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NÓS, OS IBIUNENSES

Esse título – Nós, os ibiunenses – vem batendo na minha cabeça há vários dias. A realidade que vemos diante de nós em cada rua ou lugar nos desafia a reagir como munícipes e cidadãos. A pergunta se insinua: Quem somos nós, os ibiunenses? O que pensamos, sentimos, queremos, o que nos chateia, nos desconforta, nos inquieta por dentro?

São algumas de miríades de dúvidas que gravitam em torno de nossas cabeças ou dentro delas. O que queremos com nossos modos de viver num imenso território coberto de vasta vegetação. Quão diversas, diferentes e variadas são nossas vidas!

E assim sigo meditando, enquanto dirijo numa estrada e descubro uma ibiunense, caminhando com uma sacola de plástico em uma das mãos e, na outra, sobre o ombo esquerdo, carregando um feixe de madeira catada aqui e acolá que, certamente, usará como fonte de calor para fazer sua janta ou o almoço de amanhã?

Não se trata de uma cena isolada. Tenho visto outras mulheres fazendo o mesmo trabalho, como esta que, nesta tarde de fim de inverno, com frio e uma garoazinha caindo, avançará em uma subida por uma estradinha de terra batida, até a porta de entrada de sua casa.

É uma modalidade de ser ibiunense, gente simples, carente, vivendo com o que a natureza lhe fornece gratuitamente, já que um botijão de gás custa no mínimo R$ 70,00.

Um motorista me vê fotografando a personagem do momento e educadamente para o carro. Quando concluo o trabalho, volto e agradeço. Ele, entre sorrisos, diz: “Que coisa, não é mesmo? Nem parece que estamos no século XXI!” Nem havia pensado nisso, mas pegar lenha para preparar alimentos é um dos atos mais antigos da humanidade.

Ter consciência das plurais existires ibiunenses é um privilégio, pois, para isso, é preciso manter o espírito de curiosidade intocado pela força dos hábitos e da rotina que não nos permitem perceber com a devida atenção as muitas pequenas paisagens que compõem o cenário cotidiano do município de Ibiúna.

Não há como tapar os olhos para essa multidão de viveres feitos com os sonhos e desejos que fazem parecer que apenas repetimos gestos e pensamentos aprendidos, sem que surja o menor vislumbre de uma possível mudança para uma vida melhor e mais confortável e socialmente justa.

Todos temos em comum o fato de sermos seres humanos, mas muitos nem percebem ou questionam por que há tantas diferenças provocadas por um modo econômico que descarta pessoas como embalagens que jogamos e se acumulam no lixo geral, que reflete uma cultura em que predomina uma cegueira que nos dificulta enxergar claramente quem somos. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

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