor, uma ignorância assegurada e preservada pela Igreja Católica que até mesmo ordenou a morte (e foram muitas), definida nas santas inquisições, daqueles que pensavam que era a Terra que girava em torno do Sol, como a ciência viria a comprovar mais tarde.

O historiador inglês Tony Judt (1948-2010) deixou-nos uma dica oportuna em relação à maneira como nos relacionamos com a realidade. Ele teria perguntado, não necessariamente dessa forma: ‘Quando os fatos mudam, eu mudo de opinião, e você’?

Bem, é inevitável agora ter que esclarecer algo em torno da realidade, compreendida de diferentes formas ao longo da história. Empregamos aqui o conceito de que “realidade é o que experimentamos pelo sentidos em contraposição ao que pensamos”. Para conhecê-la não basta o que percebemos por meio dos nossos sentidos, pois é fundamental entender o que sentimos em relação ao que é percebido.

Se pudermos dar um passo a mais, podemos dizer que é indispensável pensar ou agir de modo diferente do habitual para entender a realidade de outras formas. Em casa existe uma fileira de pinheiros bem altos há anos, pois foi somente nesta semana ao estar ali com a mente aberta que descobrir que um dele se bifurcou (o único, aliás, entre todos). Fiz essa descoberta exatamente porque lancei um olhar diferente ao cenário que antes era habitual e “imutável”.

Marco Túlio Cícero (106-43a.C), famoso orador romano, pode nos ajudar muito neste momento de tantas incertezas. Se antes cultura significava para os gregos manejo de um campo de cereais, Cícero nos brindou designando cultura como ‘um refinamento do espírito humano por meio do qual o homem melhorava sua relação com as coisas e com os outros homens’.

Uma psicóloga ibiunense postou uma singela mensagem que, em síntese, diz o seguinte: “Hoje sou diferente. Sou melhor do que ontem.”(Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

 

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