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ELEIÇÃO PRESIDENCIAL PÕE A NAÇÃO BRASILEIRA ENTRE CILA E CARIBDIS

No próximo domingo (7) os brasileiros vãos às urnas para eleger presidente da República, senadores, deputados federais e estaduais e governadores. Para uma grande massa de eleitores essa não será uma tarefa fácil, já que são muitos os candidatos a memorizar ou anotar. Muitos terão dificuldade real e tomara que os espertalhões não abusem dos incautos.

A questão que propomos para a reflexão dos leitores, no entanto, é de outra ordem. Pesquisa de intenção de votos divulgada pela mídia neste domingo (30) isola na frente dois candidatos – Bolsonaro (PSL) e Haddad (PT) – com maiores chances de irem para o segundo turno, ainda que sempre se possa deixar uma margem para surpresa de última hora. Pelo menos 30% dos eleitores ainda não terão definido seus votos, o que significa algo em torno de 40 milhões de eleitores.

Ao considerar os fatos históricos envolvendo tanto um quanto outro candidato, vem-me à lembrança a mitologia grega em torno de duas personagens – Cila e Caribdis. Acreditava-se que ficar entre um e outro eram duas alternativas igualmente desagradáveis. Muitos brasileiros pensam exatamente dessa maneira, sobretudo aqueles que poderão decidir pelo chamado voto útil, já que os candidatos do seu coração estão com a cotação matematicamente abaixo do desejável.

MERECEREMOS ISSO?

Outra lembrança que ocorre na atual conjuntura é a declaração do filósofo francês Joseph-Marie Maistre (1753-1821). A ele é atribuída a famosa frase “Cada povo tem o governo que merece.”

Maistre foi também categórico quando declarou, no século XIX: “Sai vitorioso das urnas, o candidato que fala o que o povo quer e não o que precisa ouvir.”

Toda a semelhança com os fatos atuais da realidade brasileira será mera coincidência?

O filósofo francês que era um ardoroso defensor da monarquia e crítico feroz da Revolução Francesa, atribuía seus argumentos à “ignorância popular”, segundo o autor, “responsável pela escolha dos maus representantes”.

Agora vem a justificativa do merecimento do governo. Ele cria que os desmandos de um governo se voltavam como uma “punição” àqueles que tinham direito ao voto, mas não sabiam usá-lo”. Isso foi dito há cerca de duzentos anos e parece de uma atualidade impressionante com a carruagem política brasileira.

Na nossa titubeante democracia e a escassa educação geral e política da população, o voto é decidido pela pressão econômica e promessas meramente eleitorais, sem compromisso ético e moral que as façam tornar reais. Maquiavel dizia no início dos anos 1500 que o rei tinha pouca memória, mas que os súditos (população) não tinham memória alguma.

Agora parece palmar essa falida capacidade de lembrança dos fatos reais por parte de milhões de eleitores que parecem se jogar nas mãos, seja de uma figura com rompantes autoritários radicais ou de outra que representa o que houve de pior na história recente do país que culminou com escândalos de corrupção bilionários.

Aparentemente, os brasileiros decidem seus votos pela simpatia, pela boa lábia e assistencialismo dos candidatos, quando deveriam fazer um exame do passado dos candidatos e em planos de governo bem fundamentados e compreensíveis, coisa que não se viu em toda a campanha. Nos debates públicos, os candidatos à Presidência da República buscaram mais atacar ou se defender dos seus competidores, acenando com fragmentos [alguns notoriamente mistificadores] de promessas que nem sabem se poderão cumprir.

É realmente uma pena que em uma nação com dimensões continentais como o Brasil, os políticos continuem a explorar a inocência e ingenuidade dos eleitores sem o menor sinal de vergonha na cara. (Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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