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EMPREENDEDORISMO – POR QUE RESOLVI VENDER PAÇOCA

Um adolescente avaliou serenamente a situação do ensino que vem recebendo na escola, a situação do Brasil de leste a oeste, de norte a sul, e tomou uma resolução hoje: “Decidi largar tudo. Quero vender paçoca.”

De cara, achei a ideia maravilhosa e me perguntei: por que não faço isso também?

Afinal, o ator Arnold Schwarzenegger em sua passagem por São Paulo para promover sua academia de ginástica, foi recebido pelo governador João Dória. O artista deu umas dicas interessantes e oportunas.

Talvez a mais relevante seja a que diz respeito a ter um sonho e jamais desistir dele que dará certo e se realizará. Obrigado, Arnold, a sugestão veio em boa hora para mim e para milhões de brasileiros que nesta altura estão pensando em como serão suas vidas sem a aposentadoria.

Fazer paçoca caseira, afinal, é uma das coisas mais simples da nossa culinária e para provar, aí vai a receita que consegui  no Google:

  1. Pegue o amendoim torrado, o açúcar, a farinha de milho e o sal, coloque-os em um triturador ou liquidificador. Processe até que fiquem bem triturados e homogêneos.
  2. Pegue forminhas de sua preferência e coloque a mistura, socando com as mãos e modelando.
  3. Desenforme e está pronto para consumir.

Isto é, está pronta para ser vendida e, certamente, ajudará a sustentar muitos brasileiros que catam as sobras do Geagesp ou cavoucam o lixo de lugares chiques para fazer uma boquinha. É só afastar as moscas e os ratos e ir direto ao alvo, seja um pãozinho amassado, uma salsicha com prazo vencido e até mesmo resto de refrigerante de latinha.

Claro, como tenho bom coração, se vir alguém que tá precisando muito, não hesitarei em oferecer algumas paçocas que têm um poder energético reconhecido pela fama popular do amendoim.

Em suma, tomei essa decisão para me livrar ao máximo da dependência do governo que não está para brincadeira com o povão.

Quer um exemplo? O projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias, também conhecido como LDO, apresentado hoje pela equipe econômica do governo federal estabelece que o valor do salário mínimo para 2020 será de R$ 1.040, um acréscimo de R$ 42,00 sobre os atuais R$ 998,00, uma verdadeira fortuna.

Esse projeto, pela primeira vez em quinze anos, define que não haverá aumento real do salário mínimo no ano que vem. Haverá apenas a correção pela inflação medida pelo INPC (Índice Nacional do Preços ao Consumidor).

Para seu conhecimento, somente há aumento real quando o salário mínimo sobe além da inflação, o que não acontecerá, fiquemos todos sabendo desde já. Portanto, nada de cometer exageros no próximo Natal e no Reveillon.

Outro motivo que me fez tomar a mesma decisão do garoto foi a expressão usada pelo vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, em março deste ano, em uma solenidade na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp.

Mourão classificou o aumento do salário mínimo acima da inflação de “vaca sagrada” que precisa mudar. Já havia antecipado o que viria a ser anunciado agora com o projeto do governo. A locução do general significa que o salário mínimo sem aumento real é intocável.

Acredito que o futuro para muitos de nós, brasileiros, está em fazer e vender paçoca pelas razões já expostas.

Só para mencionar, é oportuno dizer que se forem observados os ditames da Constituição Federal, os governantes estão desobedecendo artigos fundamentais ali estabelecidos, como o direito ao emprego, a salários dignos, à aposentadoria, à alimentação, à educação, à saúde e vai por aí afora.

Como há o risco real de a população estar sendo vista como uma massa informe e que terá que se sujeitar, mais uma vez, a sacrifícios ruinosos, como é notório e corriqueiro na história do Brasil, parece que, no salve-se quem puder, o jeito é fazer paçocas caseiras e sair pelas ruas e bater de porta em porta:

“Oi, vai uma paçoquinha hoje?”

Como diz a sabedoria popular, é melhor vender paçoca do que subtrair coisas dos outros”.(Carlos Rossini é editor de vitrine online)

 

 

 

 

 

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